segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A realidade

Pedro Arroja escreveu uma história para explicar o negócio bancário e a razão porque vai à falência e esqueceu-se do ponto crucial, a razão porque existem ciclos económicos, porque se formam bolhas de crescimento económico seguidas de recessão e liquidação de negócios e activos:

O facto do Banco emprestar o dinheiro depositado à ordem, em si é grave (e em última análise um problema de direito) mas não é o pior.

O pior é que o Banqueiro para conceder crédito limita-se apenas a fabricar um recibo falso e empresta-o.

Usando o paradigma da banca no tempo em que a moeda era o ouro, sendo este depositado nos bancos contra a entrega de uma nota (recibo de depósito)...

... o banqueiro não se limitava a emprestar o ouro depositado, mas simplesmente fabricava (tal como hoje no actual sistema monetário) notas (recibos) sem para o qual tivesse qualquer ouro depositado para conceder crédito, sendo tratado pela economia como se de ouro real tratasse.

Como se vê, esta nota (recibo de depósito) pode ser considerada falsa e os banqueiros falsificadores.

O efeito económico desta prática sempre foi extremamente preverso e as bolhas e consequentes falências bancárias ao longos dos séculos são conhecidas. A razão pela qual, no entanto, eram acontecimentos localizados era que quando a percepção pelos depositantes era a de que existia muito menos ouro que os recibos produzidos, estabelecia-se uma corrida aos levantamento de ouro, provocando com toda a propriedade a falência da casa bancária, facto que disciplinava pelo medo, as restantes casas bancárias que restringiam esta prática. Mas estando ali disponível era recorrente.

Um ponto importante aqui é que desde cedo, o Estado (na altura o Soberano) incentivava esta prática para financiar os seus deficits. Daí nunca se ter preocupado com a questão da emissão de "recibos falsos".

Esta é uma da razões de resto, para que o negócio bancário tenha estado sempre envolto numa certa áurea de segredismo. Para manter a confiança na casa bancária e ao mesmo tempo auferir do tremento lucro auferido pela simples criação monetária a custo zero cobrando no entanto juros pelo empréstimo concedido, é preciso evitar que se fale muito sobre o assunto. O que é mesmo preciso evitar é algum parvinho que venha apontar o facto de que a totalidade de recibos de depósito é muito maior do que a coisa depositada. Porque isso pode despoletar uma ... corrida de levantamento dos depósitos (obrigando o banco a devolver o ouro depositado).

Passando agora para o significado económico do processo descrito, o investimento realizado com esse crédito por criação de recibos falsos não teve lugar porque um dado conjunto de poupança (moedas de ouro poupadas e emprestadas ao banco para que este realize a sua função de intermediação concedendo crédito a terceiros) foi mobilizado algures na economia.

A repetição desta prática provoca uma expansão do investimento que ilude a economia durante um certo tempo. Baseia-se numa ilusão mas enquanto dura, induz todos os agentes num erro económico de avaliação.

Isso acaba por pagar-se mais tarde ou mais cedo e esse sobre-investimento tem de ser liquidado para restabelecer o equilibrio quebrado.

Reparar que a causa das forças de contração monetária como consequência da falência bancária vem do facto do banqueiro ter inflacionado as notas (recibos falsos de ouro que não existe depositado).

Podemos visualizar o mesmo efeito através da taxa de juro.

Se o crédito é concedido sem captação de poupança, a taxa de juro é mais baixa do que seria se tivesse de competir por essa poupança.

Ora isso encoraja não só mais investimento (mais projectos parecem ser rentáveis) ao mesmo tempo que incentiva o consumo (dado que desincentiva a poupança).

As falências bancárias são a pressão para a quantidade de moeda baixar, resultado da necessidade de liquidar os investimentos e fazer desaparecer a moeda criada para o efeito.


O ciclo de expansão é a doença, a recessão e deflação a cura. Além disso, compreende-se que para os Bancos seja confortável poder emprestar dinheiro sem ter de o captar uma vez que é só criá-lo sem (ou quase) custo.

Notar que existem beneficiados claros: os que em primeiro lugar recebem as novas quantidades de moeda, podem gastá-lo na economia sem que esta se tenha adaptado via subida de preços nominais, os prejudicados são todos aqueles que em média recebem em último lugar essa nova moeda, em geral o sector primário como os agricultores, que quando o recebem já os preços ajustaram em subida.

A realidade é dura mas até simples de compreender.

No sistema monetário actual que só existe depois da nacionalização (roubo) forçado do ouro detido pela população e proibido o seu uso como moeda e impondo umas notas e moedas sem qualquer valor e que podem ser fabricadas sem qualquer custo, a expansão monetária é induzida pelos Bancos Centrais (local onde ficou depositado o ouro nacionalizado) sempre que injectam moeda (reservas) nos Bancos.

A origem da actual crise são os Bancos Centrais e é extremamente irónico que apareçam como salvadores do sistema.

domingo, 21 de setembro de 2008

A CRISE FINANCEIRA E O PRAGMATISMO

João Miranda no DN:

Os mercados não se dão bem com políticos pragmáticos. O bom funcionamento dos mercados depende de princípios abstractos: respeito pela propriedade privada e pelos contratos, integridade da moeda, responsabilidade individual e liberdade contratual. A pior lição que se pode tirar de uma crise é que os princípios são dispensáveis, mas essa é precisamente a lição que os pragmáticos retiram das crises. As soluções propostas pelos pragmáticos tendem a desrespeitar os princípios fundamentais dos mercados financeiros. Por exemplo, a injecção de capital nos mercados mina a integridade da moeda e a nacionalização de empresas falidas transfere responsabilidades individuais para o público em geral. O pragmatismo causa problemas estruturais e torna os mercados financeiros mais propensos a grandes crises. A injecção de dinheiro fácil nos mercados estimula o risco e cria bolhas especulativas. A nacionalização de empresas falidas desresponsabiliza os gestores, credores e accionistas e desincentiva a compartimentação do risco.

(...)

As soluções que os pragmáticos costumam propor em cada crise aparentam ter grandes vantagens de curto prazo. Ninguém vai à falência, ninguém vai para o desemprego. Por algum tempo torna-se possível ignorar a realidade. Mas, a longo prazo, essas soluções contribuem para prolongar e agravar as crises. Existe uma boa razão para que os princípios devam ser sempre respeitados: o respeito permanente por princípios minimiza os efeitos nefastos criados pelo senso comum, pelos interesses de curto prazo e pela arbitrariedade humana.

sábado, 20 de setembro de 2008

Ciclos Económicos: Hayek

A grande falácia das (fracas) tentativas explicações correntes sobre mais esta "bolha que rebenta" (introduzindo a inevitável pressão deflacionária soba forma de Instituições Financeiras perto da falência) é a não explicação para que a generalidade dos agentes tenham avaliado mal o ciclo de expansão vivido anterior. Como é que toda a economia e os seus agentes (digamos assim) avalia mal as operações de crédito, as probabilidades de default, a evolução possível dos preços do imobiliário? Como já antes o fez com as avaliações das internet stocks ou no início do século com as bolhas das empresas de caminhos de ferro e outras conhecidas na história, sendo a mais dramática a que resultou na Grande Depressão, tornado possível pela criação do FED em 1913 que pela primeira vez na história passou a permitir uma expansão geral do crédito/moeda de uma grande economia resultando numa bolha geral que tem necessáriamente de rebentar.

As bolhas têm de começar a ser vistas como a doença e a recessão a cura. O problema é que o intevencionismo económico tende a prolongar desnecessáriamente a recessão, um período onde a relação entre investimento e poupança está a reequilibrar-se. Exemplo disso é a frequência de comentários sobre como é preciso incentivar o consumo, na verdade, a forma mais rápida de ajustamente é mesmo aumentar a poupança para tentar suster o processo de liquidação que se dá sempre com muito maior intensidade nos sectores de produção de bens de capital. Mas o contrário é o advogado, ou seja, a própria origem do fenómeno: um período de incentivo artificial ao investimento e consumo permitido pela ilusão da expansão monetária, o que desequilibra a relação entre a poupança real e o investimento que está a ser realizado.

[Nota pessoal 1: Grande porque Roosevelt a fez Grande com as suas políticas que subverteram a capacidade da economia se ajustar mais rapidamente, como congelar os salários e os preços quando a massa monetária estava a contrair-se e os preços tinham de cair - numa altura de crise e até fome eram habituais a destruição de produção agrícola para suster os preços, foram introduzidas associações proto-fascistas de cartelização para fixar quotas de produção e impedir a concorrência... enfim, mas os mitos do New Deal perduram até hoje ... mas à memória de Roosevelt tudo é permitido, até ter entregue a vitória total da "WWII" ao seu aliado Estaline... nada o chamusca...dado que fazia grandes discursos...suponho que o fenómeno de - ainda - alguma popularidade de Fidel Castro em Cuba devia ser melhor compreendido a esta luz... quem é brilhante nos discursos tudo obscurece...faz parte da natureza humana).]

Atribuir isso a questões técnicas-operacionais como o rating, ânsia pelo lucro, a inovação financeira, a "economia de casino", são explicações que obscurecem o principal culpado: a atribuição de crédito por criação monetária que induz a um ciclo de expansão não sustentado em poupança real e voluntária. Não só a baixa artifical da taxa de juro parece rentabilizar projectos, como faz subir os preços dos sectores que melhor aproveitam a expansão monetária, criando um ilusão de saúde e aumento de produtividade geral na economia.

