segunda-feira, 30 de março de 2009

Gold Watch

Russia backs return to Gold Standard to solve financial crisis: Russia has become the first major country to call for a partial restoration of the Gold Standard to uphold discipline in the world financial system

Econometria na Economia? (II)

Mises's radically fundamental opposition to econometrics now
becomes clear. Econometrics not only attempts to ape the natural
sciences by using complex heterogeneous historical facts as if they were
repeatable homogeneous laboratory facts
; it also squeezes the qualitative
complexity of each event into a quantitative number and then compounds
the fallacy by acting as if these quantitative relations remain constant in
human history. In striking contrast to the physical sciences, which rest on
the empirical discovery of quantitative constants, econometrics, as Mises
repeatedly emphasized, has failed to discover a single constant in human
history
. And given the ever-changing conditions of human will,
knowledge, and values and the differences among men, it is
inconceivable that econometrics can ever do so.

Far from being opposed to history, the praxeologist, and not the
supposed admirers of history, has profound respect for the irreducible
and unique facts of human history. Furthermore, it is the praxeologist
who acknowledges that individual human beings cannot legitimately be
treated by the social scientist as if they were not men who have minds
and act upon their values and expectations, but stones or molecules
whose course can be scientifically tracked in alleged constants or
quantitative laws
. Moreover, as the crowning irony, it is the praxeologist
who is truly empirical because he recognizes the unique and
heterogeneous nature of historical facts; it is the self-proclaimed
"empiricist" who grossly violates the facts of history by attempting to
reduce them to quantitative laws."

Praxeology: The Methodology of Austrian Economics by Murray Rothbard

Armadilha de liquidez

Ou outra forma de dizer "insolvência". Muitos economistas preferem falar de "armadilha de liquidez", como se culpa da "insolvência" fosse da armadilha de liquidez". Uma das actividades preferidas do maistream académico é baralhar a si mesmo e aos outros trocadno causas e consequências, depois juntam expressões vazias e algumas expressões matemáticas e no fim recomendam mais inflacionismo, crédito e despesa do Estado.

Negócios: "Banca espanhola afunda após intervenção na Caja Castilla-La Mancha"

domingo, 29 de março de 2009

Merkel (proto-austrian)

Finantial Times: “This crisis did not come about because we issued too little money but because we created economic growth with too much money, and it was not sustainable growth,” said Ms Merkel.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Ron Paul: the perfect economic interview

Re: Imposto Negativo

  1. João Miranda faz a defesa do Imposto Negativo, e eu deixei um comentário:

    Parece uma boa ideia e eficiente, mas na verdade é uma má ideia e precisamente pela sua eficiência.

    Em experiência locais feitas nos EUA, o imposto negativo teve consequências imediatas nos incentivos a trabalhar e em outros factores como em manter os casamentos.

    Por exemplo, é observado que aquelas pessoas de baixa formação que conseguem recuperar do desemprego, a característica que tinham era conseguir manter-se casado e conseguir trabalhar um ano num emprego de salário mínimo. Quem o conseguia, logo a seguir conseguia ir subindo em melhores empregos e retomar uma vida com mínimo de qualidade.

    Com a introdução do imposto negativo observaram que a percentagem de divórcios aumentava muitíssimo e a situação passava a ser permanente.

    Assim, quanto maior é o rendimento mínimo mais caro fica trabalhar e receber um salário, aumentando o número de pessoas nesse regime. Em termos teóricos depois, é preciso aumentar os impostos para pagar ao número crescente de pessoas, o que diminui o salário líquido de todos, o que aumenta o custo de trabalhar relativamente a ficar a receber o rendimento mínimo.

    Existe assim, uma tendência natural para o número de pessoas ir aumentado e os impostos terem que subir sobre um número cada vez menor de pessoas a trabalhar.

    Teoricamente parece que existem razões para prever o colapso.

    Assim, na medida em que os actuais programas são diversos e obrigam as pessoas a andar e a perder tempo e em filas, isso funciona como travão para que as pessoas usem esse programas sociais.

    Basicamente, um Estado Social eficiente, significa uma eficiência total em todos as unintended consequences do Estado Social.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Bancos Centrais: como esconder informação "relevante"

... para o nosso próprio bem. A hipocrisia não tem limites.

"The Congresswoman from Minnesota asks Bankster Puppet Bernanke why it is not public information as to which banks go to the "Federal" Reserve for loans

Komrade Bernanke's basic response is that if this information were made public, the public might wrongly perceive that the borrowing banks might be in weaker shape than those banks that are not borrowing." LRCBlog

A Ética Jesuíta do Capitalismo

(Law, Legislation and Liberty) FA Hayek Épilogue, note 44 :

"Long before Calvin, the Italian and Dutch commercial towns had practised and later the Spanish Schoolmen codified the rules which made the modern market economy possible. See in this connection particularly H. M. Robertson, Aspects of the Rise of Economic Individualism (Cambridge, 1933), a book which, if it had not appeared at a time when it practically remained unknown in Germany, should have disposed once and for all of the Weberian myth of the Protestant source of capitalist ethics. He shows that if any religious influences were at work, it was much more the Jesuits than the Calvinists who assisted the rise of the ‘capitalist spirit’"

terça-feira, 24 de março de 2009

Get ready for...

Negócios: "A inflação no Reino Unido aumentou no mês passado de forma inesperada, depois dos custos dos bens alimentares terem subido.

O índice de preços no consumidor subiu 3,2% em Fevereiro, contra o mesmo período do ano anterior, anunciou o Departamento de Estatística britânico, segundo a Bloomberg.

Este valor surpreendeu os economistas contactados pela agência noticiosa norte-americana que aguardavam uma inflação de 2,6%."

Sim, precisamos de uma moeda mundial

Uma que seria seleccionada naturalmente: Ouro.

E exigiria uma grande e apertada "regulação" das "autoridades":

* que as notas e depósitos à ordem representem quantidades físicas realmente depositadas à guarda e não como crédito ao banco.

* que os bancos que emitissem notas e depósitos sem cobertura a 100% tornem explícito tal possibilidade nas suas notas e depósitos (e assim, não poderiam nunca ser fungíveis com os primeiros... sendo com toda a probabilidade trocados a desconto).

E sendo assim, os bancos para concederem crédito (coitadinhos...) teriam de convencer primeiro aforradores a concederem formalmente crédito ao banco (podemos chamar de "depósitos a prazo"), e assim exercerem de forma honesta e com racionalidade económica a função de intermediação entre poupança prévia e concessão de crédito.

PS: Diga-se que a única "regulação" e "autoridade" necessária aqui é o direito civil onde o contrato de depósito civil por um lado e o de crédito por outro está definido.

PS2: Seria provável que a prata e outros pudessem também ser utilizados para menores denominações e utilização física amoedada.

PS3: Não existe nenhum fascínio pelo ouro. Resulta apenas ser o elemento cuja quantidade total disponível é a mais estável que se conhece (dado o seu não consumo e a produção anual extremamente modesta relativamente ao stock total disponível).

Adenda: FT China calls for new reserve currency "China’s central bank on Monday proposed replacing the US dollar as the international reserve currency with a new global system controlled by the International Monetary Fund."

segunda-feira, 23 de março de 2009

DEAD END OF THE WORLD PAPER-MONEY UNION

The Ethics of Money Production, JÖRG GUIDO HÜLSMAN:

"As we have seen, there is a strong tendency for the formation of currency blocks around the paper monies used in the countries with the largest capital markets. The driving force in this process is the quest of foreign governments for additional revenue. The governments that control the large capital markets have little incentive to adopt the currencies controlled by other governments. But governments that control only a small tax base and cannot tame their appetite for more money must at some point turn to international capital markets; and this sooner or later forces them to adopt a foreign paper money, or to merge its paper money with the paper monies controlled by other governments.

We have also seen that the connectivity between international capital markets creates an incentive for competing standard paper-money producers to cooperate and, eventually, to merge. This consolidation and centralization process is at present far from being completed. Today’s international monetary order is an order in transition. (...)

There would then be just one paper money for the entire world, possibly with a few remaining national paper currencies that serve as money certificates for the global money. The great project that Lord Keynes unsuccessfully promoted at the 1944 Bretton Woods conference would then finally have come true.

We have already pointed out all essential implications of such an event. Even a national paper money is a powerful engine of economic, cultural, and spiritual degradation. How much more would this be the case with a global paper money? Such a monetary regime would provide the economic foundation of a totalitarian nightmare.

