terça-feira, 13 de janeiro de 2004

An End To Evil: "Don't stop now"

Neoconservatives Richard Perle and David Frum don't want the US to back down from its aggressive positions in the war on terror. Not now.

In their new book, an "An end to evil: How to win the war on terror," the two men argue, among many other things:

1) France is really more an enemy than an ally of the US and that European nations must be forced to choose between Paris and Washington
2) Muslims living in the US must be given special scrutiny by US law enforcement and other Americans
3) The US must overthrow the regimes in Iran and Syria, and impose a blockade on North Korea
4) Palestinians must not be allowed to have a state
5) All Americans must carry a government issued identity card
6) The US must explicitly reject the jurisdiction of the United Nations Charter.

In a review in The Washington Post, New Republic...Perle and Frum, make them the "the heirs and custodians" of President Woodrow Wilson's "crusading" foreign policy style:

When not ridiculing the backwardness of Islamic societies, they champion an effort "to lead the Arab and Muslim world to democracy and liberty"and make the case for enshrining women's freedom at the center of official policy. An End to Evil shares the traditionally conservative view of the world as a fundamentally dangerous and Hobbesian place. But it also argues that the condition can be ameliorated – through the vigorous application of American power and ideals. This is not conservatism. It is liberalism, with very sharp teeth.

Nota: aqui "liberalism" entenda-se po esquerdismo.

Perle and Frum naturally blame (...) all the foreign-policy specialists and "realists" who initially raised questions about going to war in Iraq – for resisting their calls for expanding the war to Syria, Iran, North Korea and even Saudi Arabia.

Carl Evans, columnist for The Daily Camera in Boulder, Colorado, accuses Perle and Frum (who he called "chicken hawk neocons") of trying "to play God.": "Because you're pursuing an unachievable goal, you are forced into using increasingly harsh measures, and as a result, innocents die – and evil remains. Ask the French about Algeria. "

segunda-feira, 12 de janeiro de 2004

Articles of Confederation

Teriam os Estados do Sul participado da Constituição, que substituiu os "Articles of Confederation", se soubessem que iriam passar por um ocupação e reconstrução por parte do Norte? Outra perspectiva mais prática é, foi melhor que fosse negada a independência quer por causa da escravatura quer para terem um União mais forte (mas aqui pergunto, o que quer dizer "forte")?

Existe esta dúvida entre o que será melhor em termos abstractos, tendo em conta, alguns princípios (supostamente morais, éticos, etc) e que poderá ser ou não motivo para o recurso da força (a Guerra entre Estados) ou aquilo que as pessoas desejam ou não (a vontade de separação). Daremos (ou passemos) nós poder a uma supra-entidade a capacidade de nos regular e até de nos esmagar pelo benefício de integramos uma estrutura maior (e supostamente mais esclarecida) e mais estável (em teoria)?

Como se aprova a integração numa federação de Nações com pouca homogeneidade cultural? As nacionalidades não são postas em causa (embora muitas sub-nacionalidades muitas vezes as contestem dando lugar a conflitos, terrorismo, etc). Mas como aprovar a integração? Um referendo ganho por 55%? E se for assim aprovada e passado uma ano passar a 45% - deixamos a Federação? Existem regras para sair? Existem custos? Não pode ser só porque parece ser uma "boa ideia", mas é uma boa ideia principalmente para nos federalizarmos internamente.

Para documentar:

"Because the Articles of Confederation, adopted by the states in 1781 as the country's first constitution, have often been considered a failure, it is all too easy to overlook the significant accomplishments of the American government under the Articles. The Confederation negotiated a peace treaty ending the war with Great Britain, carried on diplomatic relations with foreign countries, settled land disputes with the Indian tribes and, in two brilliant pieces of legislation, established a far-reaching policy for the settlement and incorporation of western lands.

After first providing for the survey of the land west of the Appalachian mountains, the so-called Northwest Territory, Congress enacted the Northwest Ordinance of 1787, the single most important piece of legislation in the Confederation period. The Ordinance provided the means by which new states would be created out of the western lands and then admitted into the Union. Governors and judges appointed by Congress would rule a territory until it contained 5,000 free male inhabitants of voting age; then the inhabitants would elect a territorial legislature, which would send a non-voting delegate to Congress. When the population reached 60,000, the legislature would submit a state constitution to Congress and, upon its approval, the state would enter the Union.

The importance of the statute, aside from providing for orderly westerly settlement, is that it made clear that the new states would be equal to the old; there would be no inferior or superior states in the Union. Moreover, in the Ordinance Congress compacted with the settlers of the territories that they would be equal citizens of the United States, and would enjoy all of the rights that had been fought for in the Revolution. Where the Articles of Confederation lacked a bill of rights, the Ordinance provided one that included many of the basic liberties the colonists had considered essential, such as trial by jury, habeas corpus,1 and religious freedom. One should also note, however, the important role that property still played in government, a holdover from British theory that only those with a tangible stake in society should partake in its governance.

The Northwest Ordinance would, with minor adjustments, remain the guiding policy for the admission of all future states into the Union."

Projecto TGV irá estimular economia em até 1,7 por cento do PIB

No Público

"O primeiro-ministro afirmou hoje que os mais de dez mil milhões de euros a investir no projecto de ferrovia de alta velocidade, TGV, em Portugal vão estimular a economia em até 1,7 por cento do PIB (Produto Interno Bruto).

Durão Barroso, que falava no Porto, indicou que o projecto permitirá gerar um valor acrescentado bruto de 14.500 milhões e que cerca de 90 por cento será da responsabilidade da indústria portuguesa."

Nota: o Governo a qualquer momento pode aumentar o PIB. Basta endividar-se para projectos como este. O que é preciso saber é que recursos são desviados de projectos com sustentação natural, e que verdadeiramente sejam desejados pelos consumidores nacionais ou não. Estes projectos são possíveis, desviando coercivamente, poupança, capital e meios humanos, de actividades auto-sustentáveis, essas sim, verdadeiramente importantes no médio longo prazo. A febre dos caminhos de ferro do outro século não ensinou nada?

Federalismo

No Cataláxia

«O federalista não pode, portanto, adoptar para a crença na soberania nacional absoluta senão uma atitude de cepticismo integral, temperada por uma preocupação de clínico: o partidário do Estado-Nação, de facto, não é apenas um homem sem razão ou que persiste, maldosamente, no seu erro. É antes um homem que sofre de um temor mórbido de perder um poder mágico que não existe.»

Self-government como temor mórbido? Serão todas as nacionalidades doenças? Então a Federação Mundial será o Estado perfeito do Homem? Terá sido o Federalismo Alemão de Bismark uma boa ideia? Será a possibilidade de recusa do direito de Secessão por um futuro Federalismo Europeu ou Mundial um erro maldoso (aconteceu dos EUA apenas umas dezenas de anos após a sua Constituição)?

O poder "democrático" que tenho, numa democracia "federal" alargada (tipo europeu ou mundial) aproxima-se virtualmente de Zero. A integração em espaços eleitorais cada vez maiores é mesmo um passe de mágica para acabar com qualquer ideia de soberania individual. Na verdade, é o fim até da ideia de democracia. É a ditadura de uma maioria, um poder, cada vez mais abstracto. Um verdadeiro passe de mágica.