Culpado? Os Bancos Centrais e o próprio Sistema Monetário, a que podemos classificar de Socialismo Monetário que tem lugar para o Estado financiar os seus déficits quer para facilitar a ilusão que de outra forma existiria pouco crédito/moeda para induzir a expansão económica desejada por todos. Os Bancos limitam-se a concorrer usando a facilidade concedida por legislação que permite multiplicar por mais de 20 (via concessão de crédito por simples crédito na conta de depósitos à ordem de nova moeda) todas as reservas injectadas (moeda criada) pelos Bancos Centrais.

Talvez não seja demais realçar que a corrente descrição nas aulas de economia de que os Bancos são obrigados a ter 2%-5% dos depósitos (o que significa que qualquer corrida aos depósitos acima desse valor deixa os restantes depositantes com um Banco falido à sua frente) em reservas no Banco Central na verdade opera ao contrário:

1- Os BCs criam primeiro novas reservas (nova moeda nas contas dos Bancos junto de si).

2- Em seguida é que os Bancos criam novos depósitos (ao conceder crédito) multiplicando esse valor (digamos de forma aproximada, por cerca de 20 vezes).

A nova moeda entra na economia pelos sectores de investimento a longo prazo, criando uma expansão nestes sectores, o que acaba com recorrência nas bolhas do mercado de acções, nos sectores de bens de equipamento, no imobiliário. Ao mesmo tempo, como a taxa de juro é mais baixa do que o seria naturalmente, a poupança é desencorajada.

[Nota pessoal 2: Parece bem simples de perceber este mecanismo de produção de erro, o qual se enquadra no bom apriorismo da Escola Austriaca onde as verdades económicas no sentido de "leis" são-no na medida em que o apriorismo as consegue provar. O empiricismo nada prova a não ser fotografias-estatísticas do resultado complexo da acção com livre arbitrio do ser humano, cuja complexidade não produz constantes nem equações manipuláveis como se de Física se tratasse.]

[Nota pessoal 3: Onde é que isto começou? Quando o Estado nacionalizou o ouro da população, declarando unilateralmente nulo o contrato civil de depósito (que de resto, por deficiência da ciência jurídica, já era subvertido pelos Bancos para seu próprio interesse, passando até a ser aceite como "legal", mas cuja probabilidade de corrida ao levantamento do ouro, continha essa prática já que aqueles que exageravam na criação de notas/depósitos sem que de facto tivessem o ouro subjacente, ficavam sujeitos à falência. E assim acontecia.).]

Ilusões alimentadas por quase todas as escolas económicas com excepção da Escola Austriaca.

Da introdução de Salerno deixo aqui o que me parece mais relevante.

PRICES AND PRODUCTION AND OTHERWORKS:
F.A.HAYEK ON MONEY, THE BUSINESS CYCLE, AND THE GOLD STANDARD (pdf)


Edited with an Introduction by Joseph T. Salerno:

"(...) In brief Hayek contends that an artificial manipulation by government of the interest rate creates a subsidy of credit that causes entrepreneurs to bring forth projects that were hitherto marginal. In reality, the consumers do not want the goods of these projects, so there is a misallocation (malinvestment) of resources. A careful reading of these early Hayek essays pre-empts the modern debate over rational expectations and shows that the cluster of errors can be avoided by his steadfast commitment to methodological individualism.

(...)
This presents a temptation for theorists to overemphasize interest rate changes, despite the fact that they only affect the risk of highly leveraged firms. In many cases the volume of credit, raw money creation by the Central Bank, seems a more realistic variable than the rate of interest."

(...)In this article he proceeded to demolish Knight’s claim that capital, once accumulated, was a permanent fund that perpetually and automatically reproduced itself without regard to human purposes and the prevailing conditions of scarcity. Hayek trenchantly characterized Knight’s notion of capital as “a pseudo-concept devoid of content and meaning, which threatens to shroud the whole problem in a mist of words.”

“The Paradox of Saving,” which was for Hayek “the beginning of a continuous development of thought” that shaped his research agenda throughout the 1930s, was a critique of the underconsumptionist approach to depression."


Monetary Theory and the Trade Cycle (1933) . . . . . . . . . . . . 1
Preface by F.A. Hayek . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
1.The Problem of the Trade Cycle . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
2.Non-Monetary Theories of the Trade Cycle . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
3. Monetary Theories of the Trade Cycle . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
4.The Fundamental Cause of Cyclical Fluctuations . . . . . . . . . . . . . . 73
5. Unsettled Problems of Trade Cycle Theory . . . . . . . . . . . . . . . . . . 105
The “Paradox” of Saving (1929, 1931) . . . . . . . . . . . . . . . . . 131
Prices and Production (1931, 1935) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 189
Preface to the Second Edition . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 191
Lecture 1: Theories of the Influence of Money on Prices . . . . . . . . . 197
Lecture 2: The Conditions of Equilibrium between the Production
of Consumers’ Goods and the Production of Producers’ Goods . . . 223
Lecture 3: The Working of the Price Mechanism in the Course
of the Credit Cycle . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 253
Appendix to Lecture 3: A Note on the History of the Doctrines
Developed in the Preceding Lecture . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 277
Lecture 4: The Case For and Against an “Elastic” Currency . . . . . . . 283
Appendix to Lecture 4: Some Supplementary Remarks on
“Neutral Money” . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 301
Capital and Industrial Fluctuations: A Reply to a Criticism . . . . . . . 305
v
vi Prices and Production and Other Works
Monetary Nationalism and International Stability (1937) . . 331
Preface . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 333
Lecture 1: National Monetary Systems . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 337
Lecture 2: The Function and Mechanism of International Flows
of Money . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 351
Lecture 3: Independent Currencies . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 367
Lecture 4: International Capital Movements . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 385
Lecture 5: The Problems of a Really International Standard . . . . . . . 403
Reflections on the Pure Theory of Money of
Mr. J.M. Keynes (1931, 1932) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 423
The Mythology of Capital (1936) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 487
I. Professor Knight’s Argument . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 489
II.On Some Current Misconceptions . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 495
III. Professor Knight’s Criticism Based on a Misunderstanding . . . . 501
IV. His Own Position Prevents Him from Giving Any
Explanation of How the Limitation of Capital Restricts
the Increase of Output . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 505
V. An Erroneous Assertion Following from His Fundamental
Position: The Value of Capital Goods When Interest
Disappears . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 514
VI. Problems of Capital and “Perfect Foresight” . . . . . . . . . . . . . . . . 517
Investment That Raises the Demand for Capital (1937) . . . 521
The Relative Significance of the Amount of Investment and
of the Form That It Takes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 524
“Completing Investments” and the Rate of Interest . . . . . . . . . . . . . . 526
Causes of an Urgent Demand for Funds for Completing
Investments . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 528

Sobre o Liberalismo radical (segundo Pedro Arroja)

A única realidade que eu conheço como verdadeiramente radical é a presunção que será o Estado a salvar o Homem, apesar de ser a partir de dele que existe o assassinio (guerras) em massa ou o roubo (por exemplo: a nacionalização do ouro) em massa.

Em si, este pensamento de salvação através da Vontade Geral é uma Blasfémia para o bom pensamento cristão e uma ameaça à própria ICAR.

Mises, Hayek e Rothbard no que respeita aos ciclos económicos partilham da mesma razão: O seu pior efeito é conseguir com que até liberais que deviam saber melhor, a culpar os gentes que apenas respondem às interferências do socialismo monetário.

A única explicação que encontro, é outra blasfémia: uma certa e imperceptível religião civil que coloca a acção do Estado acima da Moral e do Direito (daí ser capaz de assassínio e roubo em massa sem que nada o atinja, não admira que todos queiram o poder político - ter poder político é poder estar acima da Moral e Direito).

No caso das crises financeiras, recorrentes ao longo dos séculos, mas cujos efeitos são cada vez menos localizados e mais globalizados e simultâneos, só existe um culpado: As elites políticas e económicas que se acham no direito de interferir na liberdade monetária.

Os Escolásticos já o diziam, que o Príncipe cometia uma forma de roubo ao interferir e inflacionar a moeda.Continua assim. Se esta crise passar, o problema vai ser apenas atirado para a frente mas com aidna mais potencial violência.

Estou convencido que será uma questão de tempo até ter lugar o total colapso monetário e financeiro.

Não será agora, mas a cada crise a solução é sempre a mesma, apadrinham fusões e aumentam o problema do "too big to bail".Um dia será assim, "too big to bail", nem todas as Xerox nos Bancos Centrais conseguirão parar um Bank Run simultâneo e global.

A culpa intelectual dos liberais é maior do que a dos não liberais.

Mais déficit e inflação

Paulson Faces Demands From Democrats as He Sells $800 Billion Bank Rescue

Regulamentação

Se acham mesmo que é necessário regular mais, estranho muito que:

1. não proponham no mínimo subir as reservas obrigatórias dos Bancos (o natural seria 100% sobre os depósitos à ordem, e não seria uma "regulação" ... seria assim como que repôr a legalidade) - estranha-se que tal nem sequer tenha sido mencionado após as falências bancárias de Bancos com depósitos em Inglaterra e nos EUA.