It is true that we are still far away from this scenario. Great obstacles stand in its way, because it would require no less than a political unification of mankind.

But let us assume for the moment that these problems could be overcome in the near future. And let us also assume that fears of totalitarianism could be dispelled by an appropriate moral education of political leaders, who would then excel in the art of selfrestraint.

Would this solve the problem of monetary constitution? Would it give the world a true monetary order that did not bear in its very bosom a tendency for self-destruction, a tendency inherent in all fiat monetary systems?

In light of our general discussion of paper money, the answer is patent. All paper-money systems, be they national or international, labor under the presence of moral hazard. In the long run, therefore, a global paper money cannot evade the fate of national paper money. It must either collapse in hyperinflation or force the government to adopt a policy of increasing control, and eventually total control, over all economic resources. Both scenarios entail economic disruptions on a scale that we can barely imagine today. The inevitable result would be death for many hundreds of millions of human beings.

There is hope, however. Mankind is free to return at any time to the natural production of money, which is in fact the only ethically justifiable and economically viable monetary
order."

O estado de arte da civilização

Portanto, os Bancos compram a sua própria dívida agora isenta de risco porque tem adicionada uma garantia do Estado, e com dinheiro .... criado pelo próprio Banco Central. E a crise assim passa, sem problemas.


A minha veia anarquista diz-me que o presente Regime civilizacional de grandes Estados sociais-democratas já não sabe o que faz, entrou em pânico, e está acompanhado por esse grandes feiticeiros misticistas (acreditam no Crédito sem poupança prévia, que a simples criação de dinheiro induz a sua própria procura e que o consumo é a origem do bem estar) que dão pelo nome de economistas e banqueiros centrais. Temo que o fim do Regime (embora desejável) não seja coisa bonita de se ver. Até porque o Regime vai mostrar que é capaz de tudo antes de implodir.

1. Treasury Announces $1 Trillion Plan to Buy Banks' Bad Debt

2. "El 70% de la deuda emitida con aval se la quedan los propios bancos

Compran los bonos avalados y los usan como garantía para obtener liquidez en las subastas del BCE. No les consume capital y sacan un margen sustancioso.

Los bancos están devorando las emisiones de deuda con aval del Estado colocadas por otras entidades. Y es que lo tienen todo. Con el mismo riesgo que la deuda pública, ofrecen una rentabilidad más elevada; no les consume capital o recursos propios, uno de los parámetros que más se miman en medio de una de las peores crisis financieras de la historia; y el Banco Central Europeo (BCE) les permite utilizar estos activos como garantía para obtener liquidez en las subastas rutinarias que realiza.Los bancos españoles han emitido ya 13.500 millones de euros con garantía estatal desde enero, de los que las propias entidades han comprado el 68% de media, es decir, 9.180 millones de euros. "

A regulamentação bancária e monetária que falta

... para prevenir mais bolhas especulativas seguidas de crises bancárias:

- impôr 100% de reservas nos depósitos à ordem
- restringir o crescimento da massa monetária pelos Bancos Centrais.

Claro que tudo isso seria natural com a liberalização do uso do ouro e prata como moeda, acabando assim a sua proibição.

The inflationists' dream

"Clearly, the inflationists' dream is some sort of world paper money, manipulated by a world government and Central Bank, inflating everywhere at a common rate. This dream still lies in the dim future, however; we are still far from world government, and a national currency problems have so far been too diverse and conflicting to permit meshing into a single unit. Yet, the world has moved steadily in this direction" What Has Government Done to Our Money?, Murray N. Rothbard em 1980

sábado, 21 de março de 2009

quinta-feira, 19 de março de 2009

Matemática em Economia?

"Mathematical equations, says Rothbard, are appropriate and useful where there are constant quantitative relations among unmotivated variables; they are inappropriate in the field of conscious behavior. In a few brilliant lines he demolishes the main device of mathematical economists, viz., the fallacious idea of substituting the concepts of mutual determination and equilibrium for the allegedly outdated concept of cause and effect. And he shows that the concepts of equilibrium and the evenly rotating economy do not refer to reality; although indispensable for any economic inquiry, they are merely auxiliary mental tools to aid us in the analysis of real action.

The equations of physics describe a process through time, while those of economics do not describe a process at all, but merely the final equilibrium point, a hypothetical situation that is outside of time and will never be reached in reality. Furthermore, they cannot say anything about the path by which the economy moves in the direction of the final equilibrium position. As there are no constant relations between any of the elements which the science of action studies, there is no measurement possible, and all numerical data available have merely a historical character; they belong to economic history and not to economics as such. The positivist slogan, "science is measurement," in no way refers to the sciences of human action; the claims of "econometrics" are vain."

Mises Reviews Rothbard's Man, Economy, and State, by Ludwig von Mises

segunda-feira, 16 de março de 2009

História do crescimento da massa monetária (M2 USD YOY, desde 1960)


Observações:
* medido pelo agregado monetário, M2
* podemos verificar como o período de estagflação nos anos 70 foi já "preparado"" por inflação monetária nos anos 60 - o que conduziu ao "default" por Nixon impossibilitado de cumprir a entrega de ouro contra dólares.
* Os anos 80 foram um período de desinflação monetária e de preços
* os anos 90 depois do emagrecimento anterior, retomaram a inflação monetária que em vez de se materializar em pressão nos preços ao consumidor, é encaminhada para a expansão de crédito - o que não se traduz em inflação de preços no consumidor, mas sim no crescer de uma bolha económica visível nas "Internet stocks".
* Com o 11/9 e a queda da bolsa observa-se a continuação da inflação monetária que alimenta o "imobiliário" cujo rebentamento despoleta uma crise bancária que sem "intervenção" teria levado à falência de uma parte do sistema bancário (o que seria bem feito).
* Mas agora, pode observar-se que a criação monetária está a conduzir o crescimento do M2 para cima dos 10% anuais novamente.
* Para onde irá toda esta pura criação de moeda? Dado a recessão e crise bancária, parece-me que iremos voltar à "inflação de preços" a ser observada via commodities novamente, sendo o ouro e prata uma classe de commodities à parte dado o seu valor monetário (e por isso, tem os perigos de potenciais de intervenções agressivas, quer por novas vendas por parte de Bancos Centrais e FMI, quer quem sabe por intervenções mais violentas de controlar o mercado de compra/venda de ouro.. .ainda assim, acho que é válido como "seguro").
Nota: A inflação monetária tem duas componente de materialização:
1- uma que tem tradução mais rápida nos preços do consumidor. Exemplo: o Banco Central cria moeda para pagar directa ou indirectamente (Banco Central compra ou financia dívida pública) despesas do Estado.
2- via expansão do crédito no sistema bancário, que tem menor consequência directa na subida de preços no consumidor mas dá lugar às bolhas económicas ao descer artificialmente a taxa de juro para o investimento que está a ser realizado e que faz subir os preços de activos (como as acções, imobiliário, bens de equipamento, etc). Dando mais tarde lugar a crises bancárias.
O monetarismo deu conta do primeiro efeito, só a escola "austríaca" tem há muito tempo uma linha de investigação e explicação do segundo efeito (e consistente com a sua teoria de estrutura de capital, o juro como preferência temporal, etc).

Austrian Scholars Conference

Audio:

Peter Schiff:
Why the Meltdown Should Have Surprised No One
The Henry Hazlitt Memorial Lecture. Recorded 13 March 2009 at the Ludwig von Mises Institute in Auburn, Alabama. [1:15:31]

George A. Selgin:
The Private Supply of Money
F. A. Hayek Memorial Lecture. Recorded 14 March 2009 at the Ludwig von Mises Institute in Auburn, Alabama. [1:00:13]

Subsidiar a AIG (ou o BPN, ou o BPP, ...) é ajudar as contrapartes

"AIG Says $105 Billion Flowed to Goldman, SocGen, U.S. States

March 16 (Bloomberg) -- American International Group Inc., under pressure to reveal how it spent billions of dollars in taxpayer funds since its September bailout, said $105 billion flowed to U.S. states and banks including Goldman Sachs Group Inc., Societe Generale SA and Deutsche Bank AG.

Banks that bought credit-default swaps or traded securities with AIG got $22.4 billion in collateral, $27.1 billion in payments from a U.S. entity to retire the derivatives, and $43.7 billion tied to the securities-lending program, AIG said yesterday in a statement. States led by California and Virginia got $12.1 billion tied to guaranteed investment contracts. (...)