Parabéns a Durão e à Comunidade Urbana de Vale do Sousa

A primeira a formar-se. Ouvi, na rádio, Durão a justificar esta forma de descentralização e não podia concordar mais. Um reforma do território que conta com a livre associação e a passagem gradual de competências, à medida que os próprios a reivindicam. O processo será lento e com altos e baixos, mas seguramente com maior estabilidade e menos intervenção centralizada.

E no Kosovo?

Nota: Ontem vi finalmente o "Bowling for Columbine", que comento mais tarde, apenas aproveito a referência de que no dia seguinte a "Columbine", a Nato teve o dia mais duro dos bombardeamento consecutivos de dia e noite, a alta altitude e com abundantes "collateral damages". As intenções eram boas? Claro, são sempre.

Intervir numa Guerra Civil, em que um grupo étnico tenta acções de separatismo (os muçulmanos albaneses) num território (que representa uma espécie de "Guimarães" para os Sérvios) que sempre foi Sérvio. As guerras civis são sempre sujas e chocam os nossos instintos incluindo a palavra "etnhic cleasing". Hoje, sabemos que os números quanto às acções Sérvias (não existiam "campos de concentração" - a famosa fotografia foi tirada para fora do campo!, os números não eram na ordem de dezenas de milhares...) foram exageradas (não diminui nem desculpa muitos dos seus actos, claro) e como romantizaram os Muçulmanos ("freedom fighters", remember?) que sabe-se, tinham e têm ligações ao terrorismo (incluindo Bin Laden). Após a "liberation", hoje são sérvios, cristãos ortodoxos e as suas igrejas (destruídas durante e após após a "liberation") que sofrem.

No final, lê-se "We bombed the wrong side.". Mas o que deveria ser dito era, porque foi a NATO, uma organização defensiva, envolver-se no assunto? Era para durar uns meses. Não se vislumbra o fim. Os impérios são caros e têm resultados duvidosos. Que fiquemos mais pessimistas com as acções de beneficiência, tentado proteger outras culturas e nações de si próprias ou até dos seus vizinhos e disputas ancestrais mal compreendidas por terceiros.

Kosovo's terrorists continue to wage war

What about Kosovo? A 78-day bombing campaign was undertaken to "liberate Kosovo's ethnic Albanian population" from the hands of "terror-invoking Serbs."

Why was there no media follow- up of the accomplishments of peace-loving and newly liberated Kosovo Albanians? Quite simply, because there are no accomplishments.
...
Albanian rebel offensives resulted in bus explosions of NATO- escorted civilian convoys, brutal murders of civilians tending their fields, random sniper attacks, shootings of children swimming in lakes, night beatings and torture of the elderly, and arson - all against Serbian civilians and all under the watchful eyes of the U.S. and international community.

Could it be because the international community made a grave mistake and has now found itself in a quagmire with no solution in sight? Is it possible that some of the very people NATO was trying to "protect" have turned out, in fact, to be terrorists? Yes!
...
I once asked a NATO commanding general why ethnic Albanian extremists were not unmasked for what they truly are - bloodthirsty, war-waging terrorists. He looked at me, paused, and replied, "How do you begin to go against the very group you supposedly came to help? We obviously did not know who we were dealing with. We bombed the wrong side."

domingo, 11 de janeiro de 2004

CHRISTOPHER HITCENS: LEFT, RIGHT, AND CENTER

Um dos meninos bonitos da nova ordem mundial, dá uma entrevista à Hustler (referenciada por AAA), na introdução:

"The onetime Trotskyist spoke at $70-a-plate luncheons at the posh Beverly Hills Hotel for the right-wing Wednesday Morning Club, a forum for guest speakers founded by fellow radical-turned-reactionary David Horowitz.

Hitchens outspokenly advocated U.S. military invasions of Afghanistan and Iraq, and has voiced his hawkish stance in his latest book, A Long Short War: The Postponed Liberation of Iraq. "

Deixando de parte os seus insultos ("t's insane; it's a nutcase view of a raging fanatic") a Madre Teresa, coisa hoje cada vez mais comum, em opiniões sobre a Igreja e o Vaticano (ninguém se atreva a por em causa a nova moral), fica esta passagem:

"HITCHENS: No. What's ignored in this facile analysis is that, until now, there was a colonial system in the Gulf. America was ruling
colonially through proxy regimes, client states, Saudi Arabia and also Iraq. The bet being taken by this strategy is that by removing
the aggressive, psychopathic element among client states, the ones who turned upon us, a democratic system would be less risky and unstable than the client-state dictatorship. No matter what happens in Iraq now, it'll be better than the situation months ago. It
couldn't be any worse."

Pois, as coisas não podem ficar pior do que já eram. Woodrow Wilson também achava que a Europa não podia ficar pior depois de acabarem os impérios europeus (isto é, alguns pelo menos...). Como é que não têm medo de democracias no médio-oriente, impostas à pressa e por ingerência externa. Donde é que vem esta cegueira?

Descentralização É "Imparável", Garante Miguel Relvas

"Aliás, Relvas está "convencido" que a futura base dos círculos eleitorais passará a estar assente nesta nova reorganização territorial e admite que "no futuro será possível" evoluir para a eleição directa do presidente destes novos organismos. Nesse aspecto, Marcelo - que foi o principal opositor do modelo de regionalização "chumbado" no referendo - não tem mesmo dúvidas de que isso será "inevitável" e que a descentralização acabará por ser uma realidade. Isto apesar de algumas debilidades que a legislação contém. "

sábado, 10 de janeiro de 2004

Historiador Judeu Defende "Limpeza Étnica" dos Árabes

No Público:

Benny Morris ganhou notoriedade, dentro e fora de Israel, quando publicou um livro ("The Birth of the Palestinian Refugee Problem") no qual descreve as operações em larga escala levadas a cabo pelos grupos de resistência judaica, em 1948, contra a população árabe da Palestina. Com ele nasceu a categoria dos "novos historiadores" israelitas, os que fizeram cair mitos.
...
"O novo material mostra que muitos mais massacres foram cometidos por israelitas", disse Morris. "Para minha surpresa, até houve casos de violações. Nos meses de Abril-Maio de 1948, unidades do Haganah [a força que precedeu o actual exército] emitiu ordens operacionais frisando explicitamente que deveriam expulsar aldeões e destruir as suas aldeias. (...) O livro reforça a acusação contra a parte sionista, mas também prova que os que deixaram as aldeias [mulheres, crianças e idosos] foram encorajados [pelos líderes árabes] a fazê-lo."

Morris salienta que o primeiro chefe de Governo de Israel, David Ben-Gurion, defendia a "transferência" de todos os residentes árabes. "Tinha razão. Sem a expulsão dos palestinianos, nunca teria nascido aqui um Estado judaico."

Chocado com a frontalidade de um homem que há décadas "estuda o lado obscuro do sionismo", Shavit perguntou a Morris se ele se tornou um defensor da limpeza étnica. Resposta: "As expulsões de 1948 não foram crimes de guerra. (...) Quando a escolha é entre destruir ou ser destruído, é melhor destruir. Quando a escolha é entre limpeza étnica e genocídio - a aniquilação de um povo - eu prefiro a limpeza étnica. Um Estado judaico não teria existido sem a expulsão de 700 mil palestinianos." M.S.L.