2. Quanto aos Bancos de Investimento, embora seja contra tal regulação, estranho que os seus defensores não proponham o controle do mismatch entre o seu activo e passivo, ou seja, o facto de concederem crédito a longo prazo (como o crédito à habitação) e financiarem-se a muito curto prazo, torna-os dependentes da boa vontade de renovação desses financiamentos de curto prazo.

Mas já há muito tempo que se considera natural financiar a longo prazo financiando-se a curto prazo. Depois se estes últimos se recusam a renovar o financiamento ... vêm culpar os "novos intrumentos financeiros".

The Fall of



"Ron Paul reminds me a senator who could save Rome but almost no one listened to him"

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

ETF Gold

Negociado como uma acção, bateu hoje o recorde de volume negociado, subindo 10% num dia, com 67M títulos negociados para uma média de 3 meses de 14M.

Ticker GLD.

Another day, another bailout

Mais 85 biliões Usd criados via "Xerox" para comprar 80% da AIG.

PS: Ron Paul, o Profeta (via LRC)

Artigo de Ron Paul sobre Fannie and Freddie há 5 anos atrás:

Ron Paul in the House Financial Services Committee, September 10, 2003

(...) This explicit promise by the Treasury to bail out GSEs in times of economic difficulty helps the GSEs attract investors who are willing to settle for lower yields than they would demand in the absence of the subsidy. Thus, the line of credit distorts the allocation of capital. More importantly, the line of credit is a promise on behalf of the government to engage in a huge unconstitutional and immoral income transfer from working Americans to holders of GSE debt.(...)

Ironically, by transferring the risk of a widespread mortgage default, the government increases the likelihood of a painful crash in the housing market. This is because the special privileges granted to Fannie and Freddie have distorted the housing market by allowing them to attract capital they could not attract under pure market conditions. As a result, capital is diverted from its most productive use into housing. This reduces the efficacy of the entire market and thus reduces the standard of living of all Americans.

(...) Perhaps the Federal Reserve can stave off the day of reckoning by purchasing GSE debt and pumping liquidity into the housing market, but this cannot hold off the inevitable drop in the housing market forever. In fact, postponing the necessary, but painful market corrections will only deepen the inevitable fall. The more people invested in the market, the greater the effects across the economy when the bubble bursts."

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O pior dos ciclos económicos

... é tornar as pessoas (ainda mais) desconfiadas do capitalismo, quando o processo de liquidação e recessão é apenas a correcção do socialismo monetário.

"Austrian Economics" precisa-se.

The Austrian Theory of the Trade Cycle


Compiled by Richard M. Ebeling

Copyright 1996 by The Ludwig von Mises Institute

Download the complete book in pdf format.

Mises at a Cafe Introduction: The Austrian Theory in Perspective
Roger W. Garrison

The "Austrian" Theory of the Trade Cycle
Ludwig von Mises

Money and the Business Cycle
Gottfried Haberler

Economic Depressions: Their Cause and Cure
Murray N. Rothbard

Can We Still Avoid Inflation?
Friedrich A. Hayek

The Austrian Theory: A Summary
Roger W. Garrison

A culpa é sempre do capitalismo

Definir o capitalismo é muito fácil. Por André Abrantes Amaral.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

tradição

Os liberais são tradicionalistas. Eles acreditam que uma sociedade será tanto mais livre quanto assentar na evolução das suas instituições, imunes a rupturas revolucionárias e a manobras de engenharia social, que se vão transformando pela selecção natural dos melhores procedimentos sociais, as regras de justa conduta. O conceito de ordem espontânea, nuclear ao liberalismo clássico, pressupõe, por outro lado, a justaposição natural e voluntária dos comportamentos individuais, preferencialmente sem intervencionismos externos ao livre-arbítrio individual. Neste processo de ordenação, a tradição representa o conhecimento e a experiência acumulados, ao longo de muito tempo, pelas gerações precedentes. Impedir ou dificultar a sua livre circulação pode provocar danos sociais irreparáveis.

A religião é a forma mais antiga e expedita que as sociedades encontraram para formular, apurar e transmitir aos vindouros algumas das mais importantes regras de vida comunitária. Desde logo, os princípios éticos e morais considerados fundamentais em cada uma das sociedades que os praticam. A moral não subsiste à margem da sociedade. Ela existe precisamente por vivermos em contacto permanente com os outros, e estabelece essencialmente as regras de justa conduta que devemos observar para com o nosso semelhante e, desde logo, connosco mesmos.

O Ocidente assenta, desde há muito, a sua civilização, isto é (para evitar mal entendidos), as suas concepções societárias nucleares, na tradição, na cultura e na religiosidade cristãs. Por conseguinte, incorporou nos preceitos essenciais das suas religiões as regras morais e os procedimentos sociais fundamentais, que foram burilados e seleccionados ao longo de séculos. Essa informação é um capital societário precioso, que não deve deixar de ser transmitida geracionalmente, aos nossos filhos e aos filhos dos nossos filhos. A alteração desta ordem natural das coisas é uma intervenção vertical inadmissível sobre a ordem social espontânea, e representa o que há de pior na mentalidade totalitária. É jacobinismo e, como sabemos, o jacobinismo situa-se nos antípodas do liberalismo.

Posto isto, é óbvio que a religião não tem lugar nas aulas de ciências da natureza, de física ou de geografia. O lugar próprio dessa tradição são as disciplinas de moral e religião, onde ela deve ser transmitida, sem esconder ou ocultar a existência de outras perspectivas e outros pontos de vista. Numa sociedade livre, a escola pública não deve ser alheia, menos ainda avessa, à tradição comunitária. Deve reflectir essa tradição, incorporá-la e transmiti-la. Naturalmente que, numa sociedade livre, o ensino e a escola poderão resultar da livre associação dos interessados. Não tem que ser um serviço eminentemente público. Logo, quem não se sinta confortável, por motivos religiosos ou outros, com a tradição comunitária (seja ela qual for) da sociedade em que vive, poderá sempre ter a liberdade de ensinar aos seus filhos uma outra forma de encarar as coisas, por associação com outros que pensem do mesmo modo. Desse ponto de vista, nada há a temer: as sociedades ocidentais já produziram e incorporaram o laicismo e a tolerância suficientes, e geraram um número mais do que suficiente de incréus capazes de se organizarem e constituírem as suas próprias instituições educativas. Mas que elas sejam alternativas às tradicionais e não substitutivas, como parece estar a acontecer entre nós.


P.S.: O meu caro amigo CAA espantou-se, aqui, com o que aqui leu. Eu espanto-me com o espanto do CAA. É que este tipo de ateísmo, que o Carlos tanto parece apreciar, não é uma causa, mas antes uma consequência. Não deve, por isso, ser motivo de espanto.

Transparência

Fed Direct Loans Lose Stigma as Banks Push Borrowing to Record

(Bloomberg) -- Commercial banks that a year ago rebuffed a Federal Reserve program to provide cheaper cash may be increasingly dependent on it. Borrowing from the Fed's discount window hit record levels in six of the past eight weeks, and reached $23.5 billion as of Sept. 10, Fed data show. By comparison, lending averaged just $779 million a week in the three months after New York Fed President Timothy Geithner urged banks to use the program.

PS: os $23.5 billion emprestados aos bancos não resultam de poupança de ninguém, representam simples criação de moeda.

Seria bom saber, a bem da tão apregoada "Transparência dos Mercados" e até coercivamente forçada no mercado de capitais, quem e quanto utiliza tais facilidades.

A mim parece-me bem ser uma "informação [bem] relevante" a ser publicada no site da CMVM.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Socialismo na América

Bloomberg: Paulson Is Acting Just Like a Socialist, Should Resign Post, Bunning Says
Sept. 9 (Bloomberg) -- Senator Jim Bunning said Treasury Secretary Henry Paulson, by rescuing Fannie Mae and Freddie Mac, is acting like China's finance minister and both Paulson and Federal Reserve Chairman Ben S. Bernanke should step down.`I sincerely believe that Henry Paulson and Ben Bernanke should resign,'' said Bunning, a Republican from Kentucky on the Senate Banking Committee. ``They have taken the free market out of the free market.''

CNBC: Jim Rogers: US 'More Communist Than China'


quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Escola Austriaca e as outras: Utilidade Cardinal e Ordinal

A propósito de uma discussao passada no Insurgente e sobre como o agora (será mesmo?) aceite conceito de utilidade ordinal tentou ser negado a todo o custo pelo "mainstream" até (como de costume) que depois aparentemente sem declarar derrota, passam a adoptar o conceito de origem "austriaca" como se até o tivessem sempre feito desde sempre ao ponto dos actuais neo-clássicos ou outros, acharem estranho que se aponte o facto, dando ideia que no fundo, isso já é desde sempre aceite pelos economistas (o que é uma tentativa de querer passar a ideia mais uma vez da suposta irrelevancia dos "austriacos"), encontrei nestas notas de um cursos sobre o Human Action de Mises (LvMI):

http://blog.mises.org/archives/002102.asp

"Choice and Preference

Choice is choosing between two alternatives.

Preference is just our ranking of the alternatives in the ordinal sense (e.g., 1st, 2nd, 3rd, etc).
Praxeologically, preference is part of action. There is no such thing as preference separate from action, and thus no such thing as a ?preference map? existing separately from action.
Preference can only be demonstrated through action; there can only be demonstrated preference. Thus, we often times cannot know very much about an individuals value-scale, except what can be deduced.