AIG Reversal

Goldman Sachs led beneficiaries, with $12.9 billion, followed by SocGen, France’s No. 3 bank, with $11.9 billion, and Deutsche Bank, Germany’s biggest lender, with $11.8 billion. New York-based AIG and the Fed had previously refused to reveal the counterparties, saying the contracts were confidential and that the information could damage AIG’s business prospects. "

MIT Climatologist Richard Lindzen on the Politics of Global Warming

sábado, 14 de março de 2009

Pão, sal e liberdade

Viva o pão saudável. Por Michael Seufert.

Ignoring the Austrians

Ignoring the Austrians Got Us in This Mess. Por Randall Forsyth.

Austrian economists assert the current crisis is the inevitable result of the Fed's successive efforts to counter each previous bust. As the credit expansion pumped up asset values to unsustainable levels, the eventual collapse would result in a contraction of credit as losses decimate banks' balance sheets and render them unable to lend. That sounds like an accurate diagnosis of the current problems.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Freedom Alert: World (statist) Currency

"Nobel-prize winner backs world currency: KAZAKH President Nursultan Nazarbayev has won backing for his plan for a single world currency from an intellectual architect of the euro currency, Nobel-prize winner Professor Robert Mundell."

Robert Mundell, autor da estapafúrdia noção de zonas monetárias óptimas (whatever that means) agora parece achar o mundo uma "zona óptima".

Curioso, porque o mundo já teve uma moeda única (o ouro, e também a prata ... ainda que com a habitual deturpação de reservas parciais), essencialmente adoptada voluntariamente em todas as culturas e regiões e religiões do mundo, tendo a mesma clique acabado com essa moeda mundial, pela força.

Agora querem impor uma moeda única (a deles, de forma aos economistas poderem fantasiarem sobre a sua própria importância em que pretendem saber que sabem "calibrar" políticas monetárias, decidindo taxas de juro...).

E porquê? Para anularem a última forma de punição via taxas cambiais.

E conseguir o quê? Ainda uma maior capacidade de praticarem a sua religião pagã de misticismo inflacionista: uma espécie de "Money creates its own demand".

Reforma tranquila das Freguesias em (muito) poucas palavras

A propósito desta notícia: "Associação Nacional de Freguesias processa hoje o Estado - A Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) deverá hoje entregar uma acção contra o Estado pelo incumprimento da legislação na remuneração dos presidentes de junta que exercem a tempo inteiro."

Tal como o vejo, as freguesias deviam ser directamente financiadas pelo IMI liquidado pelos proprietários locais, os quais deviam constituir uma Assembleia Geral onde fosse eleito um "Presidente da Junta" e a sua equipe, e fosse aprovado um orçamento e actividades (como cuidar do espaço comum, limpeza, seguranças, etc).

Tal Reforma não deve ser imposta, deve ser adoptada pelas Frequesias quando e se o quiserem.

Tira poder ao Município? Claro, e ainda bem. Na verdade devem ter as freguesias também a capacidade de veto sobre algumas coisas, como o licenciamento de lugares nocturnos ou a aprovação de projectos com volumetrias consideradas de impacto (e potencialmente descaracterizadoras), a gestão da sua segurança, etc.

Gold Watch

World mints report soaring demand for gold coins

"(...) The United States Mint said sales of its one-ounce American Eagle gold bullion coins rocketed to 710,000 ounces in 2008, from 140,000 ounces a year before.

"The demand for gold and silver has been unprecedented," a spokesman for the Mint told Reuters.

The chairman of the French Mint, Christophe Beaux, said sales roughly doubled last year in value terms and are expected to rise by another 50 percent this year."

Re: O multiplicador keynesiano

http://oinsurgente.org/2009/03/13/o-multiplicador-keynesiano/

Ver aqui como Rothbard ridiculariza (gostava de usar outro termo, mas acho demasiado grave que isto tenha sido considerado "ciência" durante tanto tempo ... e na verdade ainda é) o conceito de “multiplicador” no seu tratado de economia:

C. The Multiplier

The once highly esteemed “multiplier” has now happily faded in popularity, as economists have begun to realize that it is simply the obverse of the stable consumption function. How­ever, the complete absurdity of the multiplier has not yet been fully appreciated. The theory of the “investment multiplier” runs somewhat as follows:

Social Income = Consumption + Investment

Consumption is a stable function of income, as revealed by statistical correlation, etc. Let us say, for the sake of simplicity, that Consumption will always be .80 (Income).[76]

In that case,

Income = .80 (Income) + Investment..20 (Income) = Investment; orIncome = 5 (Investment).

The “5” is the “investment multiplier.”

It is then obvious that all we need to increase social money income by a desired amount is to increase investment by 1/5 of that amount; and the multi­plier magic will do the rest. The early “pump primers” believed in approaching this goal through stimulating private investment; later Keynesians realized that if investment is an “active” vola­tile factor, government spending is no less active and more cer­tain, so that government spending must be relied upon to pro­vide the needed multiplier effect. Creating new money would be most effective, since the government would then be sure not to reduce private funds. Hence the basis for calling all government spending “investment”: it is “investment” because it is not tied passively to income.

The following is offered as a far more potent “multiplier,” on Keynesian grounds even more potent and effective than the in­vestment multiplier, and on Keynesian grounds there can be no objection to it. It is a reductio ad absurdum, but it is not sim­ply a parody, for it is in keeping with the Keynesian method.

Social Income = Income of (insert name of any person, say the reader) + Income of everyone else.

Let us use symbols:

Social income = Y
Income of the Reader = R
Income of everyone else = V

We find that V is a completely stable function of Y. Plot the two on coordinates, and we find historical one-to-one correspond­ence between them. It is a tremendously stable function, far more stable than the “consumption function.” On the other hand, plot R against Y. Here we find, instead of perfect correlation, only the remotest of connections between the fluctuating income of the reader of these lines and the social income. Therefore, this reader’s income is the active, volatile, uncertain element in the social income, while everyone else’s income is passive, stable, de­termined by the social income.

Let us say the equation arrived at is:

V = .99999 Y

Then, Y = .99999 Y + R

.00001 Y = RY = 100,000 R

This is the reader’s own personal multiplier, a far more pow­erful one than the investment multiplier. To increase social in­come and thereby cure depression and unemployment, it is only necessary for the government to print a certain number of dol­lars and give them to the reader of these lines. The reader’s spending will prime the pump of a 100,000-fold increase in the national income.[77]

Adenda: Science Is as Science Does - "(...) Austrian economists don't claim to be doing empirical science. Keynesians do. What is ironic to me as an empirical scientist, is that it is the Austrians who get their predictions right, while Keynesians seem to have been caught like deer in the headlights.

This pattern is nothing new to the current crisis. It was Ludwig von Mises who predicted the Great Depression, while Irving Fisher, still highly revered by the Keynesians, proceeded to lose his fortune.

It was the Keynesians who assured us that we were headed for a severe recession (which never materialized) after World War II if the government cut back on its spending.

It was Fed chairman Arthur Burns who assured Murray Rothbard that a continuation of the inflationary recession was impossible.

Time after weary time, it is the mainstream and Keynesian economists (who ridicule and ignore Austrian economics as unscientific) whose predictions are utterly refuted by the events of history. Yet they continue to propound their eternal nonsense and use government coercion to force their bankrupt ideology on everyone else. As Paul Feyerabend said, "I have no objection to incompetence but I do object when incompetence is accompanied by boredom and self-righteousness."

I would also add that I object when incompetence, boredom, and self-righteousness are accompanied by government coercion. But that is a digression.

What I mean to insist on here is that Keynesian economists, who claim to be empirical scientists, ought to abandon their theory. The entire history of civilization stands as a monumental falsification of it. Or please, at the very least, stop degrading the good name of empirical science with such rubbish."

... depois de Adam Smith II

O Vol. II, aqui (pdf).