Nota: Sendo provávelmente certo de que não existiria Estado Israelita se não fosse assim, sempre digo que o que lá vai lá vai. Só chateia a defesa da imaculada concepção do Estado, tal como o apoio histérico incondicional de um certo cristianismo fundamentalista (dispensionalists pelo armagaddeon). Todos os Estados nascem da força e os Israelitas souberam-na usar mantendo um estado democrático (possível precisamente pela "expulsão" dos árabes locais). Agora têm de saber fazer a paz. Os árabes também. Mas quem toma a iniciativa tem mais responsabilidades.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2004

o Império

No Valete-Frates

"O Primeiro-Ministro afirma que Clinton acredita que o Iraque Saddamita possuia WMD. Esta notícia está a ter alguma eco a ní­vel internacional."
(...)
É o império neo-conservador nas palavras de Bill Clinton..."

É verdade, Clinton enganou-se (ou mentiu?), os Neo-Con também, e a administração americana também (e o primeiro ministro também). Não havia "Guerra Justa" e os Franceses, Alemães e Russos tinham razão (independentemente das suas razões de interesse) e as inspecções estavam a funcionar. Aliás, foi com Clinton que o império neo-conservador (com origem na esquerda) foi formulado (o intervencionismo humanitário, Kosovo, etc).

Fica apenas a teoria do prevencionismo e das revoluções democráticas e deposição de regimes induzidas por ingerência externa directa ou indirectamente - a escola que leva às ocupações temporáriamente permanentes, soberanias limitadas e bases militares americanas, da Nato ou da ONU, para protecção de regimes frágeis não auto-sustentados, e isso, meus senhores, é o império que, "da liberdade" ou "benevolente", não deixa de ser império.

Podemos estar a favor ou contra, mas é melhor falarmos abertamente sobre ele, a sua lógica, os seus custos e os seus proveitos, a sua moral, o seu ideal, as consequências previsiveis no curto prazo mas também no longo e a possibilidade das imprevistas, e no que a história nos pode ensinar (e não chega gritar Muniche-Hitler-Chamberlein a toda a hora, porque a Segunda Guerra Mundial surge depois de uma Guerra entre Impérios, iniciada por causa de um atentado terrorista e que se transformou num Guerra para "fazer o mundo mais seguro para a democracia").

O Muro

Pode ser uma iniciativa válida, não só porque é uma medida defensiva-passiva para defender a sua fronteira (embora questões possam ser levantadas quanto ao seu traçado) mas também porque pode diminuir a probabilidade de isto aconteçer:

19 left dead in failed hunt for master bomber

In a three-week occupation of the biggest Palestinian city the Israeli army has killed 19 people, wrecked dozens of buildings and confined tens of thousands to their homes in a futile search for the leader of "the heart of the terror networks".

quinta-feira, 8 de janeiro de 2004

E avisa sobre a inflação

"...inflation is a monetary phenomenon, period. They are making a crucial mistake in confusing price changes resulting from fluctuations in supply-and-demand and productivity with price changes that come about from a debasing of the currency. If a central bank creates too much credit, the nominal cost of money eventually rises and investment patterns are skewed.

Make no mistake; the Federal Reserve is inflating. Think of the economy as an automobile engine. Our central bank has lurched from stalling the engine by supplying insufficient fuel--as it did from 1997 to 2001--to flooding it with excessive fuel. Politically, the repercussions won't be felt until after this year's elections, as the full impact of a monetary mistake isn't experienced for 12 to 18 months. "

Como prova esta última sentença, a política monetária (como pode a moeda ser objecto de políticas?) varia esquizofrenicamente entre dois medos extremos: "inflação, inflação, inflação" não, não , agora é "deflação, deflação", não, agora é outra vez "inflação, inflação, inflação".

Pelo caminho uns dizem que é preciso por "mais dinheiro na economia", como se quantidades adicionais de papel façam o que quer que seja pela economia, produtividade, poupança, etc, a não ser todos baralhar (principalmente a desde já confusas mentes dos economistas).

Forbes vende os ovos

Forbes' Faberge Egg Collection Up For Auction

Engraçada a justificação, a família Forbes faz jus à sua idiossincrasia:

"The Faberge Collection was one of the great passions of our father's life. The acquisitions, the auctions and its assembly were extraordinary adventures for all of us.

"For the past 14 years, since his death, we have continued to share this wonderful Collection with the public in the Forbes Galleries and in shows around the world. As our father said in his book, More Than I Dreamed: A Lifetime of Collecting, 'I've often told my children I hope that, if they decide to be done with one of the collections, they will put it back on the auction block so that other people can have the same vast fun and excitement that we did in amassing it.'

The family has now decided it is time for us to make this unique treasure trove available to other collectors so they may have the thrill of owning a rare and exquisite work of Faberge. Also, the sale will allow each of us to pursue our own individual interests, something our family has always valued."
"Of all tyrannies, a tyranny exercised for the good of its victims may be the most oppressive. It may be better to live under robber barons than under omnipotent moral busybodies. The robber baron's cruelty may sometimes sleep, his cupidity may at some point be satiated; but those who torment us for our own good will torment us without end, for they do so with the approval of their own conscience."

-- C.S. Lewis

Não é só falta de senso - já é o princípio do fim

No Mata-Mouros

"A III República está no seu fim e só nos resta assistir ao espectáculo degradante da sua agonia. "

Ok, chegou a hora de uma Monarquia liberal, baseado num Municipalismo de carácter proto-federalista português - cada Município tem o seu sistema democrático (repúblicas ou não locais) e individualmente ou por associação livre a outros municípios é representado num Senado nacional presidido ou arbitrado pelo Rei ou representante. Algumas decisões poderiam requerer unanimidade, outras talvez não.

A Justiça baseado num ambiente misto entre tribunais privados (direito comercial e civil) e públicos (penal e administrativo), impostos municipais autónomos com contribuição directa para o orgão federal.

:)

Re: Federalismo

Como anti-federalista, a "primazia do direito comunitário sobre a própria vontade conjunta (ou maioritária, no caso) dos Governos" não é coisa que me agrade.

Quanto à PEC, a solução de uma multa é muito infeliz porque nenhum país que esteja em déficit estará em condições (incluido políticas) de proceder ao seu pagamento. O único meio coercivo eficaz a aplicar é a recusa por parte do BCE em aceitar emissões adicionais de dívida pública do país em causa - obrigando a uma redução efectiva do déficit ou ao "default" efectivo de compromissos do Estado.

É uma questão de tempo até os economistas e politicos pelo "federalismo" o perceberem e proporem, e um passo na direcção de um estado Federal com capacidade exclusiva de emissão de moeda via dívida pública federal e os Estados nacionais não, tal como se passa nos EUA.

E isto porque a alternativa são situações como a actual, ou ainda relaxar os termos da PEC, etc. Tinha a vantagem: os países finalmente perceberem o que significa uma União Monetária - a capacidade última do BCE em bloquear a emissão de dívida pública de um determinado país.

Brazil's Central Bank to Revive Dollar Purchases

"Brazil's central bank is reviving daily auctions to buy dollars for the first time in five years in a bid to stem a 17 percent rally in its currency in the past 12 months that threatens an export-led economic recovery. "

Neste momento, a generalidade dos Bancos Centrais estão a comprar dólares, emitindo a sua própria moeda (aumentando a sua massa monetária) de forma a conter a valorização/desvalorização da sua/Usd moeda. O Japão está a fazê-lo em grandes quantidades.