Value

Value is subjective: that is, it is in the human mind and lacks extensive objective property; value does not exist outside of the human mind.

Because value is subjective and wholly in the human mind, it can not be measured.

Value is the state of mind we have; thus, there are no cardinal units of value (e.g., 1.5utils), as such is non-sensical; thus, we cannot add or subtract value, nor do any other mathematical manipulations of it.

Values are not constant, but are constantly changing.

There are no constants that relate our actions to objective conditions.
Value is not a cipher through which, influenced by external factors, preference determines action.

Mainstream economists have tried to use cardinal rank to represent ordinal rank; thus, they arbitrarily assign numbers to ordinal rankings:
e.g.,A -- 95B -- 85C -- 75

However, as Austrians note, A, B, and C are not like grades, but are states of mind.
Cardinal numbers are not a representation of ordinal rank: they are a ?representation? plus a quantitative difference between the rankings.

The mainstream response was to do linear transformations, which don?t change the function, but only the gap-size.

The Austrians responded that linear transformations don?t change the ratios. The only way to ?represent? ordinal ranks would be through all cardinal functions.

The mainstreamers then tried to use the concept of indifference -- the possibility of being indifferent between two options -- to equate utility:

Leap of FaithThis is wrong: to say that someone is indifferent is to say that they can?t make a choice; if they can make a choice, then they were not indifferent; however, to say that someone can?t make a choice is not to say that he or she equates utility.

(...)

Indifference does not explain action, but only inaction.

Indifference is not a useful economic theoretical concept, as indifference cannot be revealed through action, nor can indifference explain action. Indifference is only useful to psychologist, entrepreneurs, and forecasters.

Continuity: assumption that indifference is infinitesimal, smooth. In reality there is no reason to think that economic phenomena are continuous.

Assumption that utility function is constant, so that we can empirically measure a demand curve. This is flatly wrong, as peoples valuations are constantly changing.

Summarily, indifference is simply an equivocation that allows economists to get to cardinal utility. Bah humbug."

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

As injecções de liquidez como subsídios à imprudência

Inflação. Por Luciano Amaral.

As injecções de liquidez são um subsídio generalizado às instituições financeiras. Quer isto dizer que não distinguem as merecedoras de salvação das que não o merecem, pela sua imprudência. Uma solução melhor talvez fosse deixar desaparecer as imprudentes, para premiar as prudentes e consolidar o sector. Há quem diga que isto não é possível, porque as actuais instituições financeiras são “demasiado grandes para poderem abrir falência”. Não sei se já alguém reparou que isto é a negação do princípio básico do nosso sistema económico: sem falências não podemos saber o que foi mal feito.

sábado, 23 de agosto de 2008

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

EM 06/10/26

"Secessão: o factor supresa e a subversão constitucional

Provavelmente o tema que ao longo das próximas décadas não vai deixar de supreender todos e em todo o lado. Vivemos a diplomacia das fronteiras dos grandes Estados (e guerras ocasionais por causa delas). Mas o conflito entre grandes Estados e Blocos, sendo ainda possível é menos provável. Vamos passar à outra face visivel da democracia - o "direito" a constituir uma democracia mais pequena, à parte, mais homogénea. Para o qual ninguém está preparado. A começar pelos sistemas constitucionais."

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Paul Johnson Introduction to Rothbard's America's Great Depression

"(...) For half a century, the conventional, orthodox explanation, provided by John Maynard Keynes and his followers, was that capitalism was incapable of saving itself, and that government did too little to rescue an intellectually bankrupt market system from the consequences of its own folly. This analysis seemed less and less convincing as the years went by, especially as Keynesianism itself became discredited. In the meantime, Rothbard had produced, in 1963, his own explanation, which turned the conventional one on its head. The severity of the Wall Street crash, he argued, was not due to the unrestrained license of a freebooting capitalist system, but to government insistence on keeping a boom going artificially by pumping in inflationary credit. The slide in stocks continued, and the real economy went into freefall, not because government interfered too little, but because it interfered too much. Rothbard was the first to make the point, in this context, that the spirit of the times in the 1920s, and still more so in the 1930s, was for government to plan, to meddle, to order and to exhort.(...)

His book is an intellectual tour de force, in that it consists, from start to finish, of a sustained thesis, presented with relentless logic, abundant illustration, and great eloquence. I know of few books which bring the world of economic history so vividly to life, and which contain so many cogent lessons, still valid in our own day. It is also a rich mine of interesting and arcane knowledge, and I urge readers to explore its footnotes, which contain many delicious quotations from the great and the foolish of those days, three-quarters of a century ago. It is not surprising that the book is going into yet another edition. It has stood the test of time with success, even with panache, and I feel honored to be invited to introduce it to a new generation of readers.

Paul Johnson, December 1999"

Inflation Watch - July

CPI US: 5.6%
Fed Rate: 2%
Yields 10Y: 3.83%

CPI EU: 4.00%
ECB Rate: 4.25%
Yields 10Y: 4.14%

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

D. A Note on Some Criticisms of 100-Percent Reserve

"One popular criticism of 100-percent bank reserves charges that the bank could not then earn any income or cover costs of storage, printing, etc. On the contrary, a bank is perfectly capable of operating like any goods warehouse, i.e., by charging its cus­tomers for its services to them and reaping the usual interest return on its operations.

Another popular objection is that a 100-percent-reserve policy would eliminate all credit. How would businessmen be able to borrow funds for short-term investment? The answer is that businessmen can still borrow saved funds from any individual or institution. “Banks” may still lend their own saved funds (capital stock and accumulated surplus) or they may borrow funds from individuals and relend them to business firms, earning the interest differ­ential.[35] Borrowing money (e g., floating a bond) is a credit trans­action; an individual exchanges his present money for a bond—a claim on future money. The borrowing bank pays him interest for this loan and in turn exchanges the money thus gathered for promises by business borrowers to pay money in the future. This is a further credit transaction, in this case the bank acting as the lender and businesses as the borrowers. The bank’s income is the interest differential between the two types of credit transactions; the payment is for the services of the bank as an intermediary, channeling the savings of the public into investment. There is, furthermore, no particular reason why the short-term, more than any other, credit market should be subsidized by money creation." Chapter 11—Money and Its Purchasing Power (continued)
6. The Supply of Money, Murray N. Rothbard

O Mito da quantidade de dinheiro

Carlos Santos num comentário a um post:

"Ora imagine que a produção de bens e serviços aumenta. Pelo menos para financiar a aquisição de acréscimo de produção, concordará que a moeda em circulação deverá aumentar? É que de outra forma, se me responder pela via da oferta e da procura e me disser que os preços vão descer, eu pergunto-lhe qual é o estímulo para o aumento da produção por parte de produtores individuais descentralizados? Acreditando que todos nós pensamos que o empresário se move pelo motivo lucro, que ganho teriam os empresários em aumentar a produção se a consequência fosse a descida do preço? A consequência seria a economia como perpetuação de um equilíbrio estático, em que por a quantidade de moeda ser sempre a mesma, o volume de produção seria também o mesmo aos mesmos preços. Acha que é isto que a História Económica demonstra? Ou a História Económica é também um domínio demasiado schumpeteriano para sujarmos aí as mãos?"


Bem...

A quantidade de moeda pode ser fixa que isso em nada afectaria o funcionamento da economia. Os custos baixariam, e a taxa de lucro manter-se-ia intacta. Tal com acontece em muitos sectores de tecnologia.

E o crescimento económico significa sim, descida de preços. Quando um produto desce de preço é porque o seu custo diminuiu, o rendimento que sobra permite adquirir ou mais ou novos produtos. E isso só não é visível em termos nominais por causa da inflação de preços induzida pelo aumento da massa monetária. Depois da revolução industrial e durante o século 19 era habitual os preços descerem.

Aliás, em termos abstractos qualquer quantidade de dinheiro seria suficiente. Podia existir apenas um Kg de ouro, que isso chegaria. Era apenas uma questão de divisibilidade, coisa fácil por certificados.

Os preços nominais ajustam tudo o que fôr necessário. O impostante mesmo é por prioridade:

- não existir deflação/contração da quantidade de moeda
- a massa monetária aumentar num rácio pequeno e estável equilibrado por um qualquer custo marginal (caso da prospecção do ouro, cujo incentivo é proporcional à descida de preços).

Já agora, quanto a outras afirmações:

"o que tenho lido do CN parece-me que qualquer coisa a menos que a descoberta de novas minas de ouro é um “fenómeno monetário falsificador”"

Bem, o processo de criação de notas de depósito sem existência do ouro depositado pode ser considerado "falsificador". Esse foi o processo pelo qual o padrão-ouro foi subvertido primeiro pontualmente (as corridas aos depósitos corrigiam a situação funcionando como punição) que conduz a crises (ciclos), e depois de forma sistémica (devido aos Bancos Centrais) onde depois os Estados finalmente nacionalizam (roubam) o ouro depositado (pelo fim unilateral da obrigação contratual) e declaram a proibição do seu uso como moeda.

Como se vê, o actual sistema nasceu em pecado original.

Time and Money: The Macroeconomics of Capital Structure.