Classical Economics - An Austrian Perspective on the History of Economic Thought, Volume II, Murray N. Rothbard

Introduction vii
Acknowledgements xv
1. J.B. Say: the French tradition in Smithian clothing 1
2. Jeremy Bentham: the utilitarian as big brother 47
3. James Mill, Ricardo, and the Ricardian system 69
4. The decline of the Ricardian system, 1820-48 101
5. Monetary and banking thought, I: the early bullionist controversy 157
6. Monetary and banking thought, II: the bullion Report and the return to gold 191
7. Monetary and banking thought, III: the struggle over the currency school 225
8. John Stuart Mill and the reimposition of Ricardian economics 275
9. Roots of Marxism: messianic communism 297
10. Marx's vision of communism 315
11. Alienation, unity, and the dialectic 347
12. The Marxian system, I: historical materialism and the class struggle 369
13. The Marxian system, II: the economics of capitalism and its inevitable demise 407
14. After Mill: Bastiat and the French laissez-faire tradition 439
Bibliographical essay 477
Index 507

quinta-feira, 12 de março de 2009

Austrian Scholars Conference 2009: Destaques de amanhã

• DANIEL COLEMAN (Catholic University of America) AND STEPHEN KROGH (Duquesne University)
The Private Production of Urban Planning

• WALTER BLOCK AND WILLIAM BARNETT (Loyola University New Orleans)
Time Deposits: Fraud and the ABCT

• WILLIAM ANDERSON (Frostburg State University)
Say’s Law and the Austrian Business Cycle Theory

Austrian Scholars Conference 2009 Live Forum

http://www.ustream.tv/channel/mises-media

Roberta Modugno (University of Roma TRE): Rothbard vs. The Philosophers

Mais de 100 assistentes via streaming e com Forum em tempo real. Real insteresting.



... antes de Adam Smith

A grande obra de história da economia de Murray N. Rothbard (para já o Vol. I), aqui (pdf).

"Economic Thought Before Adam Smith"
An Austrian Perspective on the History of Economic Thought Volume I

Introduction vii
Acknowledgements xv

1. The first philosopher-economists: the Greeks 1
2. The Christian Middle Ages 29
3. From Middle Ages to Renaissance 65
4. The late Spanish scholastics 97
5. Protestants and Catholics 135
6. Absolutist thought in Italy and France 177
7. Mercantilism: serving the absolute state 211
8. French mercantilist thought in the seventeenth century 233
9. The liberal reaction against mercantilism in seventeenth century France 253
10. Mercantilism and freedom in England from the Tudors to the Civil War 275
11. Mercantilism and freedom in England from the Civil War to 1750 307
12. The founding father of modern economics: Richard Cantillon 343
13. Physiocracy in mid-eighteenth century France 363
14. The brilliance of Turgot 383
15. The Scottish Enlightenment 415
16. The celebrated Adam Smith 433
17. The spread of the Smithian movement

quarta-feira, 11 de março de 2009

Austrian Scholars Conference 2009

Começa amanhã!

Programa completo (pdf) aqui. Ver em streaming aqui.



liberdades não constitucionais II: o direito de asilo nas Igrejas (Idade Média)

Wiki

"Many ancient peoples, including the Egyptians, the Greeks, and the Hebrews, recognized a religious "right of asylum," protecting criminals (or those accused of crime) from legal action to some extent. This principle was later adopted by the established Christian church, and various rules developed to qualify for protection and just how much protection it was.

According to the Council of Orleans in 511, in the presence of Clovis I, asylum was granted to anyone who took refuge in a church, in its dependences or in the house of a bishop. This protection was given to murderers, thieves or people accused of adultery. It also concerned the fugitive slave, who would however be handed back to his owner if this one swore on the Bible not to be cruel. This Christian right of asylum was confirmed by all following councils. (...)
(...)
Sometimes the criminal had to get to the church itself to be protected, and might have to ring a certain bell there, or hold a certain ring or door-knocker, or sit on a certain chair ("frith-stool"), and some of these items survive at various churches. In other places, there was an area around the church or abbey, sometimes extending as much as a mile and a half, and there would be stone "sanctuary crosses" marking the boundary of the area; some of those still exist as well. Thus it could become a race between the felon and medieval law officers to the nearest sanctuary boundary, and could make the serving of justice a difficult proposition.

Church sanctuaries were regulated by common law. An asylum seeker was to confess sins, surrender weapons, and be placed under the supervision of the head of the church or abbey where they had fled. They then had forty days to make one of two choices: surrender to secular authorities and stand trial for the alleged crimes, or confess their guilt and be sent into exile (abjure the realm), by the shortest route and never return without the king's permission. Anyone who did come back could be executed by the law and/or excommunicated by the Church.

If the suspect chose to confess their guilt and abjure, they would do so in a public ceremony, usually at the gate of the church grounds. They would surrender their possessions to the church, and any landed property to the crown. The coroner, a medieval official, would then choose a port city from which the fugitive should leave England (though the fugitive sometimes had this privilege). The fugitive would set out barefooted and bareheaded, carrying a wooden cross-staff as a symbol of protection under the church. Theoretically they would stay to the main highway, reach the port and take the first ship out of England. In practice, however, the fugitive could get a safe distance away, abandon the cross-staff and take off and start a new life. However, one can safely assume the friends and relatives of the victim knew of this ploy and would do everything in their power to make sure this did not happen; or indeed that the fugitive never reached their intended port of call, becoming a victim of vigilante justice under the pretense of a fugitive who wandered too far off the main highway while trying to "escape."

Knowing the grim options, some fugitives rejected both choices and opted for an escape from the asylum before the forty days were up. Others simply made no choice and did nothing. Since it was illegal for the victim's friends to break into an asylum, the church would deprive the fugitive of food and water until a decision was made."

terça-feira, 10 de março de 2009

Leitura recomendada

Constitucionalismo liberal (já referido aqui pelo Carlos Novais) e Constitucionalismo liberal (2). Por Rui Albuquerque.

Reconhecer a falência do Estado Social

Chefe de Estado pede atenção para questões de emergência social; Falência do Estado Social II; Falência do Estado Social IV; Falência do Estado Social V; Reparação de automóveis versus Estado Social. Por João Miranda.

liberdades não constitucionais

Vou inserir aqui os meus comentários a propósito do (primeiro) texto de Rui Albuquerque sobre constitucionalismo liberal:

* De certa forma contrapunha essa visão do Estado como monopólio, coisa que só adquire na sua faceta moderna, com um post meu antigo de 2005 citando Hespanha:
2005/11/13

História do Direito I, em a ” Cultura Jurídica Europeia - Síntese de um Milénio” 3ª edição, António Manuel Hespanha

“…conceitos como pessoa, liberdade, democracia, família, obrigação, contrato, propriedade, roubo, mocídio, são conhecidos como construções jurídicas desdes os inícios da história do direito europeu. Contudo, se avançarmos um pouco na sua interpretação, logo veremos que, por baixo da superfície da sua continuidade terminológicca, existem rupturas decisivas no seu significado semântico. (…)

Alguns exemplos desta falsa continuidade.

O conceito de família, embora use o mesmo suporte vocabular desde o direito romano (familia), abrangia, não apenas parantelas muito mais vastas, mas também não parentes (como os criados ou os escravos [famuli]) e até os bens da «casa».

O conceito de obrigações como «vínculo jurídico» aparece com o direito romano; mas era entendido num sentido metarialístico, como uma vinculação do corpo do devedor à dívida, o que explicava que, em caso de não cumprimento, as consequências caíssem sobre o corpo do devedor ou sobre a sua liberdade (prisão por dívidas).

O conceito de «liberdade» começou, na Grécia clássica, por designar a não escravidão (…) na Roma republicana designa a não dependência de outro privado (…) só muito mais tarde, incorpora a ideia…de liberdade de agir politicamente; ou mesmo, ainda mais tarde, de receber do Estado o apoio necessário (…)

A palavra «Estado» (status) era utilizada em relação aos detentores do poder (status rei romanae, status regni); mas não continha em si as características conceituais do Estado ( exclusivismo soberania plena extensos privilégios «de império» relativamente a particulares [jurisdição especial, irresponsabilidade civil, privilégio de execução prévia]) tal como nós o entendemos”

* Também Bruno Leoni, um jurista italiano fundador da Mont Pelerin (morreu tragicamente pelos 40) e cunhador da grande frase “Law is something to be discovered”, afirma claramente que o direito romano só é “romanistico” (para usar a expressão do post) no que respeita à administração pública, no civil não é verdade que seja algo que seja oponível ao “common law” como é costume fazê-lo em exagero.

Eu quase que arrisco a dizer que é com Napoleão que o direito na Europa continental se materializa como uma espécie de decreto legislativo. AO contrário do costume de convivência de variadas fontes de direito, algumas em oposição e tensão. O absurdo é que é na corrente “Liberal” e “democrática” da história que o Estado decreta o absolutismo dizendo “o Direito sou eu”.

Enfim, ilusões e paradoxos. Não se deve esperar demasiado duma constituição. A história da “evolução” da constituição nos EUA só nos pode deixar cépticos. Cépticos como um conservador (que vê pouco em grandes construções por um lado e que tem medo daquilo que tem poder para fazer o bem porque passa a ter o poder para fazer o mal - nomeadamente destruir a sua tranquilidade) tem de ser.