Ao mesmo tempo, a subida do Euro reflectirá também procura privada, mas também de Bancos Centrais que querem diversificar as suas "reservas" (um termo talvez erróneo, hoje em dia, porque não são reserva de coisa nenhuma - reservas são a quantidade depositada para servir de cumprimento à devolução de algo depositado ao ser apresentado um recibo) em dólares.

Portanto, por um lado, trocam-se dólares por Euros, por outro, a desvalorização do dólar faz com que os BC de todo o mundo, comprem dólares para conter a sua desvalorização.

Tudo isto indica provavelmente inflação (se o entendermos como subida de preços e não aumento da massa monetária, porque esta já se verifica) nos tempos vindouros, embora para já nada o indique estatisticamente a não ser a subida generalizada de todas as matérias primas, incluindo o Ouro.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2004

Re: O FIM DE UM SÍMBOLO

No Cataláxia.

Concordando com a homenagem ao projecto empresarial do BCP, será necessário afirmar "O Banco Comercial Português fez mais pela democracia e pela liberdade de Portugal do que qualquer partido ou político de então."?

Para a democracia (ou qualquer outro regime político, para o caso), a economia nada contribui, embora a democracia para prejudicar a economia, muito faça :)

O BCP teve a coragem de ser arrojado e inovador no sector da banca, incluindo ao inicialmente assumir uma política (decisão sua, direito seu) de contratação a pender para o masculino (direito - mas não propriamente um dever - à discriminação/exclusão que confere a propriedade privada). Nesse sentido, fez muito pelo espírito empresarial.

Não esquecer o pormenor de que, como outros, beneficiou do processo (sempre político) de privatização de empresas, que em bom rigor (ou seja, se fosse um processo exclusivamente legal/"rule of law"), deveriam ter sido devolvidas aos anteriores proprietários. Seja como for, o mérito deve ser reconhecido.

Cambodia marks Khmer Rouge fall

"About 1.7 million Cambodians died under the communist Khmer Rouge, which ruled from 1975 to 1979. Many victims were executed, while others died of starvation, disease and overwork in the regime's attempt to create an agrarian utopia.
(...)
The Khmer Rouge was ousted by an invading Vietnamese army on January 7, 1979. The Vietnamese withdrew in 1989 but their 10-year occupation continues to rankle some Cambodians, including the nationalist Khmer Front Party."

Nota: Só uma chamada de atenção para os mais distraídos - foram os Vietnamitas e não Americanos, que puseram fim ao regime dos "Khmer Rouge", os quais subiram ao poder pela queda do Príncipe do Cambodja, na sequência da guerra do Vietname e do bombardeamento (mantido secreto por uns tempos) do Cambodja. E nos anos seguintes, na ONU, viu-se a política externa americana (traumatizada com a questão do Vietname) a votar ao lado dos Khmers "ocupados", contra o Vietname.

Como acontece muitas vezes, a política externa das boas intenções e prevencionismo, tem as mais inesperadas consequências e desenvolvimentos, Lyndon Johnson, enquanto aprovava o seu programa de intervencionismo social por uma "Great Society", acreditava que no Vietname se jogava o futuro da Ásia e do mundo. Pois o mundo sobreviveu, mas o que ficou no Vietname e arredores foram mortes e destruição em massa.

De nada fazia tentar explicar que o comunismo, em muitos países colonizados, serviu apenas de bandeira unificadora para movimentos nacionalistas e de independência (se não existisse comunismo seria outra qualquer bandeira), como hoje, parte do fundamentalismo islâmico (e nem todo o fundamentalista é terrorista) cresce não contra a "Liberdade" ou o "Ocidente", mas pela sua presença (bem intencionada, como sempre).

Hojem os próprios Vietnamitas, deixados à sua sorte e ilusões ideológicas fracassadas, fizeram as pazes com o generoso povo americano, amanhã, tal também é possível para o mundo àrabe.

Global Democratic Revolution

*Edmund Burke, the father of conservatism, wrote over 200 years ago: "The nature of man is intricate; the objects of society are of the greatest possible complexity; and therefore no simple disposition of direction of power can be suitable either to man's nature or to the quality of his affairs."

He wrote this with regards to French Revolution, so what then of a revolution that is being imposed by a foreign government that is viewed throughout the Muslim world as being irredeemably hostile towards Islam and Muslims?

Those Muslims who fight America do so believing they are defending Islam. If America continues to interfere in the affairs of Saudi Arabia, attempting to bully the government towards secularism and liberalism, it will have an opposite effect to what is intended. America's security doesn't lie in proving Bin Laden's claims of a war against Islam as being true; America's security lies in proving Bin Laden wrong by leaving the Muslim world to choose their own destiny, in their own time and in their own way.

Nota: GWB falou em Novembro de 2003 numa "Global Democratic Revolution" (digam o que disserem é uma expressão com conotações trotskistas – de que o próprio nem se apercebe - pouco própria de um conservador, e duvido que por exemplo, Thatcher se identifique com tal). Agora, o incrível é que o regime que alguns aconselham a depor está agora a ser atacado pela Al Quaeda e sofre em geral, pressões internas por exagerada cooperação - e depois dizem que a guerra no Iraque fez os Sauditas cooperarem mais na luta contra o terrorismo – portanto, revendo a matéria:

- primeiro, advoga-se a queda do regime Saudita.
- na sequência da queda do regime iraquiano, surge ou aumenta o terrorismo contra o regime saudita, o qual, dizem alguns, tem de cair, ao mesmo tempo que o terrorismo no próprio Iraque aparece do nada.
- depois conclui-se que o intervencionismo no Iraque, está na origem da cooperação Saudita (que “tem de cair” e é atacado por terroristas precisamente para cair).

terça-feira, 6 de janeiro de 2004

Entre a Nação e a Tribo

VITAL MOREIRA escreve contra a lei de interdição de símbolos religiosos "ostensivos".

E sabem que mais? Que maior argumento contra os "cheques educação" do que constatar que esta lei também pende sobre "...escolas privadas financiados pelo orçamento público, do ensino primário e secundário".

Façam o que quiser com o ensino público mas deixem o privado ser privado, livre e desregulado.

Agora quanto ao conteúdo, Vital Moreira reflecte e expõe três vias:

1) "Entre um modelo "comunitarista", que deixa preservar a identidade própria das comunidades imigrantes, com locais privativos de residência, escolas e igrejas próprias, etc. - e que acaba por fomentar o isolamento e a segregação cultural, incluindo a criação de verdadeiros guetos"

2) "...e um modelo de assimilação cultural, que visa nacionalizar "à outrance" as comunidades imigrantes, é evidente que a França pende claramente para a segunda perspectiva. A proibição do véu islâmico nas escolas não é mais do que essa rejeição da diferença e desse anseio de anulação das identidades comunitaristas."

3) "Mas existe uma terceira via, que fomenta por um lado a integração e a coesão social, mas que respeita a diversidade e a manifestação das peculiaridades das diversas comunidades. Nesse aspecto, a escola pública constitui o lugar-chave para a realização dessa perspectiva."