"Should the financial authorities, in a misguided attempt to spur production, increase the supply of bank credit, dire results may impend. If the interest rate is driven below the "natural rate"—primarily determined by people’s preferences for present over future goods—investors might be misled.

They may shift unduly to higher stages of production, not realizing that lower interest rates reflect, not a genuine decrease in time preference, but rather financial manipulation. When interest rates rise again to their "true" level, overly optimistic investments face collapse. The process of adjustment to the actual preferences of consumers is precisely, in the Austrian view, the downturn phase of the business cycle. " David Gordon - Review of Time and Money: The Macroeconomics of Capital Structure. By Roger W.Garrison. Routledge, 2001. xvi + 272 pgs.
Ver esta excelente apresentação em PowerPoint, com a explicação breve mas detalhada, e ainda assim simples de entender, sobre a relação entre a manipulação da taxa de juro e os ciclos económicos:

Lecture I: The Austrian Theory of the Trade Cycle (PowerPoint)
PS: Restantes:

Lecture II: Keynes and Hayek: Head to Head (PowerPoint)
Lecture III: The Great Depression (PowerPoint)
Lecture IV: The Fiscal Issues: Taxes and Deficit Finance (PowerPoint)
Lecture V: Vienna vs. Chicago on Monetary Issues (PowerPoint)

Why Money Supply Matters





PS: Existe quem não acredite em deduções apriori nem confie nos olhos. Só parâmetros. Dito isto, os efeitos entre o crescimento da massa monetária (e que medida? Alan Greenspan disse em directo na TV que já não se sabia o que constituía moeda) e os preços são seguramente complexos, a teoria comprova o efeito mas assume a não-uniformidade, a variação de outros factores em sentido contrário (como a procura de moeda), etc.




True synthetic a priori statements

Em "Economic Science and the Austrian Method ", Hoppe

"It took painstaking intellectual effort to recognize explicitly what, once made explicit, everybody recognizes immediately as true and can understand as true synthetic a priori statements, i.e., propositions that can be validated independently of observations and thus cannot possibly be falsified by any observation whatsoever.

The attempt to disprove the action-axiom would itself be an action aimed at a goal, requiring means, excluding other courses of action, incurring costs, subjecting the actor to the possibility of achieving or not achieving the desired goal and so leading to a profit or a loss.

And the very possession of such knowledge then can never be disputed, and the validity of these concepts can never be falsified by any contingent experience, for disputing or falsifying anything would already have presupposed their very existence. As a matter of fact, a situation in which these categories of action would cease to have a real existence could itself never be observed, for making an observation, too, is an action.

Mises's great insight was that economic reasoning has its foundation in just this understanding of action; and that the status of economics as a sort of applied logic derives from the status of the action-axiom as an a priori-true synthetic proposition.

The laws of exchange, the law of diminishing marginal utility, the Ricardian law of association, the law of price controls, and the quantity theory of money, all the examples of economic propositions which I have mentioned can be logically derived from this axiom. And this is why it strikes one as ridiculous to think of such propositions as being of the same epistemological type as those of the natural sciences. To think that they are, and accordingly to require testing for their validation, is like supposing that we had to engage in some fact-finding process without knowing the possible outcome in order to establish the fact that one is indeed an actor. In a word: It is absurd.

Praxeology says that all economic propositions which claim to be true must be shown to be deducible by means of formal logic from the incontestably true material knowledge regarding the meaning of action. Specifically, all economic reasoning consists of the following:

(1) an understanding of the categories of action and the meaning of a change occurring in such things as values, preferences, knowledge, means, costs, etc(

(2) a description of a world in which the categories of action assume concrete meaning, where definite people are identified as actors with definite objects specified as their means of action, with some definite goals identified as values and definite things specified as costs. Such description could be one of a Robinson Crusoe world, or a world with more than one actor in which interpersonal relationships are possible; of a world of barter exchange or of money and exchanges that make use of money as a common medium of exchange; of a world of only land, labor, and time as factors of production, or a world with capital products; of a world with perfectly divisible or indivisible, specific or unspecific factors of production; or of a world with diverse social institutions, treating diverse actions as aggression and threatening them with physical punishment, etc; and

(3) a logical deduction of the consequences which result from the performance of some specified action within this world, or of the consequences which result for a specific actor if this situation is changed in a specified way.

Provided there is no flaw in the process of deduction, the conclusions that such reasoning yield must be valid a priori because their validity would ultimately go back to nothing but the indisputable axiom of action. If the situation and the changes introduced into it are fictional or assumptional (a Robinson Crusoe world, or a world with only indivisible or only completely specific factors of production), then the conclusions are, of course, a priori true only of such a "possible world." If, on the other hand, the situation and changes can be identified as real, perceived and conceptualized as such by real actors, then the conclusions are a priori true propositions about the world as it really is. [19]

Such is the idea of economics as praxeology. And such then is the ultimate disagreement that Austrians have with their colleagues: Their pronouncements cannot be deduced from the axiom of action or even stand in clear-cut contradiction to propositions that can be deduced from the axiom of action.

And even if there is agreement on the identification of facts and the assessment of certain events as being related to each other as causes and consequences, this agreement is superficial. For such economists falsely believe their statements to be empirically well-tested propositions when they are, in fact, propositions that are true a priori."

terça-feira, 5 de agosto de 2008

A decadência americana Cap. 45

Dingell Pushes Access to $25 Billion in Plant Aid for GM, Ford

Destaque: "How Much Money Does an Economy Need?"

Review by

[How Much Money Does an Economy Need? Solving the Central Economic Puzzle of Money, Prices, and Jobs. By Hunter Lewis. Axios Press. Vi + 185 pages.]

"In Are the Rich Necessary? Hunter Lewis showed himself to be a master of dialectics; and he here applies the same method to monetary theory. Not content to expound his own views, Lewis carefully explains conflicting standpoints as well. Lewis does not disguise his own strong commitment to Austrian economics, but the reader of this book will understand not only this position, but its chief competitors as well.(...)"

As Lewis notes, cycles cannot be blamed on the free market. The flaw that makes the cycle possible is fractional-reserve banking, in which a bank is permitted to create credit in excess of the deposits that have been made to it. The bank is required only to maintain a certain ratio between deposits on hand and its credit expansion. A free market need not incorporate fractional-reserve banking; it can, instead, institute the alternative 100% reserve system. Indeed, Murray Rothbard argued that a free market required this latter arrangement. The fractional-reserve system is the artifact of particular legal decisions. Lewis calls attention in this connection to two decisions of British courts in the early nineteenth century.

An effort to require banks to maintain 100% reserves against all deposits failed in British courts in 1811 and 1816. The House of Lords also confirmed the right to maintain fractional reserves in 1848. (p. 55)

How does fractional-reserve banking make the business cycle possible? The problem arises if the government, in an effort to promote prosperity, increases the generation of bank credit. (Lewis discusses in detail various ways in which the Federal Reserve System can do this.) The increase in the money supply lowers the monetary rate of interest. Investment then increases: because business loans are available at lower interest rates, projects that were formerly unprofitable are now feasible. Business then expands, especially in capital goods.

Trouble — usually sooner rather than later — arises. The interest rate is not in essence a monetary phenomenon. Quite the contrary, interest reflects time preference, the rate at which people prefer present goods to future goods. This rate will not in general alter just because of the monetary expansion. The lowering of the interest rate thus proves a temporary affair, and the interest rate rises to reflect time preference. As a result, some of the new investments prove unprofitable and must be liquidated.

In the Austrian view, this liquidation ought to be allowed to proceed unhindered. Should the government attempt to alleviate matters by further monetary expansion, the result will be another artificial boom that will again require correction. The necessary liquidation cannot be indefinitely deferred. If the government continues its expansionist course, the upshot will be hyperinflation and the collapse of the monetary system altogether.

Keynes denied this analysis."

O mistério da inflação

Ler no http://ovalordasideias.blogspot.com/:

Money does not cause inflation: here's why

Parece que é porque a (ausência de) relação matemática entre inflação monetária e a inflação de preços no consumidor o prova. A estatística como fazedor de leis económicas.

Mas então, que problema mesmo existiria com a legalização dos falsificadores de moeda (bem é mais estender esse previlégio à iniciativa privada fora do cartel criado pelos Bancos Centrais)?

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

"Imagine"

A world without fiat currency
It´s not hard to - it already existed

A world were one coin of gold means one coin of gold
Not a bid deal

A world were one coin deposited means one coin deposited
It´s simple

A world were fabricating false receipts of non-existing coins deposited is a crime
That would be really something

A world were investing means someone saving first
It´s just the natural order of things

A world were prices going down would be a good sign
Although economists would become mad

But then again, many already are
and maybe i am one of them

Because i like to imagine
that money is money

PS: só me falta a música.

Intellectual role models

IHS --- Now We Are Talking. Por Pete Boettke.

If Milton Friedman can cause intellectual angina among "faculty" smart enough to warrant an appointment at U of Chicago, then everyone should realize the intellectual state of affairs we are in. Almost as dire as the economy itself! If that is an accurate depiction of the world of ideas in US universities, then organizations like FEE, IHS and Liberty Fund have a huge role to play in creating space for classical liberal and libertarian scholarship --- but they will be successful only if they do not water-down the message either by cheap commitments to non-thinking sloganeering or stealthy and non-commitment to libertarian scholarship. As I have said before, we neither want ignorant dogmatism nor milly-mouthed pseudo-sophistication. Time, instead, to uphold as ideal intellectual role models: Mises, Hayek, Rothbard, Rand, Nozick and Friedman (among our honored deceased from the 20th century) and Buchanan and Epstein (among the still living great classical liberals).