E complemento ainda com a segunda parte da citação de Hespanha;
2005/11/15

História do Direito IIe as liberdades antigas…da Idade Média.

“Contudo, a vinculação do passado ao imaginário contemporâneo pode levar a consequências ainda mais sérias. Possívelmente, a uma total incompreensão do direito histórico, sempre que a sua própria lógica for subvertida pelo olhar do historiador.

Por exemplo, isto acontece quando se lêm as cartas régias que, na Idade Média, protegiam a inviolabilidade do domicílio (enquanto expressão territorial do poder deméstico) como antecipações das modernas garantias constitucionais de protecção da privacidade individual.
Na verdade, o que então estava em jogo era a autonomia da esfera doméstica frente à esfera política da respublica, no âmbito de uma constituição política pluralista, em que os poderes periféricos competiam com o poder central.

[nota: o aqui está em causa é a verdadeira liberdade: a da soberania na ordem doméstica, da sua propriedade, como realidade que está fora da gestão pública]

Bem pelo contrário, nada estava mais fora de causa do que a ideia de proteger direitos individuais, os quais eram então completamente sacrificados no próprio seio da ordem doméstica.

[nota: já aqui tenho comentado que é ao Estado que o individualismo radical, do tipo, independente de qualquer autoridade da sociedade civil - famila, comunidade, religião, etc - deve tudo - incluindo a capacidade de não depender dessa sociedade civil porque o Estado tudo fornece e todos os direitos positivos garante]

Outra ilustração do mesmo erro seria uma leitura representativa (no sentido de hoje) das antigas instituições parlamentares (as «cortes» ibéricas ou os parlamentos franceses do Antigo Regime); embora se tratasse de assembleias que «representavam» o reino, a ideia de representação que aqui domina é, não a actualmente corrente na linguagem política, mas antes a corrente hoje no teatro - os actores tornam visíveis (apresentam públicamente) as personagens, mas não são seus delegados, seus mandatários, não exprimem a sua vontade(…)

[nota: acho esta visão simplesmente deliciosa, quem não acha, se pensar bem nisso, como utópica, ingénua e pouco prática, que na Assembleia estão representantes com mandato no sentido civil? Muito mais verdadeira e prática assumir que o papel da Assembleia é "representar" para tornar "visivel" o que a população é, se queixa, etc, permitindo ao poder assim tomar contacto com a comunidade]

em a ” Cultura Jurídica Europeia - Síntese de um Milénio” 3ª edição, António Manuel Hespanha

* De Bruno Leoni, disponível online (chamo a atenção para o terceiro texto):
http://mises.org/literature.aspx?action=author&Id=44

On A Recent Theory of “Legal Obligation”Libertarian Papers, Vol. 1 (2009), Article No. 16Bruno Leoni Libertarian Papers

Two Views of Liberty, Occidental and Oriental (?)Libertarian Papers, Vol. 1 (2009), Article No. 15Bruno Leoni Libertarian Papers

On Mathematical Thinking in EconomicsVol. 1 Num. 2Bruno Leoni Journal of Libertarian Studies

segunda-feira, 9 de março de 2009

Corrida aos Bancos e a "garantia" de 100% dos depósitos

'Run on UK' sees foreign investors pull $1 trillion out of the City": A silent $1 trillion "Run on Britain" by foreign investors was revealed yesterday in the latest statistical releases from the Bank of England. The external liabilities of banks operating in the UKthat is monies held in the UK on behalf of foreign investorsfell by $1 trillion (£700bn) between the spring and the end of 2008, representing a huge loss of funds and of confidence in the City of London."

Como o dinheiro sai, tem que entrar outro em substituição: as injecções de mais moeda por parte do Banco de Inglaterra. O que agrava o problema. E isto explicará parte da valorização do dólar nos últimos tempos.

Assim, a ajuda aos bancos caracteriza-se por ajudar os investidores mais sofisticados a tirarem o dinheiro em tranquilidade. Como no BPN, entra a Caixa Geral de Depósitos para os maiores depositantes poderem ter uma vida tranquila.

O outro problema, apontado por Jim Rogers mas previsível, é como o caso inicial do Nothern Rock prova, que ao ajudar um Banco, prejudica-se os bons (vá lá, menos maus...). Ao estender a garantia a 100% dos depósitos do Nothern Rock, em vez de o deixar liquidar com a garantia limitada estipulada na Lei, logo de imediato os bons Bancos viram os depósitos serem levantados para serem colocados no... Nothern Rock. Aqui em Portugal vê-se isso a favor da CGD (com uma garantia implícita). E depois passou-se o mesmo entre países. A (suposta) garantia de um país à totalidade dos Depósitos levou a transferências imediatas dos outros para si.

Claro que logo a seguir, a conclusão inevitável deste processo é... garantir todos os depósitos de todos os Bancos em todo o Mundo! Genial! Tem piada como não se vê a estupidez da possibilidade conceptual de alguma coisa ou alguém "garantir" toda a moeda em DO´s na economia. Essa garantia é apenas nominal e arriscamos um caos de hiper-inflação, mas no mínimo teremos o problema de como distinguir maus bancos a pagar altas taxas de juro dos outros. Se é tudo garantido...

PS: Na economia real, impedir a liquidação por exemplo da GM impede também outros concorrentes mais saudáveis possam sobreviver sem ajuda, em vez de poderem competir pelos recursos e quota de mercado dos concorrentes agora liquidados. E assim, os Estados vão ter de ajudar toda a economia real e todo o sistema financeiro.

domingo, 8 de março de 2009

A nation of sheep will beget a government of wolves

Ou aceita ou… Por Gabriel Silva.

Como cordeirinhos… Por Carlos M. Fernandes.

A solidariedade

Aqui existe um problema. Para o Carlos Santos, como para muita boa gente, a ajuda voluntária (via Igrejas, associações, etc) parece que nunca é admitida numa economia livre de intervencionismo. Para isso, era então necessário considerar a família como uma instituição natural que não existiria sem o Estado, dado que tem muito pouco de lucrativa. Pois o Estado (no sentido moderno) apareceu como poderá desaparecer mas a família continuará (por muito que aquele tudo faça para o subverter, como o faz o Estado Social).

Quantidade de moeda e preços

Aqui já não é aceitável:

"Na medida em que o preço dos combustíveis afecte a generalidade dos sectores, se a quantidade de petróleo disponível cair para metade amanhã, eu suspeito que a generalidade dos preços vai subir. A isso chama-se inflação. E a quantidade de moeda é a mesma."

Se a quantidade de moeda é a mesma (vamos imaginar padrão-ouro e sem qualquer expansão por produção de ouro porque não existia mais), e de repente por alguma razão a existência de um factor de produção como o petróleo desce para metade.... 

... o preço do petróleo vai subir... mas muitos outros descer. O efeito de inflação de uma parte dos preços induzida por uma variação de condições de produção reais (e não porque a quantidade de moeda está a subir) induz a deflação de preços noutros pontos (por exemplo, todos aqueles que vêm a sua procura diminuir). Claro que se actividade/produtividade económica diminuir, o rendimento diminui e os preços sobem. Mas na medida em que existirem ou passarem  existir substitutos para o petróleo e o nível geral de produtividade recuperar o nível anterior, isso significará que os preços do petróleo poderão estar mais alto (mas provavelmente mais baixos que os do imediato ao choque, dado que a sua procura foi em parte substituída) mas outros preços desceram.

Hayek, Friedman e os neoclássicos

O que o Carlos Santos diz aqui é bastante aceitável e transcrevo na totalidade  (irei comentar posteriormente):

"No caso do CN, o caminho para as conclusões que propõe vai por outro lado. Por uma relativamente marginal escola de pensamento económico: a escola austríaca. Entendida de forma algo estranho porque deixam o Schumpeter de fora e metem o Friedman. E dentro da escola austríaca a inspiração de pessoas como o CN está em gente como Mises,B. Bawerk e Menger,…. e no F. Hayek.

Eu tenho muitos problemas conceptuais em lidar com os argumentos austríacos, porque eles têm uma abordagem à economia que nem eu nem a grande maioria dos estudiosos pensa ser sequer científica. A base do pensamento deles é apriorística e baseada numa praxeologia. Isto é, definem um axioma: o homem tem necessidades, por exemplo. E o resto vem por dedução lógica. Se algum corolário não se coaduna com a realidade empírica, o problema é da realidade.