Que via deve ser a nossa? Aquela que respeita a livre escolha e direitos de propriedade das Escola. Esta é a via da livre associação nos locais detidos legalmente pela "associação", nos quais o direito de regulamentar e até excluir são legítimos. E esta, corresponde provavelmente à via "comunitarista". Vital Moreira fala de Guetos depreciativamente, mas vamo-nos lembrar que por exemplo, no caso dos Judeus, durante a sua atribulada história na Europa (bem mais atribulada do que no Médio Oriente sob o domínio Otomano – os seus problemas agravaram-se precisamente com a passagem para o domínio dos impérios europeus na zona), os Guetos (com origem medieval) e Judiarias foram ainda assim, espaços onde preservavam a sua liberdade religiosa e capacidade de manter a sua homogeneidade cultural, de costumes e até de aplicação das suas próprias leis. Mesmo após os maus tratos sofridos e a absurda expulsão ocorrida na península ibérica alguns locais conseguiram manter esta característica.

Os espaços comunitários são uma, ou até talvez, a maior defesa contra uma integração forçada estatalmente, transformando a diversidade numa mescla e pesadelo multi-cultural uniformizante e anulador, precisamente da diversidade humana.

A Privatização do Notariado

Deixando de parte que é mais uma privatização de carácter socialista:

- "não pode ser objecto de comércio jurídico a licença atribuída para o exercício da actividade"
- "o notário é que não pode exercer fora do âmbito geográfico da licença de que é titular"

Podemos imaginar o que seria do serviço de inegável interesse social que são as padarias, se estas não pudessem transmitir o seu negócio, ou até criar "uma casta de padeiros (ou notários) em que os filhos sucedem na profissão aos pais" (porque raio nos dias de hoje, se combate tanto que os pais transmitam aos filhos o que quer que seja - por acaso conhecem melhor escola e formação do que um pai ter todo o seu tempo e paciência, coisa que não existe de todo entre o professor e aluno, a ensinar uma profissão que pretende transmitir ao seu filho, incluindo a responsabilidade de manter o bom nome do negócio e da família?); ou ainda se o âmbito geográfico fosse licenciado. Teríamos, porventura, melhor pão a preço mais baixo?

Mas escrevo esta nota para lançar a pergunta:

Não poderíamos ter tribunais, no âmbito civil e comercial, como empresas privadas, a que as partes de um contrato remetem voluntariamente para resolver conflitos?

Estes, não poriam em causa o acesso aos públicos, e poderiam servir de primeira instância (acho mesmo que a possibilidade de não recurso poderia ser livremente expressa pelas partes). O benefício de ter decisões rápidas e justas (a concorrência obrigaria a isso) diminuiria uma das componentes mais caras na economia e em relações civis em geral: o risco de litígio.

O impacto creio, seria nada menos do que fenomenal.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2004

"An End to Evil", Richard Perle e David Frum

Pat Buchanan avisa:

"According to British journalist David Rennie, a new book by Richard Perle, An End to Evil, demands "regime change in Syria and Iran, and a Cuba-style military blockade of North Korea backed by planning for a pre-emptive strike on its nuclear sites."

The battle for Bush's soul – between the friends of Powell and the friends of Perle – continues into the New Year."

Nota: depois de Frum e Perle acabarem com todo o mal e conseguirem a paz universal pela conquista universal, irão caminhar sobre a água?

Carta armadilhada explode no Parlamento Europeu

"Nos últimos dias, vários dirigentes europeus receberam cartas armadilhadas. Os investigadores acreditam que são os anarquistas italianos os responsáveis por estes atentados."

Se a Europa caminhar para uma Constituição forçada pelas elites políticas, apontando para um Federalismo que resultará num proto-Estado: eleições a nivel europeu (quanto maior, geograficamente, a democracia em que nos inserimos, menor a democracia local), orgão executivo europeu, defesa europeia, impostos europeus - e ainda por cima para querer competir como Estado com o Estado Federal americano - iremos provavelmente assistir ao aumento da violência por grupos dissidentes.

E aqui paro para reflectir sobre a violência - sabemos tudo sobre violência: condenar, apontar - aquela que (estupidamente) é perpretada por indivíduos e grupos, mas nunca usamos a palavra violência para classificar a acções dos Estados, neste caso, para imporem um União forçada de Estados-Nação. Os próprios (políticos) não classificam de violenta sua acção, mas que somos obrigados violentamente a aceitar o que decidem, isso somos.

A única alternativa pacífica à dissidência é o Direito de Secessão, por mais complicado que seja de implementar. Ou porque não a fórmula proposta no País Basco - um "país livremente associado" à UE? Assim, podemos participar do espaço económico e reter a soberania, desta forma até podemos continuar a usar o EURO e respeitar a PEC (se é essa a condição técnica) mas estar fora do projecto indisfarçável de um Estado Europeu.

Buckley Gets It Wrong

Justin Raimundo escreve sobre William F. Buckley, Ayn Rand e e Murray N Rothbard e um pouco da sua história em comum, a propósito do livro (mais um) de Buckley (fundador da National Review).

Ponto de vista interessante sobre Ayn Rand e o seu John Galt:

"Woody objects to the minimalist state advocated by Rand and the libertarians on the grounds that we need to fight Communism with "an air force and a military and a CIA." But it turned out that none of these brought down the Red Empire. In the end, the peoples of the captive nations sat on their hands, and refused to produce, rising up in a massive and relatively nonviolent act of civil disobedience. The Soviet implosion demonstrated, in reality and on a grand scale, the plot-theme of Atlas Shrugged, which tells the story of what happens when the men of intelligence, ability, and integrity go on strike and withdraw their sanction from a system that considers them sacrificial victims. In an important sense, John Galt, the golden-haired hero of Rand's magnum opus and the personification of her ideal man as a free trader in a capitalist society, did take down the Soviet bloc."

Sobre Rothbard:

"Buckley is plain wrong about Rothbard's views on political action (p. 269): far from opposing it as an unprincipled concession to statism, the late libertarian theorist was a longtime Libertarian Party member until he left, in 1991 – when he was of the earliest supporters of Pat Buchanan's 1992 presidential campaign. Buckley is also quite wrong to aver that the Rothbard-Rand split was over "whether there's any life left in the Republican party." As I show in my biography of Rothbard, An Enemy of the State, the issue was the very real personal and psychological abuse Rothbard suffered at the hands of the Rand cult, as well as Rothbard's opposition to the Vietnam war."

Sobre o Causus Bellis no caso do Vietname:

"But the Tonkin Gulf incident, as we know now, was a fabrication: James Stockdale, a Navy aviator who responded to the alleged "attacks" on the U.S. destroyers, says it never happened ... Recently released transcripts of conversations between White House officials and military personnel in the field underscore LBJ's strategy of deception and covert provocation. We were lied into war. Yet Buckley reiterates the lie, as if the truth had not long since been uncovered."

Sobre o ataque a quem luta pela preservação dos States Rights e um verdadeiro (que se prova instável porque não consegue permanecer como tal) Federalismo:

"...and others are utilized to smear supporters of states rights as racist monsters: anyone who challenges the triumph of "civil rights" over property rights is vilified as a segregationist. Getting It Right, in short, tells the story of the American conservative movement as seen through neoconservative eyes."

Passsa pelo cómico: "...Woodroe gets a phone call from General Walker, who wants his opinion on National Review's denunciation of the John Birch Society. "You know," says the General, "A lot of the people who got together to start up that magazine were Communists." He mentions Willi Schlamm, Frank S. Meyer, and James Burnham. Woody testily replies: "Actually, General, Burnham was a Trotskyist." This fails to impress the General, but Woody, determined to stand up to Walker, persists: "The Communists assassinated Trotsky." It was, avers Walker, "a lovers quarrel," and Woody wisely decides he "didn't want to argue that point."