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Inflation watch

EU CPI June: 4.1% (taxa de inflação da UE)
BCE rate: 4.25% (taxa de juro de referência fixada pelo Banco Central)

Conclusão: A taxa de juro fixada pelos Bancos Centrais (o caso do FED ainda é pior) parece ser demasiado baixa para combater a inflação de preços, situação de que são responsáveis directos apesar de assobiarem para o lado (com a complacência total dos economistas) e que prejudica as pessoas de menor rendimento.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A fundamentação liberal do bom governo

Poder. Por Rui Albuquerque.

A fundamentação liberal do bom governo não reside assim em quem o detém, mas somente nos poderes e nas competências que cabem na esfera da soberania. A realidade portuguesa das últimas décadas demonstra que os liberais têm razão: se os governantes têm mudado, de resto, a um ritmo alucinante, e se os problemas principais do país não se têm resolvido, pelo contrário, é do domínio público que se têm vindo a agravar, não será exactamente no mérito ou no demérito de quem governa que reside a origem das nossas dificuldades, mas precisamente no que é expectável que o governo faça. Por outras palavras, o Estado Providência fracassou porque tinha que fracassar, e agora é necessário limpar os cacos e encontrar urgentemente um modelo que o possa substituir.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Sim queremos

"Os defensores do fundamentalismo de mercado querem agora que os erros do mercado sejam vistos como erros de governo. Será o fim do neo-liberalismo? Joseph E. Stiglitz

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Notícias Monetárias II

Inflação: 5.00% em Espanha
Taxa de Juro do BCE: 4.25%


Nos EUA:

Inflação: 4.00%
Taxa de Juro do FED: 2.00%


Se isto não parece uma completa anormalidade económica...

Noticias Monetárias

FED fabrica moeda para financiar indirectamente o Crédito à Habitação. Como já tenho dito, os Bancos Centrais passaram a financiar (e a compra directa) não só a Dívida Pública detida pelos Bancos mas também Activos Reais.

Faltará não muito tempo para os BCs passarem a deter directamente esses créditos, embora vão tentar disfarçá-lo por contínuas operações de renovação (à boa maneira de um Banco que tenta esconder e adiar a falência de um seu cliente com problemas, evitando prejudicar as contas).

A ideia de fabricar moeda para financiar Activos Reais devia ser repugnante a qualquer "real economist" mas a classe nunca foi brilhante.

Os BCs têm agora o poder de impedir da falência (e consequente reafectação económica) à custa de inflação. Fugas para a frente de forma continuada.

"O plano de Henry Paulson, para salvar as duas maiores companhias de crédito à habitação dos EUA, Fannie Mae e Freddie Mac, justificam o regresso do optimismo a Wall Street.

O Secretário de Estado do Tesouro pediu hoje autorização ao Congresso norte-americano para comprar um número ilimitado de acções destas duas companhias. Pretende também que as duas companhias tenham acesso a linhas de crédito por parte da Fed."

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Gold is money

Selling land for gold, not VND

VietNamNet Bridge – After a long period of quoting land prices in VND, landlords are now setting prices in gold instead of VND in order to avoid risks from the VND’s devaluation.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Recordar 'O Caminho para a Servidão"

Hayek no Estoril. Por João Carlos Espada.

'O Caminho para a Servidão' ('The Road to Serfdom') foi o livro que primeiro o tornou conhecido do grande público. Publicado em 1944 em Inglaterra e nos EUA, teve um êxito imediato. Novas edições têm sido publicadas regularmente e foi traduzido em quase todas as línguas. Em Portugal, a primeira edição foi de 1977, na editora Teorema, por iniciativa do saudoso Orlando Vitorino. Uma nova edição está a ser preparada para este ano pelas Edições 70/Almedina.

(...)

Contrariamente à visão corrente sobre o chamado capitalismo - quer entre os seus críticos quer entre alguns dos seus defensores - Hayek não via as economias de mercado como moralmente neutras ou como fundadas no egoísmo. Ele acreditava que as economias de mercado estavam associadas a uma mundovisão cujas origens remontam às raízes da civilização ocidental, à cultura clássica de Atenas e Roma, bem como à tradição judaico-cristã.

A sua grande preocupação em 1944 era o abandono dessas tradições em nome de ideologias colectivistas que praticavam o culto de imaginárias leis deterministas do desenvolvimento histórico e das chamadas "éticas científicas". Hayek mostrou com evidência incontornável que essa ideologia revolucionária e ateia estava igualmente na base do comunismo, do nacional-socialismo e do fascismo.

Ao defender o retorno aos princípios liberais e democráticos do governo limitado, comércio livre e livre empreendimento, Hayek bateu-se também pela redescoberta das chamadas "virtudes burguesas" que tinham estado na base da Inglaterra liberal: "a independência, a iniciativa individual, a responsabilidade, o respeito pelos costumes e as tradições, a saudável desconfiança em relação ao poder e à autoridade".

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Erro jurídico

"The fractional-reserve system is the artifact of particular legal decisions. Lewis calls attention in this connection to two decisions of British courts in the early nineteenth century.

An effort to require banks to maintain 100% reserves against all deposits failed
in British courts in 1811 and 1816. The House of Lords also confirmed the right
to maintain fractional reserves in 1848.

(p. 55)"

The Mises Review: How Much Money Does an Economy Need? Solving the Central Economic Puzzle of Money, Prices, and Jobs by Hunter Lewis

segunda-feira, 30 de junho de 2008

White: New Home Sales

Brown: Taxa FED - CPI

Green: Índice Preços Commodities: CRY

EU: 4% Inflação

Estagflação - it´s the name of the game.

A culpa é dos Bancos Centrais e dos crentes na teoria misticista na qual a criação de moeda e/ou taxas de juros administrativamente fixadas para incentivar o crédito traz algum bem à economia.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Private Roads And A City With No Government Property

web site for the City of North Oaks:

"Because residents' properties extend to halfway across the road, all residential roads in the City are private and for the use of North Oaks residents and their invited guests only.

The City owns no property. With residents owning the roads, the North Oaks Home Owners' Association owns the park and recreation areas and trails throughout the City." (Via LRCBlog)

terça-feira, 17 de junho de 2008

Inflação e expectativas

Camilo Lourenço em Porque os juros vão subir:

"Compreende-se agora a “ameaça” do presidente do BCE, de que as taxas de juro de referência deverão voltar a subir (já em Julho?). O BCE já percebeu que se está a instalar nos agentes e sujeitos económicos europeus a ideia de que a inflação se vai manter alta. Ou seja, começa a concretizar-se o pior pesadelo de qualquer banco central: as expectativas de inflação elevada estão a enraizar-se na economia e os europeus começam a tomar decisões com base nela. Há duas formas de reagir ao problema. Acomodar esse sentimento (e dentro de dois ou três anos perde-se o controlo da inflação); utilizar a política monetária para inverter essas expectativas (o caminho certo). Graças a Deus temos um banco central independente. "

Existem (muitos) economistas com piada (uma virtude).

Não só conseguem passar por cima que o primeiro culpado pela inflação é o próprio Banco Central como depois elegem os Bancos Centrais como salvadores da pátria:

Mas "Graças a Deus" são independentes (independentes de quê? do sistema político e regime que os nomeia e paga os salários? boa piada)!

E a vantagem? Quando aparecem .... salvam-nos da inflação provocada por... sei lá, pelas reivindicações dos sindicatos:

"... as empresas, que deveriam estar a precaver-se do impacte negativo que o arrefecimento da economia vai ter nas suas contas, revelam-se incapazes de conter as reivindicações dos sindicatos."

E o pior pesadelo? "as expectativas".

Sim, sim, quando as pessoas se põem com "expectativas"... é de facto terrível. Um dia acordam e dizem: "hoje estou com expectativas". E ligam logo para o sindicato para exigir aumentos. E isso é que provoca a inflação.

PS: E ainda remata com "P.S. – O caso irlandês mostra o erro de dar aos referendos poder de decisão em matérias constitucionais."

PS2: O caso Camilo Lourenço mostra o erro de se dar aos economistas poder de decisão em matérias monetárias.

PS3: Uma constituição não referendada tem legitimidade? Portugal deveria ser Espanha se o parlamento o aprovasse?

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Socialismo e selvajaria

Na sequência de um gentil convite do Pedro Correia, contribuí com um pequeno texto para o Corta-Fitas: A selvajaria do "Estado Social".

terça-feira, 10 de junho de 2008

Keynesianism Redux

"Evidently, the "cyclically balanced budget" was the first Keynesian concept to be poured down the Orwellian memory hole, as it became clear that there weren't going to be any surpluses, just smaller or larger deficits. A subtle but important corrective came into Keynesianism: larger deficits during recessions, smaller ones during booms. (...)