Quando afirmo que contrario os neoliberais com os seus argumentos estou geralmente a reportar-me a falácias neoclássicas que são o core do neoliberalismo. A sua vertente austríaca pode ser refutada empiricamente mas caímos num impasse: eles não aceitam que os dados refutem a teoria, e eu não compreendo uma ciência que não se sujeite à prova empírica. Volto a dizer, nem a maior parte dos economistas académicos no Mundo.
Muita da marginalização da escola austríaca resulta daí: das proposições deles ou não são verificáveis no modo como as formulam (e não são sujeitas ao critério da falsificabilidade) ou eles não aceitam a verificação estatística. Apesar de tudo os neoclássicos vivem melhor com o confronto com a realidade. E os monetaristas.

Há contudo um mérito que eu reconheço a um membro da esola Austriaca: o Hayek. Ele está infinitamente mais próximo do pensamento evolucionista e institucionalista do que a maioria dos outros. E, num aspecto que eles não reconhecem facilmente, o Hayek é a antítese do Milton Friedman. Porque em Hayek, o homem é livre de facto. E por isso o empresário é entendido como alguém que tira partido de oportunidades que observa e outros não. Eu entendo que seja neste sentido muito particular que o CN fale em o mercado existir por haver informação imperfeita. Tenho pena é que ele não compreenda que o habitual neoliberalismo de raiz neoclássica diz o contrário.
A concepção humanista do Hayek é contudo muito diferente da do Friedman que já vi louvado pelo próprio A. Alves. Para o Friedman os homens são autómatos puros. Porque reagem mecanicamente aos preços e equilibram instantaneamente os mercados. Isto como já expliquei longamente está a milhas de fazer sentido real. E por muito que eu discorde do Hayek em muita coisa, eu acho que eles serviam melhor a sua causa largando o Friedman, porque são concepções antropológicas distintas. Porque não o largam? Disseram-me em tempos que o Friedman era louvável por defender a ausência do estado na economia. E isto já é uma ideia em que os fins justificam os meios. Como lhes agrada a conclusão adoptam o autor. Mesmo que ele chegue lá negando tudo em que eles acreditam. Porque não é coerente defender o empresário do Hayek e o agente representativo do Friedman.
Mas em todo o caso, a concepção deles de mercado livre está mais próxima da ausência de qualquer papel do Estado do que a dos liberais clássicos. E negam a possibilidade de política económica. Uma subcorrente, em que pelos vistos o CN se inscreve, tem uma nostalgia enorme do padrão ouro. Nesse sentido, eu não tenho nada a ver com essa tribo."

O preço do ouro (expresso em ouro) e o "Lender of Last Resort"

Carlos Santos: "quando eu lhe explico que o preço do ouro pode variar você insiste que ele é fixo; nega que um banco central seja “lender of last resort” porque tem poder de emissão monetária; insiste que as reservas bancárias são um instrumento de controlo da massa monetária quando lhe expliquei que um exercício contabilístico elementar anula o seu efeito. "

Quanto ao ouro e o preço poder variar. Mais um mal entendido talvez mútuo. O que eu gosto de sugerir é imaginar as leis económicas (seja de que ponto de vista ou escola) numa economia com massa monetária fixa (o que por si pressupõe Mas é melhor realçar que existem reservas de 100% quanto aos depósitos à ordem). Com esta imagem, podemos entender que se a procura por moeda aumenta, os preços caiem se tudo o resto se mantiver constante.

O Carlos Santos ao afirmar que em economia não podemos assumir nada constante, tem toda a razão, mas isso não significa que não seja possível perceber as diferentes causas-efeitos independentes, sendo certo que os austríacos são os primeiros a realçar a incapacidade de reduzir ou deduzir leis universais a partir da observação, porque esta é não só demasiado complexa de caracterizar como mesmo sendo possível reunir todas as variáveis independentes e as relações entre elas só vai sair disso uma caracterização histórica.

Entretanto não leve a mal insistir que esta sua tirada sobre euros e ouro está vazia de significado (mas creio que derivado de um mal entendido):

"Imagine que circulam na economia apenas moedas de ouro. Têm um valor cunhado. Suponha que uma moeda de 5 euros em ouro vale de facto, em termos do seu peso, 5 euros em ouro. Suponha que o preço do ouro sobe (eg. um terramoto destruiu as minas principais). Um moeda com aquele peso passa de um minuto para o outro a valer 100 euros. Eu derreteria a moeda e venderia o ouro por 100 euros. Ganhava 95. Acha que era mau negócio?"

Eu suponho que queria dizer que imaginemos que a massa monetária diminui porque se perdem umas quantas e significativas moedas no mar (coisa que acontecia). Bem, os preços diminuíam em GRAMAS de ouro porque passava a existir menos ouro. 

Não tem é significado "Suponha que uma moeda de 5 euros em ouro vale de facto, em termos do seu peso, 5 euros em ouro" porque deixaria de existir valor em euros por si. Passava tudo a ser expresso em gramas de ouro de forma directa ou indirecta. No caso de um barco afundar, 5 euros continuavam a valer o mesmo peso em ouro (x gramas de ouro) porque isso estaria nominalmente expresso na nota, e se de facto a massa monetária descesse, os preços expressos em gramas de ouro desceria (ou cada nota de 5 Euros valendo os mesmos gramas em ouro veriam aumentado o seu poder de compra).

Bancos Centrais e Reservas: Na verdade, na fonte, o Banco Central pode aumentar a base monetário no que quiser, como o está a fazer agora. O nível de reservas obrigatórias deveria pelo menos determinar o quanto o crédito (e moeda) é expandido a  partir de um dado nível de novas reservas detidas pelos Bancos. O ponto levantado pelo Carlos Santos:

"pense numa reserva obrigatória de 5%. Por causa dos sustos, o banco decide ter reservas acima disso: digamos que tem 10%, no conjunto, em reservas. Se o Banco Central subir as reservas obrigatórias para 10%, o banco em causa só precisa de fazer um exercício contabilístico, e transferir um tipo de reservas para outro. A capacidade de concessão de crédito não sai alterada."

Refere-se creio eu, a que por exemplo com a desregulamentação nos EUA entre "checking accounts" e "saving accounts" (lá para 1983), a distinção entre Depósitos sujeito a reservas e não sujeita a reservas ficou difícil de distinguir.... o que terá levado o Alan Greenspan a afirmar "we do not really know now what is money"- o que em si encerra a anormalidade do presente sistema monetário.

Mas eu nem sequer tinha feito considerações sobre a eficácia das reservas ou não. Estou para além disso. Vamos lá ser claros. Para mim:

- Não deve existir nenhuma política monetária
- Os DO devem ter 100% de reservas por uma questão jurídica (depósito civil) e porque na minha tese "good money drives bad money away" (fazendo desaparecer aqueles emissores com notas e DO com reservas inferiores a 100%)
- Deve existir liberdade de emissão (o que conduziria ao uso do ouro e prata)

Vamos agora ao "Lender of last resort".

Mais uma vez, por definição, um "Lender" devia ser uma entidade que está na posse da guarda de um bem finito ou cuja existência passa por uma produção quem tem uma procura natural e voluntária - moeda commodity por exemplo -  e se propõe emprestar a outra entidade que dela precise.

Em padrão-ouro podemos imaginar que um conjunto de bancos formem voluntariamente uma "clearing-house" de modo a minimizar a quantidade de ouro envolvida em múltiplas liquidações com variadas contrapartes, passando estas liquidações a serem efectuadas por valores líquidos ("netting") num dado ciclo de liquidação (vamos dizer, um dia). Adicionalmente, por arranjo contratual-institucional no caso de uma falha de liquidação, essa clearing-house poderia emprestar uma dada quantia de ouro em dadas condições para impedir a falha geral  do seu sistema de "Netting" (por exemplo, cheques). Isto configura um "Lending of last resort", cuja dimensão está limitada a contratos e tendo como subjacente recursos finitos.

No caso dos presentes Bancos Centrais, começaram por proibir o uso do ouro, impuseram a moeda que fabricam e injectam como "política monetária", deixam o sistema bancário expandir o crédito por criação de moeda (via reservas de caixa), e depois injectam mais moeda quando os bancos ficam naturalmente em falência (materializada na falta de reservas para transferirem para outros bancos quando solicitados para isso). E isto não é conceptualmente um "Lender". Eu sei que serei só eu a levantar o ponto como ele vale por si próprio.