E conclui:

"...conservatives are being asked to throw away their support for limited government and civil liberties in the name of perpetual war – and anyone on the Right who dissents is being smeared as an "extremist," even "anti-American," as David Frum, the neoconservative enforcer of political correctness, has characterized me and others. The smear campaign against authentic opponents of Big Government and Empire continues, and Buckley's National Review is its main conduit. The "Big Government conservatives," who worship at the altar of "national greatness," have their own politically correct version of history."

Estado Neutro Ou Neutralizador?

Por MÁRIO PINTO, no Público.

"Em França, parece que o Estado se prepara para proibir nas escolas públicas o uso de sinais de pertença a uma religião ou cultura religiosa - por exemplo, o lenço das meninas muçulmanas ou os crucifixos dos cristãos se forem de maior tamanho. O pretexto é o da incompatibilidade destas demonstrações com a laicidade do Estado e da escola pública.

Este caso é muito significativo. O Estado começa por estabelecer um verdadeiro monopólio das escolas públicas por via do exclusivo do financiamento público. Depois, impõe nessas escolas um ensino dito neutro.

Porém, é mais do que discutível a neutralidade de soluções impostas. O Estado define a própria neutralidade. Em seu nome liberaliza umas coisas, como por exemplo o aborto, as drogas e a oferta gratuita de preservativos nas escolas; e também em seu nome procede exactamente ao contrário, proibindo o uso de certas peças de vestuário ou de sinais religiosos."

Nota: A minha opinião é que o problema crucial, não é o acto de discriminação ou regulação da indumentária em si pelas Escolas, mas pelo facto de estas serem Públicas. E sendo públicas, o maior problema, vem de tal decisão vir de um orgão central e uniformizador por todas as escolas públicas.

Talvez numa determinada localidade, existam problemas concretos de confrontos e rivalidades entre grupos religiosos que conduzam à necessidade (percepcionada pelos próprios) de um efectivo neutralismo imposto ou até de favorecer a fé cristã. Noutros, a questão nem sequer é levantada. Que interessa? Decisões políticas locais são sempre preferíveis às centralizadas, mesmo que algumas ou parte delas acabem por estar erradas.

Re: Khaddafi Comes to His Senses?

Não há dúvida que é uma boa notícia o que se ouve sobre o regime da Líbia e reforço a ideia de que mesmo alguém como Khaddafi, no fim de carreira e pensando na continuidade do seu país, procura normalizar o seu Estado. E como é verdade a conclusão de que "These [weapons] are no longer defense capabilities", tal é verdade para todas as partes, incluindo os EUA ou qualquer outro país, que aparentemente pensa desenvolver mini-WMD, tal só aumentará a probabilidade do seu uso efectivo, assim como a probabilidade de resposta.

Interessante, a confirmar-se a possibilidade do filho poder assumir os destinos do país. Já tem sucedido em vários países, que não sendo monarquias, se torna a solução mais consensual para o regime, não só em termos de continuidade mas de alteração gradual do mesmo. O caso da Coreia do Norte, podem dizer, prova que até pode piorar o regime, mas é verdade que a Coreia do Norte mostrava sinais de mudanças antes do discurso de quase confronto directo e ameaças de utilização mútua de WMD - lembro-me até que a Coreia do Norte tinha anunciado a criação de um espaço económico livre (sem impostos e regulação - muito à moda do caso de sucesso do pragmatismo dos dois sistemas na China) perto da fronteira, ao mesmo tempo que, na altura, o diálogo com a Coreia do Sul, era aprofundado (depois veio o 11/9 - maldito Bin Laden, até aí Bush tinha textualmente discursado sobre “humble foreign policy” e isso foi submergido pela vaga neo-conservadora e o histerismo generalizado após um atentado conseguido apenas por desleixo).

Seja como for, serão Repúblicas à procura de Dinastias?

domingo, 4 de janeiro de 2004

Iraq faces ethnic conflict on new front after crisis talks fail

telegraph
"Kurds blamed this week's violence on "Arabs faithful to former President Saddam Hussein" and "Turkmen extremists". But Arab leaders have since hit back, with one important tribal sheikh blaming Kurdish "arrogance".

"If Kurds continue to believe that Americans are on their side and just think about achieving maximum gains in the short term, then this will lead to a civil war," Sheikh Ghassan al-Obeidi said.

While the immediate cause of the week's fighting has been the Kurdish vision for Kirkuk, hatreds between the ethnic groups are fuelled by decades-old disputes."

Mais reflexões sobre democracia

"Power and Market" by Murray N. Rothbard

No capítulo dedicado à Democracia, contém:

"Does democracy mean majority rule over a larger, or over a smaller, area? In short, which majority should prevail? The very concept of a national democracy is, in fact, self-contradictory. For if someone contends that the majority in Country X should govern that country, then it could be argued with equal validity that the majority of a certain district within Country X should be allowed to govern itself and secede from the larger country, and this subdividing process can logically proceed down to the village block, the apartment house, and, finally, each individual, thus marking the end of all democratic government through reduction to individual self-government. But if such a right of secession is denied, then the national democrat must concede that the more numerous population of other countries should have a right to outvote his country; and so he must proceed upwards to a world government run by a world majority rule. In short, the democrat who favors national government is self- contradictory; he must favor a world government or none at all."

e onde conclui:

"If the arguments for democracy are thus shown to be a maze of fallacy and contradiction, does this mean that democracy must be completely abandoned, except on the basis of a purely arbitrary, unsupported value judgment that “democracy is good”? Not necessarily, for democracy may be thought of, not so much as a value in itself, but as a possible method for achieving other desired ends. The end may be either to put a certain political leader into power or to attain desired governmental policies. Democracy, after all, is simply a method of choosing governors and issues, and it is not so surprising that it might have value largely to the extent that it serves as a means to other political ends. The socialist and the libertarian, for example, while recognizing the inherent instability of the democratic form, may favor democracy as a means of arriving at a socialist or a libertarian society. The libertarian might thus consider democracy as a useful way of protecting people against government or of ad vancing individual liberty.28 One’s views of democracy, then, depend upon one’s estimates of the given circumstances."

sábado, 3 de janeiro de 2004

Tolkien e propriedade intelectual

Num artigo de Roderick T. Long - The Libertarian Case Against Intellectual Property Rights (chamada de atenção por Ibergus) e onde afirma:

"The status of intellectual property rights (copyrights, patents, and the like) is an issue that has long divided libertarians. Such libertarian luminaries as Herbert Spencer, Lysander Spooner, and Ayn Rand have been strong supporters of intellectual property rights. Thomas Jefferson, on the other hand, was ambivalent on the issue, while radical libertarians like Benjamin Tucker in the last century and Tom Palmer in the present one have rejected intellectual property rights altogether.

When libertarians of the first sort come across a purported intellectual property right, they see one more instance of an individual's rightful claim to the product of his labor. When libertarians of the second sort come across a purported intellectual property right, they see one more instance of undeserved monopoly privilege granted by government.

I used to be in the first group. Now I am in the second. I'd like to explain why I think intellectual property rights are unjustified, and how the legitimate ends currently sought through the expedient of intellectual property rights might be secured by other, voluntary means."