For if the government was supposed to step on the spending accelerator during recessions, and step on the brakes during booms, what in blazes is it going to do if there is a steep recession (with unem ployment and bankruptcies) and a sharp inflation at the same time? What can Keynesianism say? Step on both accelerator and brake at the same time? The stark fact of inflationary recession violates the fundamental assumptions of Keynesian theory and the crucial program of Keynesian policy. Since 1973-74, Keynesianism has been intellectually finished, dead from the neck up.

But very often the corpse refuses to lie down, particularly one made up of an elite which would have to give up their power positions in the academy and in government. One crucial law of politics or sociology is: no one ever resigns. And so, the Keynesians have clung to their power positions as tightly as possible, never resigning, although a bit less addicted to grandiose promises.

(...) Essentially, then, shorn of its intellectual groundwork, Keynesianism has become the pure economics of power, committed only to keeping the Establishment-system going, making marginal adjustments, babying things along through yet one more election, and hoping that by tinkering with the controls, shifting rapidly back and forth between accelerator and brake, something will work, at least to preserve their cushy positions for a few more years.

(...) The triumph of Keynesianism within the Reagan Administration stems from the rapid demise of the monetarists, the main competitors to the Keynesians within respectable academia. Having made a series of disastrously bad predictions, they who kept trumpeting that "science is prediction," the monetarists have retreated in confusion, trying desperately to figure out what went wrong and which of the many "M"s they should fasten on as being the money supply. The collapse of monetarism was symbolized by Keynesian James Baker's takeover as Secretary of the Treasury from monetarist-sympathizer Donald Regan. With Keynesians dominant during the second Reagan term, the transition to a Keynesian Bush team--Bush having always had strong Keynesian leanings--was so smooth as to be almost invisible. " Making Economic Sense by Murray Rothbard

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Sudha Shenoy (1943-2008)

Tive o privilégio de conhecer pessoalmente Sudha Shenoy em Londres no final de 2006, numa palestra organizada por Anthony Evans, a que se seguiu uma animada discussão ao jantar sobre, entre outros temas, o renascimento da Escola Austríaca nos anos 1970, um processo em que Shenoy teve um papel importante, ainda que pouco conhecido (mesmo entre austríacos, e especialmente entre os austríacos mais novos).

Para além da fascinante palestra assente na combinação dos vastíssimos conhecimentos de história económica de Shenoy com os ensinamentos da Escola Austríaca, recordo a sua paciência e amabilidade para, apesar do cansaço acumulado da viagem e da apresentação, responder às nossas questões sobre o seu extraordinário percurso de vida e sobre figuras como o seu pai (B. R. Shenoy), Hayek e Rothbard.

Recomendo a leitura desta entrevista a Sudha Shenoy na Austrian Economics Newsletter (2003), assim como dos comentários de Anthony Evans, Steven Horwitz, Ralph Raico, Frederic Sautet, Peter Klein, Lew Rockwell , Thomas DiLorenzo e Bill Anderson.

Post anteriormente publicado n'O Insurgente.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Paul Van Eeden lembra índice TMS de Rothbard na CNBC



Paul van Eeden na CNBC sobre a subida do preço do petróleo. Por Luís Aguiar Santos.

É engraçado que os apresentadores raciocinem como se o Banco Central Europeu não tivesse também, nos últimos anos, aumentado drasticamente (embora não tão drasticamente quanto o Fed) a sua emissão monetária (ver aqui o gráfico da Bloomberg); o mesmo se pode dizer do Banco do Japão - e é isso que explica que o preço do petróleo também suba em euros e ienes (embora menos do que em dólares). Para terminar, é importante o que Van Eeden diz sobre a forma como se vêm calculando os índices de preços ao consumidor (que apresentam falhas óbvias que indiciam fraude premeditada, digo eu) e sobre o abandono pelos responsáveis do Fed do indicador M3, que registava o crescimento amplo da expansão monetária (e cujos valores Van Eeden lembra que coincidem com o índice TMS construído por Rothbard). O que está aqui em causa é a completa ignorância das pessoas que fazem a "opinião económica" sobre a importância do factor monetário na estrutura de preços do mercado (algo que, a determinada altura, leva Van Eeden a ter de dizer que não foi ele que inventou o que é um conhecimento básico em economia).

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Primeiro sinal de pânico oficial

Discurso ontem de Richard W. Fisher [is president and CEO of the Federal Reserve Bank of Dallas.]:

"(...) Throughout history, many nations, when confronted by sizable debts they were unable or unwilling to repay, have seized upon an apparently painless solution to this dilemma: monetization. Just have the monetary authority run cash off the printing presses until the debt is repaid, the story goes, then promise to be responsible from that point on and hope your sins will be forgiven by God and Milton Friedman and everyone else.

We know from centuries of evidence in countless economies, from ancient Rome to today’s Zimbabwe, that running the printing press to pay off today’s bills leads to much worse problems later on. The inflation that results from the flood of money into the economy turns out to be far worse than the fiscal pain those countries hoped to avoid. Earlier I mentioned the Fed’s dual mandate to manage growth and inflation. In the long run, growth cannot be sustained if markets are undermined by inflation. Stable prices go hand in hand with achieving sustainable economic growth.

I have said many, many times that inflation is a sinister beast that, if uncaged, devours savings, erodes consumers’ purchasing power, decimates returns on capital, undermines the reliability of financial accounting, distracts the attention of corporate management, undercuts employment growth and real wages, and debases the currency.


Purging rampant inflation and a debased currency requires administering a harsh medicine. We have been there, and we know the cure that was wrought by the FOMC under Paul Volcker. Even the perception that the Fed is pursuing a cheap-money strategy to accommodate fiscal burdens, should it take root, is a paramount risk to the long-term welfare of the U.S. economy. The Federal Reserve will never let this happen. It is not an option. Ever. Period.

The way we resolve these liabilities—and resolve them we must—will affect our own well-being as well as the prospects of future generations and the global economy. Failing to face up to our responsibility will produce the mother of all financial storms. The warning signals have been flashing for years, but we find it easier to ignore them than to take action. Will we take the painful fiscal steps necessary to prevent the storm by reducing and eventually eliminating our fiscal imbalances? That depends on you. (...)

Of late, we have heard many complaints about the weakness of the dollar against the euro and other currencies. It was recently argued in the op-ed pages of the Financial Times [3] that one reason for the demise of the British pound was the need to liquidate England’s international reserves to pay off the costs of the Great Wars. In the end, the pound, it was essentially argued, was sunk by the kaiser’s army and Hitler’s bombs. Right now, we—you and I—are launching fiscal bombs against ourselves. You have it in your power as the electors of our fiscal authorities to prevent this destruction. Please do so. "

terça-feira, 27 de maio de 2008

Subida de preços

Via L&LP (Livre & Leal Português) de Luis Aguiar Santos:

Inflação: a grande ameaça disfarçada na origem

"As causas monetárias da geral subida de preços das mercadorias, matérias-primas, combustíveis e metais preciosos (para já não falar do imobiliário) só são evidentes para quem percebe a importância para a economia do tipo de oferta monetária pela qual se regula o sistema de preços. A responsabilidade dos bancos centrais na actual subida generalizada de preços já nem pode escapar a economistas mainstream, que até já reparam no mistério de os oficiais índices de preços ao consumidor não acusarem estas subidas e menos reflectirem o descontrolado aumento da massa monetária em circulação. Veja-se a da Zona Euro desde 2000 no quadro em baixo (M3), que regista uma taxa espantosa de +78% em oito anos, cerca de +9,75% por ano (...)"

terça-feira, 20 de maio de 2008

Sobre a subida de preços

“There is no situation so bad that government intervention cannot make it worse”

Adenda:

"House passes bill to sue OPEC over oil prices"

As falácias do Monetarismo II

"Why Is the Money Supply Important?

Because money is used in virtually all economic transactions, it has a powerful effect on economic activity. An increase in the supply of money puts more money in the hands of consumers, making them feel wealthier, thus stimulating increased spending. Business firms respond to increased sales by ordering more raw materials and increasing production. The spread of business activity increases the demand for labor and raises the demand for capital goods. In a buoyant economy, stock market prices rise and firms issue equity and debt. If the money supply continues to expand, prices begin to rise, especially if output growth reaches capacity limits. As the public begins to expect inflation, lenders insist on higher interest rates to offset an expected decline in purchasing power over the life of their loans.

Opposite effects occur when the supply of money falls, or when its rate of growth declines. Economic activity declines and either disinflation (reduced inflation) or deflation (falling prices) results."Money Supply by Anna J. Schwartz

Problemas:

Parece afirmar que o dinheiro aparece nas mãos dos consumidores não se sabe bem de onde, e que ao consumir mais isso estimula a economia, depois a bolsa sobre e ...

... se o crescimento passar o limite da capacidade (e só se ?!?) os preços começam a subir.

Diria que tudo isto é uma enorme confusão. Se o aumento do consumo estimula a economia porque não obrigar as pessoas a consumir mais e a poupar menos? E porquê deixar de fora a origem do "mais dinheiro nas mãos dos consumidores"?

E porquê "consumidores" e não "aforradores"? Afinal com um dado rendimento as pessoas consumem e poupam.

Porque não "os aforradores com mais dinheiro vão poupar/investir mais"? Bem, porque os monetaristas são keynesianos mal disfarçados e assim o mistico "multiplicador" continua presente.

Significativo que deixem no ar e de forma vaga que até certo ponto mais moeda é positivo desde que não faça a economia passar um dado limite de crescimento. Ninguém sabe qual é esse limite embora os economistas passem a vida a falar dele.