A guerra pelas definições

(Parte deste diálogo deve-se a mal entendidos sobre definições e termos, mas não só):

Carlos Santos: "3) Enfim isto é básico, mas quer meter a colher e nem isto sabe de economia: pagar um salário acima do valor da produtividade marginal não implica prejuízo. Se não sabe isto, leia qualquer coisa de micro elementar. A empresa que paga salários de eficiência, e portanto maiores que a produtividade marginal, pode perfeitamente ter lucro. O âmago do problema (conhecido pelo menos desde 80) é que contrata menos trabalhadores. Por isso a informação incompleta pode gerar desemprego."

Se definirmos como salários de equilíbrio ( miseseano) o valor a partir do qual nenhuma empresa tem lucros acima do normal (o que chamaria concorrentes) nem abaixo (uma e outra situação conduz inevitávelmente a reafectação de recursos  -  como nota adicional num equilíbrio onde a incerteza desaparece a taxa de lucros corresponde à taxa de juro (que existe dada a preferência temporal das pessoas por consumir ou realizar fins hoje em vez de uma data futura), o pagamento de salários acima do valor de produtividade que reduza os lucros abaixo do normal é assim por definição apenas temporário. Se é possível realizar o mesmo fim com um salário menor, ele terá lugar. E sendo assim, nenhum salário está acima do que deveria e poderá ser.

Carlos Santos "Notas finais: a teoria da agência não é “minha”; confundir procura de moeda com velocidade de circulação é de quem nunca leu um livro de macroeconomia sério; admitir o bimetalismo é nunca ter ouvido nada sobre a lei de Gresham (o que a má moeda faz à boa?), nem na analogia que dela fez uso o actual Presidente da República; quando eu lhe explico que o preço do ouro pode variar você insiste que ele é fixo; nega que um banco central seja “lender of last resort” porque tem poder de emissão monetária; insiste que as reservas bancárias são um instrumento de controlo da massa monetária quando lhe expliquei que um exercício contabilístico elementar anula o seu efeito. E no resto remete para a ortodoxia dos “austríacos que gosta”. Porque de gente como o Schumpeter você não quer nem ouvir falar."

Teoria da Agência. Todas as organizações têm de a ter em conta e os custos de o tentar minimizar fazem parte dos custos de produção. E não é mais do que isso. Saber que os problemas de agência só podem ser muito superiores quando nem sequer existem accionistas (os prejudicados com isso), é digamos algo de esperar.

"Velocity": A subida na procura de moeda materializa-se no aumento dos saldos monetários das pessoas o que o retira da circulação fazendo assim diminuir os preços... mas muito importante.. Breaking News.. não tem de afectar a taxa de juro que é uma manifestação de uma preferência temporal. O termo "Velocity" não tem qualquer existência independente dos termos onde o querem que assuma essa existência. Eu diria que o uso do termo "velocity" espelha tudo o que de mau uso os economistas fizeram da aplicação da matemática e estatística (e a mistura entre elas)  numa ciência que estuda a acção humana. Curioso é que a matemática sendo apriorística corresponde ao que os austríacos reivindicam quanto á economia: uma ciência apriorística sobre a acção humana - praxeologia, que deduz leis lógicas universais a partir da realidade da acção humana, e para o qual a matemática e/ou a estatística não são adequados como linguagem, sendo mais ferramentas de caracterização e fotografia de comportamentos históricos (isto para comentar uma nota posterior do Carlos Santos).


[Recomendo: Is Velocity Like Magic?, Mises Daily by Frank Shostak: (...) Contrary to mainstream economics, velocity does not have a "life of its own." It is not an independent entity--it is always value of transactions P(T) divided into money M, i.e., P(T/M). On this Rothbard wrote: "But it is absurd to dignify any quantity with a place in an equation unless it can be defined independently of the other terms in the equation." (Man, Economy, and State, p. 735)

Since V is P(T/M), it follows that the equation of exchange is reduced to M(PxT)/M = P(T), which is reduced to P(T) = P(T), and this is not a very interesting truism. It is like stating that $10=$10, and this tautology conveys no new knowledge of economic facts.]

Lei de Gresham: Estou a preparar-me para escrever um texto com o LAS para defender que em liberdade monetária a "Boa moeda afasta a má moeda". O que está de acordo com o significado da Lei de Gresham: com o intervencionismo na emissão de moeda (com fixação de valores e paridades e o que mais se lembraram já no passado), a sobrevalorização artificial da má moeda conduz a que as pessoas guardem a boa moeda em casa retirando-a de "circulação".

(continua)

Reasons to be cheerful, Part III

A questão da informação

"Caro CN, só não vende nada se as pessoas souberem que os preços são mais baixos noutro lado.

Ter ou não ter (ou procurá-la) mais ou menos informação é uma decisão individual que acarreta custos (nem que seja tempo). Por isso existem empreendedores que oferecem esse tipo de serviço requerido por quem o quiser assim estejam dispostos a pagar o acréscimo de custo na expectativa de melhorarem a escolha da sua acção.

Assim:

- existe quem venda serviços de informação
- existe que actue entre duas informações diferentes para seu próprio lucro: actividade de arbitragem

E esta actividade que equilibra informação incompleta está sujeita aos mesmos factores de investimento, custos  e rentabilidade normal - resultado das preferências dos seus clientes.

Como tal, as condições de diferente informação estão sempre a ser arbitradas de uma forma ou outra - quem ache que existem enormes vazios tem uma grande oportunidade para ser explorada.

A questão é que o postulado de "informação incompleta" não tem qualquer consequência que não a descoberta de oportunidades empreendedoras nesse campo, retornando a tendência para um equilíbrio de longo prazo.

No mercado de trabalho é a mesma coisa: o nível geral de salários pode equilibrar o mercado de trabalho para atingir o pleno emprego assim não se ergam barreiras nesse sentido (como o salário mínimo).

(continua)

sábado, 7 de março de 2009

Projectos

Eu e o Luís Aguiar Santos (espero que ele não se importe de o referir aqui) falamos brevemente sobre a possibilidade de escrever um texto que eu classificaria de notas avançadas sobre teoria e história monetária ("avançado" mas não complexo para não economistas) pegando em notas de ambos assim como contribuições e pontos contra entretanto recebidas em discussões sobre o tema (por exemplo do Miguel Madeira, e se calhar de algumas trocas de opinião como o Pedro Arroja). Assim, acho que uma secção pode ser a menção e tentativa de refutação de todo o tipo de argumentos.

Além disso, outras contribuições se podem juntar aqui, para quem quiser ou puder enviar referências ou argumentos. Uma das coisas boas do apriorismo é que um argumento vale por si próprio, tanto faz ser um académico como um não economista, o peso é o mesmo. O argumento é que vale.  O peso de quem o faz é como que irrelevante. As referências externas são pouco relevante, e os estudos empíricos quanto muito um complemento, poupando-se assim muito nevoeiro ao essencial que é procurar leis universais independentes do tempo, ideologia, tecnologia.

Acho que se poderia chamar "Padrão ouro ou a nacionalização da economia: a escolha" ou coisa do género.

1. Argumentar que num regime de liberdade monetária , não só o ouro e prata emergem como moedas (da mesma forma que para desaparecerem foi necessária a nacionalização e proibição pela força do seu uso) como tendencialmente os emitentes de notas e recebedores de depósitos oferecem um sistema de 100% de reserva dado que o "good money will drive out bad money" (precisamente o inverso do conhecido postulado que se aplica como sabemos, a situações onde o Estado fixa valores arbitrários para várias moedas (ouro e prata por exemplo, ou ouro puro versus moedas com ouro menos puro), fazendo desaparecer a "boa moeda" - aquela vista com a mais valiosa em termos relativos).

Espero se calhar complementar com um argumento rothbardiano (tenho que falar com o LAS sobre este ponto) com o sabor de inevitabilidade histórica algo pessimista, e que na verdade não é de futurologia - é na realidade observável na história dos bancos e do Estado Moderno.

2. Que no momento em que um Estado no sentido Moderno  se estabelece, é relativamente previsível que acabe a nacionalizar o sistema monetário, o que satisfaz a sua necessidade de incorrer em deficits permanentes financiando-se assim em parte por inflacionismo mas também a vontade do sistema bancário em poder (e o poder de) dar crédito sem ter que captar poupança, o que torna os ciclos económicos inevitáveis conduzindo a novas medidas de estatismo para pretender resolver os problemas que criou em primeiro lugar (nacionalização da banca?...)

Mas o que será mais inevitável no longo prazo? O primeiro ou o segundo?