Apresenta também duas histórias sobre Tolkien a propósito da sua argumentação, aqui está a segunda:

Second Tolkien Story

"Let me close with a second story about Tolkien and his famous trilogy. The first edition of The Lord of the Rings to be published in the United States was a pirated edition from Ace Books.

For reasons which I now forget, Tolkien could not take legal action against Ace. But when Ballantine came out with its own official author-approved American edition of The Lord of the Rings, Tolkien started a campaign against the Ace edition. The Ballantine edition was released with a notice from Tolkien in a green box on the back cover stating that this was the only authorized edition, and urging any reader with respect for living authors to purchase no other. Moreover, every time he answered a fan letter from an American reader, Tolkien appended a footnote explaining the situation and requesting that the recipient spread the word among Tolkien fans that the Ace edition should be boycotted.

Although the Ace edition was cheaper than the Ballantine, it quickly lost readers and went out of print. The boycott was successful.

It might be objected that Tolkien devotees tend to be more fanatical than the average readers, and so such a strategy of boycott could not be expected to succeed in ensuring such loyalty generally. True enough. But on the other hand, Tolkien's boycott was entirely unorganized; it simply consisted of a then-obscure British professor of mediæval language and literature scribbling hand-written responses to fan letters. Think how effective an organized boycott might have been!"

De notar

JPP a ler Gore Vidal, que para quem não sabe, é um americano de gema, cuja família está ligada desde sempre às elites, sulista, crítico de Lincoln, do tipo left-libertarian, admirador da sua Constituição e dos Founding Fathers. Tem escrito sobre a sua história. Crítico do presente. Umas vezes concordo com o que diz, outras não. Seguramente não é um anti-americano, mas um patriota americano.

The Year of Iraq

No Opinion Journal

"... A dictator of 30 years has been toppled, in remarkably rapid fashion, and now captured to stand trial ..."

Muitos ditadores duraram 30 anos apoiados pelo Ocidente, muitos ainda duram. Será o War Street Journal, um jornal pela revolução internacional?

"The fragmentation of Iraq that was widely predicted has also failed to occur..."

Será uma previsão válida depois da ocupação acabar? Se e quando acabar, porque um dos motivos para não acabar poderá ser mesmo o risco de desintegração (esperem um pouco mais) e a confusão no domínio do petróleo e nos investimentos realizados na reconstrução.

"The insurgency in the Sunni Triangle will continue to be a danger, and the solution there is both military and political...[As destructive as they are, the truck bombs in Iraq are only strategically notable because this time they are not driving the U.S. home.] "

Que absurdo, o único ataque conhecido foi conseguido com "box cutters" e o Iraque, sabemos nós, não tinha qualquer capacidade militar para ameaçar os seus vizinhos, quanto mais os EUA.

"Beyond American troops, more and more Iraqis are also now joining the fight for their own country..."

Iraquianos a lutar pelo Iraque será o mesmo que Kurdos pelo Kurdistão, Shiitas pelo Sul, ou simplesmente árabes por um estado islâmico? Os únicos que lutam pelo Iraque multi-étnico-religioso como Estado-Nação parecem ser mesmo os Sunitas.

"...No one has been more impressed by the U.S. invasion than the Saudis, who are finally cooperating seriously against al Qaeda."

O que se passa é que a Al Qaeda aumentou os ataques contra os Sauditas - os tais que são objecto dos planos de mudança de regime pelo efeito “dominó”!

"Colonel Gadhafi got the message that playing with WMD is a bad career choice, while Iran is at least meeting with the U.N...respect for America has only increased with this demonstration of strength and purpose."

Long time ago…que Gadhafi tem aos poucos mostrado preocupação em regularizar os destinos da Líbia, ainda antes do 11/9 (e apesar de ter visto um seu filho morto num ataque directo a si nos anos 80). É típico de um espírito intervencionista em não reconhecer as consequências a prazo e em procurar ter os louros daquilo que corre e correria de qualquer forma bem...na verdade o comportamento de Gadhafi mostra, como antes já tinham mostrado outros ditadores que duram há "30 anos", que se apercebem que o seu país dependerá de outros mais tarde ou mais cedo, induzindo-os a fomentar uma normalização do regime no fim da sua longa carreira. Os que não o fizeram acabaram mal como Phalevi no Irão, que durou perto de 30 anos, colocado pela CIA (contra eleições democráticas) e apoiado pelo Ocidente até à Revolução (pela mudança de regime) de Khomeni.

"Another global benefit of the war is the end of illusions about the United Nations and a certain kind of "multilateralism." The U.N. couldn't enforce its own resolutions before the war, and afterward it fled Iraq the first time it was targeted by terrorists...only the U.S. has the political will and military means to defeat global threats. American Presidents in the future will likewise have to build coalitions on an ad hoc basis, often working around a U.N. Security Council obstructed by France "

Só existe terrorismo no Iraque depois da sua ocupação e a ONU não tem nem nunca deverá ter meios de forçar as suas resoluções porque isso significaria um governo mundial e um exército mundial a impor resoluções a Israel, coisa que não desejo.

“ The most important Iraq result, however, has been the demonstration of U.S. public support. Even amid the worst of the casualty reports in November, some 60% of Americans said the war was worth fighting ...”

Isto sim é notável e será bom (nunca até aos nossos dias tinha existido nacionalismo americano, nota-se já até um certo chauvinismo, principalmente contra o seu aliado histórico contra o Império Britânico – a França)?

Na Grande Guerra, onde todos estavam contra todos por coisa nenhuma, o apoio popular era geral e fundado num nacionalismo pelo império, tendo dado no que deu, e tudo começou por causa de um acto terrorista (o assassinato do arquiduque em Sarajevo) e o prevencionismo da Áustria (o ultimato à Sérvia) não distinguindo entre terroristas e “Estados que o suportam” (porque a seguir vêm os Estados que suportam Estados que suportam terroristas).

Re: "A falsa Descentralização"

No Mata-Mouros:

"1. Os requisitos iniciais das GAM e das ComUrb são vagos e deixam em aberto possibilidades bastante perigosas (regiões políticas, regiões ricas que vão preterir os municípios pobres, não há limite máximo de municípios – por absurdo, é possível formar uma GAM com 150 municípios, etc.)."

Nota: as regiões que se formarem são as que os próprios querem que se forme, não deve existir número máximo nem mínimo, nem impedir que os municípios "ricos" se agreguem ou não.

"2. Os requisitos iniciais das GAM e das ComUrb não se mantêm depois da sua implementação. I. é, por exemplo, o nexo territorial é exigido para se fazer uma GAM ou ComUrb, mas se um ou mais municípios saírem estas mantêm-se de modo descontínuo. Podemos ter GAM’s sem nexo territorial, com um município aqui e acolá, isolados tipo ilhas – o que é um disparate!"

Nota: a descontinuidade é uma possibilidade mas improvável, mas ainda que aconteça, os próprios terão o maior incentivo a ultrapassar ou minorar as questões que se levantem.

Conclusão: o caminho parece-me o correcto, mais que a regionalização desenhada de uma vez só pelas estruturas e elites centrais. Assim, talvez esta forma de regionalizar seja mais demorada mas será porventura mais estável porque mais consensual e ao ritmo requerido pelos próprios. Talvez cheguemos a um Federalismo nacional.