O monetarismo aqui prefere deixar de lado que o crescimento monetário em grande parte tem origem na concessão de crédito e faz isso de forma consistente como vamos ver a seguir (também tem origem na monetização da dívida pública, mas diria que é perfeitamente legítimo dizer que até aí existe concessão de crédito embora pelo Banco Central).

Os preços não sobem por causa do limite de capacidade ter sido ultrapassado mas porque existe mais moeda (e mesmo que não subam é porque na sua ausência podiam descer, o que seria prova de crescimento económico).

Mais grave é parecer ligar a desaceleração do crescimento monetário com desaceleração económica.

E mais grave ainda é ligar recessão com descida de preços.

Na verdade, se a quantidade de moeda fôr fixa, todo o crescimento económico se vai revelar em descida de preços. É uma pena que a ciência económica não comece por ser pensada em primeiro lugar como um paradigma de quantidade de moeda fixa. Quase todas as falácias presentes no keynesianismo-monetarismo revelam-se por si próprias.

A confusão entre causa e consequências e entre várias consequências com origem em diferentes causas é a pedra de toque do monetarismo. Logo volto com mais.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Mises e a WWI

(via LvMIblog) Guido Hulsmann received the following:

"I must congratulate you on the fine writings and historical revelations in your book on
Mises-Last Knight of Liberalism.

My grandfather had fought under his command in the Austro-Hungarian army in WWI. The losing side has relatively few historical texts written in English. So yours is very eloquent and provides a basis for me to retrace not only the battles but the circumstances under which my grand father fought those battles."

PS: Pouco comentado também é que Hayek também cumpriu o serviço militar durante a guerra. Creio que o pouco que se sabe se deve à barragem do políticamente correcto que se abateu sobre o lado que perdeu (aquele que foi sujeito a um atentado terrorista, cujos instigadores acabaram ajudados pelos aliados).

sábado, 17 de maio de 2008

21 de Maio - 17h30 - Lisboa: Universidade Católica

Estado, Sociedade Civil e Administração Pública

Realiza-se no próximo dia 21 de Maio, em Lisboa, pelas 17:30, na sala 512 A da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica Portuguesa, uma sessão de apresentação do livro Estado, Sociedade Civil e Administração Pública: Para um novo paradigma do serviço público.

Os keynote speakers serão António Carrapatoso e José Manuel Moreira, numa sessão moderada por João César das Neves que contará também com a participação de Carlos Jalali e do terceiro coordenador do livro.

Uma iniciativa do Center for Ethics, Business and Economics (CEBE) da Universidade Católica Portuguesa.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Uma lição sobre moeda e crédito

Taxa Única de Impostos: IRS, IRC e IVA

Vantagens:

- Simplificação fiscal
- Democratização da decisão sobre política fiscal (será muito fácil analisar e decidir sobre diferentes propostas eleitorais/orçamentais para uma taxa única a ser aplicada aos 3 impostos).

Proposta de partida: taxa de 20% para o IRS/IRC/IVA.

Lembrar que 20% é já a taxa em sede de IRS aplicada a diversos veículos de poupança (Dívida Pública, juros de depósitos). Uma taxa de 20% em IRS/IRC tornaria mais neutras diversas fontes de rendimento.

A experiência de outros países:

"Slovakia started with a horribly complicated code—replete with five tax brackets ranging from 10 percent to 38 percent, 90 different exemptions, an additional 27 items that carried their own particular tax rates, etc.

In october 2003, the confusion was reined in through the setting of a single rate of 19 percent for the corporate income tax, personal income tax, and value-added tax.

In the first year after the reform, tax collections increased by 36 percent. International automakers signed agreements to relocate manufacturing plants to the country, causing the New York Times to dub Slovakia the “Detroit of Europe.” A ler em: PRI Flat Tax Study Released, Robert Murphy

terça-feira, 13 de maio de 2008

Anna J. Schwartz, com a verdade te enganas I

Encontrei este pequeno texto via http://www.econlib.org/library/Enc/MoneySupply.html

"Money Supply", by Anna J. Schwartz, e vou dedicar-me a fazer a sua crítica passo a passo.

"The abandonment of convertibility of money into a commodity since August 15, 1971, when President Nixon discontinued converting U.S. dollars into gold at $35 per ounce, has made the U.S. and other countries' monies into fiat money—money that national monetary authorities have the power to issue without legal constraints. "

A primeira objecção vai para o uso da palavra "discontinued". Bonita expressão para representar a incapacidade de um Estado em honrar as suas dívidas.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

“The Revolution: A Manifesto”, is number one on the New York Times Best Sellers

(PressMediaWire)

ARLINGTON, VIRGINIA – Republican Presidential candidate Ron Paul’s newest book, “The Revolution: A Manifesto”, is number one on the New York Times Best Sellers list for May 18th, 2008. The ranking is yet another of the many successes Dr. Paul has had during his presidential candidacy spreading his message of personal freedom and constitutional government.


Upon its official release on April 30th, “The Revolution: A Manifesto” was the number one bestseller on Amazon.com and remains the number one bestseller in political books.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Deverão os liberais festejar o "25 de Abril" ?

Deverá um liberal festejar o "25 de Abril"? Por Luís Aguiar Santos.

Se quiséssemos, como os liberais franceses do século XIX tentaram fazer com a revolução de 1789, distinguir no "25 de Abril" entre uma fase inicial, imaculada e generosa, e uma posterior degeneração jacobina (ou, neste caso, socialista), ficaríamos limitados a uma nesga de tempo que dificilmente permitiria comemorar "outro 25 de Abril". É que logo a 1 de Maio, quando os socialistas de todas as matizes (e, em particular, os comunistas) tomaram as ruas, ficou patente quem teria força para imprimir à revolução a direcção e a cor que lhe construiriam a identidade.

Apesar da resistência civil ao radicalismo militar e militante, a normalização de 1976 veio a fazer-se com uma vitória ideológica inequívoca do socialismo, que só o pragmatismo dos políticos e a realidade das coisas foi forçando a esbranquiçar em sucessivas revisões constitucionais. Onde, nesta "herança de Abril", os liberais se podem situar não é nada claro. Em Spínola? Na tímida e lenta liberalização do regime?

Mas será isso ainda o "25 de Abril"?

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Acabar com o proibicionismo

Drug Consumption Decriminalized In Argentina:

A federal court in Argentina has decriminalized the consumption of marihuana. According to the article, the issue still has to be taken to the Argentinean Supreme Court. Still, this sets an important precedent. Indeed, the Minister of Justice and Security has recently called the war on drug consumers an "absolute failure."

The federal court has ruled in favor of two people who had been detained for possessing marihuana and ecstasy (via LRCBlog)

terça-feira, 22 de abril de 2008

Outras crises bancárias

Luís Aguiar Santos: "Oliveira Martins, coveiro do padrão-ouro português"

Publicado no blogue da Causa Liberal (07.12.2005) : A multiplicação do crédito não teve de esperar pelo papel moeda de curso forçado; já se dava sob o padrão-ouro com o sistema de reservas fraccionais. E foram as crises bancárias criadas por esse sistema que serviram de justificação para acabar com o padrão-ouro, culpando-o de "instabilidade" e considerando-se necessária a intervenção estatal na matéria. Em Portugal, a crise bancária de 1876 (que dizimou a finança portuense) foi apresentada, entre outros, pelo coveiro intelectual do liberalismo (Joaquim Pedro de Oliveira Martins) como a prova da necessidade de um regime de papel moeda monopolista gerido pelo Estado.

Herculano, em correspondência da época, ainda disse o obvio, que a crise se devia às reservas fraccionais e que era suficiente ou ilegalizá-las ou responsabilizar criminalmente os banqueiros que não pudessem entregar o ouro resgatado pelos seus depositantes.

Mas a influência das ideias de Oliveira Martins (e do seu livro "A Circulação Fiduciária") fez o seu caminho e quando se deu a crise financeira de 1891 já havia no nosso país muito pouca resistência ideológica ao abandono então verificado do padrão-ouro. Oliveira Martins, com o saber impressionista e romanceado que lhe era próprio, que criou do regime liberal uma imagem negra e caricata, que antecipou como ideal político pós-liberal o cesarismo administrativo e o corporativismo de Estado, foi também entre nós o grande doutrinador da liquidação do padrão-ouro. Bem merece o cognome de "coveiro do liberalismo português".

PS: Gosto desta: "...responsabilizar criminalmente os banqueiros ". E isso incluiria os banqueiros ... centrais.

Eduardo Catroga: "O 'laissez-faire' teria levado a falência em cadeia de bancos"

Sim, claro. Falências só nos têxteis ou em sectores que não afectem as elites que têm de ter a sua tranquilidade assegurada senão o seu "golfe" fica prejudicado ao fim de semana.

Se os Bancos se financiam com depósitos à ordem e empréstimos de curto prazo e investem a 30 anos, quando o financiamento de muito curto prazo desaparece, nada como ter uma entidade estatal a fabricar moeda para conceder o crédito necessário à protecção da falência.

Talvez o resto da economia deve exigir isso mesmo. Inflação para todos. Se um banco recusar re-financiar uma PME esta deve poder recorrer ao Banco Central e a sua máquina de fotocópias.