PS: Quem quiser colocar os seus pensamentos, simples perguntas, comentários, ou o que gostaria de ver abordado, ou o que poderia ser abordado, que o faça nos comentários.  Diga-se que escrevi isto para me convencer a mim a ao LAS a começar (mesmo que possa demorar a acabar). 

Pelo caminho estou a (tentar) traduzir um texto pequeno "The Misesian Case against Keynes" de Hans-Hermann HoppeUniversity of Nevada at Las VegasThe Ludwig von Mises Institute - que me parece um bom resumo para interessados e candidatos a "austríacos" (digamos assim). Mas notar que o livro de Henry Hazlitt já mencionado neste blog deve ser a grande referência na refutação pormenorizada de Keynes e esse é que devia ser traduzido.

A crendice mística no inflacionismo

Bom...estando em Londres depois de duas noites de jantares e copos com traders de energia e agora a ver e ouvir Artic Monkeys at Apollo na TV vejo-me perante a necessidade de discorrer com Carlos Santos sobre a estranha noção de que ... a modos que .... informação é incompleta (o que é uma falha completa dos pobres dos seres humanos...não serem Deuses)... mas felizmente está cá o Estado para a tornar mais completa.

Exemplo dado:

"Se as pessoas que procuram emprego não conhecerem todas as vagas e vice versa, como se pode garantir que o salário que se gera é de equilíbrio? "

Aí está, o pessoal não consegue ler todas as ofertas de emprego ... e para isso está cá o... Estado. Para a tornar completa. Assim tipo, como o pessoal vai a um supermercado comprar ovos mas não tem disponível toda a informação sobre as condições de preço de vendas de ovos no planeta terra and beyond ... o mercado não pode funcionar verdadeiramente porque a informação é incompleta ... mas está cá o Carlos Santos para recomendar cobrar impostos que não queremos pagar para nos ser fornecida uma lista de preços de ovos em tempo real naquele exacto momento em todo o mundo .... para finalmente sim, existirem condições de, vá lá, algum "equilíbrio" decente.

Vamos agora "Para conseguir que um dado número de trabalhadores não seja….tentado pelo risco moral, isto é, não façam menos do que a empresa espera que eles façam, vai-se pagar a esses trabalhadores um salário superior ao valor da sua produtividade marginal. "

Existe aqui um engano por definição: se uma empresa paga acima da produtividade marginal do trabalhador por definição essa empresa ou tem prejuízo ou está prestes a desaparecer dada a concorrência com empresas que se limitam a pagar a produtividade marginal, diminuindo custos e preços.

Continuemos:

"Agora o que eu o desafiava, a bem da honestidade intelectual do debate, a fazer era referenciar em que estudos publicados se baseia para afirmar que: o problema de incentivos é sempre maior na política do que nas grandes empresas. Isto é o seu ponto (3) e corresponde a uma profissão de fé."

De forma honesta, achar-se-á mesmo que um estudo empírico é necessário para provar tal coisa? (pondo de lado de como seria possível fazer tal coisa). Se existe problema de agência entre accionistas e gestores, sendo os accionistas agentes que investem capital de livre vontade e a todo o momento podem desinvestir vendendo as suas posições o que dizer da ... Política constituída por promessas pagas por impostos presente e futuros e claro inflacionismo.

Enfim, o empirismo tem destes problemas, as pessoas recusam-se simplesmente a pensar dedutivamente por mais simples que seja a lógica em causa.

E daí passamos para a crendice misticista no inflacionismo.

Carlos Santos quer abordar o problema das bolhas que rebentam seguidas de crises bancárias como prova da sua teoria da agência...e ... tem razão... para me dar razão.

O sistema monetário actual (que foi implementado pela força depois de roubarem o ouro da população e o terem proibido como meio de troca legal  - pergunta-se a esta tribo de adoradores de pedaços de papel - se a superioridade desses pedaços de papel hoje usado é assim tão superior ... porquê usar métodos violentos para acabar com a concorrência?) é baseado no simples facto que o crescimento de crédito tem lugar pela pura criação de moeda em vez de captação de poupança.

O Carlos Santos convirá que não é preciso um estudo empírico para provar que a poupança precede o investimento, e que se o crédito é agora concedido pelo sistema bancário sem que tenha de convencer um aforrador a mobilizar essa poupança para ser possível o crédito, a taxa de juro será menor do que a que seria assim tivesse o banco que intermediar essa transferência, em vez de... simplesmente por movimento contabilístico creditar do nada a conta DO do credor.

Estas afirmações são de pura lógica da realidade - criando moeda para conceder crédito o sistema bancário não tem de competir pela poupança existente para conceder esse novo crédito, daí a taxa de juro ser marginalmente mais baixa do que seria, assim o natural acontecesse: para dar crédito é preciso alguém poupar e ser convencida a transferir a sua poupança para uma operação de crédito.

Sendo a taxa de juro mais baixa do que seria, o investimento parece agora rentável quando não o seria. Além disso, o investidor consegue agora uma nova quantidade de dinheiro que entra agora na economia ainda antes desta de adaptar com os preços em alta. Existe assim uma redistribuição de rendimento a seu favor dado poder usar o dinheiro com um poder de compra ainda preservado, mas sendo certo que os prejudicados serão os últimos agentes a quem essa nova quantidade de dinheiro chegar.

E assim se formam as bolhas. Nova moeda a taxa de juro artificialmente baixa compra isto e aquilo (como casas) e cujo preço vai subindo por novas quantidades de dinheiro (sem que poupança se tenha formado para esse efeito) formando-se uma bolha que arrebenta quando a economia percebe que não existe a poupança prévia implícita em todo o investimento efectuado. E com isso as crises bancárias dado que o valor do activo colapsa (os créditos concedidos) mas a moeda criada sobre a forma de depósitos (criados) não, tornando os bancos na vertigem de colapsarem ao primeiro pedido de transferência ou levantamento mais elevado - dado que os Banco só têm de ter 3% a 5% da totalidade dos depósitos. Todas as crises económicas e bancárias sem razão aparente tem a mesma origem - ela foi caracterizada há muito tempo por Mises (1913) e desenvolvida  por Hayek, Rothbard e outros "austríacos".

(o Carlos Santos deve partir do princípio que a Escola Austríaca e a de Chicago são opostas - quando não declaradamente hostis - em muitos pontos - especialmente na teoria monetária e crédito, de capital e juro).

E deviam colapsar. Assim como os tomadores de crédito. Culpa da crença misticista no crédito sem poupança.

Sugiro sempre aos da tribo de adoradores de pedaços de papel fabricáveis a custo zero, o exercício de pensar que a quantidade de moeda é fixa e que os depósitos são cobertos por 100% de reservas. Nenhum crédito é concedido que não seja pela existência de uma contra parte de poupança.

Vamos agora falar da quantidade de moeda e dos preços. Mais moeda significa preços maiores do que o seriam nas mesmas exactas condições mas sem incremento nessa quantidade de moeda (os preços podem até subir como podem descer ou manter-se em termos nominais, mas para isso suceder terão de acontecer alterações na procura de moeda, o que é outra expressão, bem mais exacta e real que o conceito de "Velocity", como se a moeda tivesse velocidade... na verdade a cada momento toda a moeda está no bolso de alguém).

Agora quanto a Bancos Centrais como "lenders of last resourt". Ilusões de óptica. Se os Bancos Centrais criam moeda, isso não pode ser considerado "lending of last resort" mas sim "pure fabrication of last resort". Parece pouco mas não é. Os Bancos Centrais existem apenas por decreto.

Vamos agora a um ponto importante: "A fixação com o ouro fascina-me, mas já lá vou. Só pergunto isto. Imagine que circulam na economia apenas moedas de ouro. Têm um valor cunhado. Suponha que uma moeda de 5 euros em ouro vale de facto, em termos do seu peso, 5 euros em ouro."

Se na economia circula apena moedas de ouro (pode incluir prata) significa que a expressão "uma moeda vale 5 euros em ouro" deixa de ter sentido.

Uma moeda de um euro pode convencionar-se ser constituída por 1 grama de ouro. Assim, a moeda de um euro é exactamente um moeda de ouro pesando 1 grama. Como já disse, podemos até imaginar que a quantidade de ouro é fixa na economia, o que faria com que todo o crescimento se traduzisse em descidas de preços nominais, custos e até salários. Reduzindo-se os preços mais que os salários, aumentaria o poder de compra dos salários.

Quanto à "livre emissão de moeda"...sim claro, mas essa liberdade em concorrência faria voltar o ouro e a prata como moedas por serem os metais cuja estabilidade da quantidade total é a mais elevada que qualquer outro elemento conhecido.