sábado, 7 de maio de 2011

Euro, saída ou Escudo em paralelo?

Começa-se agora a ouvir novamente várias formulações de hipóteses sobre saídas do Euro, como há alguns tempos de resto, o que, compreenda-se, provavelmente porá de imediato as pessoas e empresas com poupanças monetárias a colocar (ou a pensar nisso) esses depósitos fora do sistema bancário nacional, o que em provavelmente contribuiu já anteriormente e que pode contribuir novamente para que os bancos nacionais (os da Grécia, Portugal, etc.) tenham de recorrer à capacidade de criação de moeda do BCE para se financiar dada essa saída de depósitos.

Ou seja, a mera hipótese formulada, contribui para que outras vozes o vejam crescentemente como alguma espécie de saída e por aí adiante. Mas tal via será sempre algo caótica:

- Terá de ser negada veemente até ser declarada de surpresa (este é o ponto onde os chamados "insiders" vão proteger-se na calada).


- A única forma de ser viável por causa das dívidas dos Estados, bancos e empresas emitidas em euros é declarar unilateralmente a sua conversão em moeda nacional, e isso equivale a um "default", ou então, declarar uma reestruturação da dívida emitida em Euros (baixando o reembolso prometido dessa dívida na medida da desvalorização implícita à nova moeda).

A hipótese da introdução do uso paralelo de moedas nacionais em conjugação com a manutenção do Euro parece uma boa ideia mas sofre da questão de como esta circulação pode ganhar credibilidade se os Estados por exemplo, continuam a receber impostos em Euros, ou se empresas preferem continuar a receber em Euros, e como a flutuação cambial relativamente ao Euro dessas novas moedas pode deixar de ser menos que elevada a não ser que exista uma qualquer convicção firme de ter uma conversão fixa com o Euro (mas isso até será contraditório).

Para entrar em circulação, imagino, esse Estado começaria a pagar salários e outras obrigações neste nova moeda desvalorizada e isso equivale a uma baixa a agressiva de salário real, mas coloca-se o problema de quem a aceitaria como moeda de troca, dado que o Euro continuaria a circular internamente.

Mas existe uma boa forma de conseguir algo equivalente, e vou assim transcrever a proposta já anteriormente efectuada, a circulação de uma moeda com valor intrínseco no sentido de representar um bem real, com procura universal e internacional:

"11. Introdução da circulação legal do Escudo em ouro e prata (e assim válido para a liquidação de transacções, contratos e dívidas denominados neste Escudos, onde se sujeito a imposto será liquidado na denominação respectiva), de livre emissão, mas com obrigatoriedade de garantia de pureza e peso, sem que isso signifique a saída do Euro ou qualquer alteração do actual arranjo institucional no sistema bancário nacional e europeu.

Proibição expressa da emissão de quaisquer notas ou registo de depósitos de Escudos de ouro/prata que não esteja coberto a 100% em depósito físico. A conversão entre o Escudo em Ouro ou Prata e qualquer moeda, incluindo o Euro é estabelecida livremente."

Como existe já quem queira "dar uso" a essa coisa inútil detido pelo Banco de Portugal até seria fácil (do que resta depois da administração de Vitor Constâncio ter vendido cerca de 40% das reservas em ouro a mais de 1000 Usd/onça abaixo da cotação actual: grande feito!). O reembolso de dívida nacional a residentes nacionais poderia ser feita com Escudos em Ouro (poderia ser uma opção a ser exercida) e assim aos poucos a moeda poderia começar a circular, dado ser declarada a sua livre circulação com curso legal.

O que ganharíamos? Sendo Portugal um pequeno país, teria muito a ganhar ao acrescentar uma via monetária ortodoxa sem colocar em causa o actual desenho institucional. A livre emissão e circulação de moeda em ouro poderia trazer um sem número de actividades económicas relacionadas podendo tornar-se um centro especializado, ou como é de moda dizer, criar um cluster de um dia para o outro. Os portugueses ganhariam na medida em que teriam a hipótese de constituir poupança e usar um meio de pagamento ortodoxo, protegido dos ventos da história e da infinita capacidade cíclica das crises provocadas pelo laxismo monetário. Quem costuma desprezar o ouro amoedado perguntando-se para que serve, tenho a certeza que não teria de ter medo da concorrência livre de uma “relíquia da história” sem sentido.

1 comentário:

  1. CN:

    É capaz de comentar o que eu escrevi aqui:

    http://cocanha.blogspot.com/2011/05/as-bolhas-da-macacada-serie-b.html

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