Re: "As generalizações abusivas", no Crítico

Numa resposta ao "Posts liberais em blogs não liberais", do Liberdade de Expressão

CM parece ser um conservador crítico do liberalismo, o que parece ser consistente com a sua confiança na validade do seu positivismo quanto à ciência económica mas inconsistente quanto ao seu suposto conservadorismo, que, parece-me, deve ter a mais elevada das desconfianças em tratar a natureza e acção humana como elementos ou partes racionais de um todo, cujo plano final é apreensível pela mente humana.

A economia, como ciência positivista e de método epistemológico análogo ao das ciências físicas, tem mostrado o seu falhanço completo, quer na sua versão extrema de combater a propriedade a bem de uma eficiência comprovável cientificamente quer na versão soft de social-democracia de esquerda ou direita. E nada pode ser mais contrário ao sentimento conservador do que a aceitação de que os nossos actos, para além do respeito mútuo pela propriedade e livre arbítrio, são passíveis de ser regulados por uma elite que tira conclusões a partir de um qualquer método científico e, obviamente, estando qualquer coisa provada, serve para oprimir e esmagar a soberania individual. Assim o é, quer em termos económicos quer para o estudo de sistemas sociais.

Recomendo para esta discussão:

In Defense of “Extreme Apriorism”, By Murray N. Rothbard, 1957 article on method from the Southern Economic Journal

"All the positivist procedures are based on the physical sciences. It is physics that knows or can know its “facts” and can test its conclusions against these facts, while being completely ignorant of its ultimate assumptions. In the sciences of human action, on the other hand, it is impossible to test conclusions. There is no laboratory where facts can be isolated and controlled; the “facts” of human history are complex ones, resultants of many causes. These causes can only be isolated by theory, theory that is necessarily a priori to these historical (including statistical) facts.

In physics, the ultimate assumptions cannot be verified directly, because we know nothing directly of the explanatory laws or causal factors. Hence the good sense of not attempting to do so, of using false assumptions such as the absence of friction, and so on. But false assumptions are the reverse of appropriate in economics. For human action is not like physics; here, the ultimate assumptions are what is clearly known, and it is precisely from these given axioms that the corpus of economic science is deduced. False or dubious assumptions in economics wreak havoc, while often proving useful in physics.

(...)

Postivists of all shades boggle at self-evident propositions. And yet, what is the vaunted “evidence” of the empiricists but the bringing of a hitherto obscure proposition into evident view? But some propositions need only to be stated to become at once evident to the self, and the action axiom is just such a proposition. Whether we consider the Action Axiom “a priori” or “empirical” depends on our ultimate philosophical position. Professor Mises, in the neo-Kantian tradition, considers this axiom a law of thought and therefore a categorical truth a priori to all experience. My own epistemological position rests on Aristotle and St. Thomas rather than Kant, and hence I would interpret the proposition differently. I would consider the axiom a law of reality rather than a law of thought, and hence “empirical” rather than “a priori.” But it should be obvious that this type of “empiricism” is so out of step with modern empiricism that I may just as well continue to call it a priori for present purposes. For (1) it is a law of reality that is not conceivably falsifiable, and yet is empirically meaningful and true; (2) it rests on universal inner experience, and not simply on external experience, that is, its evidence is reflective rather than physical7; and (3) it is clearly a priori to complex historical events."

Segurança nos voos

Não sei se o AEI já reparou que tem um resident Scholar a escrever regularmente no Lewrockwell, seja como for John Lott tem sido uma das pessoas que mais tem combatido os argumentos contra o direito à organização da defesa pelas pessoas e empresas, os quais tiveram consequências bem trágicas no 11/9 ao impedir-se por legislação federal, a posse de armas pela tripulação e, em especial, pelos pilotos que têm de defender o acesso à cabine.

John Lott, a resident scholar at the American Enterprise Institute, has advised both the Airline Pilots Security Alliance and the Allied Pilots Association on security issues. He is the author of The Bias Against Guns (Regnery 2003).

Arm the Pilots

"The fears of bullets damaging planes are greatly exaggerated. As Ron Hinderberger, director of aviation safety at Boeing, testified before Congress: "Commercial airplane structure is designed with sufficient strength, redundancy, and damage tolerance that a single or even multiple handgun holes would not result in loss of an aircraft. A bullet hole in the fuselage skin would have little effect on cabin pressurization. Aircraft are designed to withstand much larger impacts."

Arming pilots is nothing new. Until the early 1960s, American commercial passenger pilots on any flight carrying U.S. mail were required to carry handguns. Indeed, U.S. pilots were still allowed to carry guns until as recently as 1987. There are no records that any of these pilots (either military or commercial) carrying guns have ever caused any significant problems"

Descentralização

A acompanhar o actual processo que prevê "...criação de Grandes Áreas Metropolitanas (GAM), Comunidades Urbanas (ComUrb) e Comunidades Intermunicipais. Todas elas constituem uma espécie de associações de muncípios com poderes reforçados."

Estou de acordo (o que é em geral muito difícil) com o conceito de serem os municípios a tomarem a iniciativa de formarem àreas por associação. Penso mesmo que deve o Estado central permitir que os municípios que apresentem a vontade e um plano de acção consistente, possam estes assumir responsabilidades no domínio da segurança, educação, saúde, etc, passando estes a receber a sua quota parte do orçamento que nesse domínio estava afecto à administração central, implicando passar a gerir directamente as escolas, universidades, hospitais, etc.

Teremos assim uma descentralização gradual, não imposta eou desenhada centralmente, e realizada à medida que os próprios reivindiquem competências. Uns serão mais rápidos, outros não, mas a concorrência saudável e a observação gradual das experiências dos primeiros ajudarão os segundos.

Ao mesmo tempo, deveria prever-se já que em certos domínios e com a mesma filosofia (a vontade de e a demonstração da capacidade de), possam as Juntas de Freguesia assumir responsabilidades na prestação de serviços e na organização de tomadas de decisão localizadas sobre diversos assuntos de gestão do espaço comum como a segurança (contratação de empresas privadas), a manutenção e rentabilização de espaços públicos, etc.

Boas notícias

Finalmente temos preços livres nos combustíveis (embora parcialmente, uma vez que uma grande componente do preço final depende do imposto fixado) e um maior acesso a concorrência na distribuição de electricidade. Os preços poderão subir ou poderão descer, mas isso é irrelevante, somos mais livres e isso, conduz, por incrivel que pareça (para alguns), a uma maior eficiência equilibrada pela preferência dos consumidores.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2004

Indumentária nas Escolas Públicas

No Mata-Mouros, por CAA:

"Se o Estado francês tivesse mantido uma salutar pose neutral, indiferente e não intervencionista, este conflito seria um mero episódio precário e transitório. Assim, desastradamente, o Estado-Pai-Protector criou uma causa para os inimigos da Liberdade e prejudicou a assimilação de muitas pessoas à sociedade aberta e livre."


De Ludwig von Mises: "There is, in fact, only one solution: the state, the government, the laws must not in any way concern themselves with schooling or education. Public funds must not be used for such purposes. The rearing and instruction of youth must be left entirely to parents and to private associations and institutions."

Podem as Escolas privadas regular a indumentária? Certamente, a sua propriedade e risco de negócio (ou sucesso de acção privada de beneficência) recai sobre os accionistas ou associados de fundação, instituto, igreja, etc. Os utilizadores-clientes são livres de recusar o serviço se não gostarem da regulamentação em causa.

Pode o Estado regular a indumentária? Bem...pode o Estado regular o que quer que seja? No caso em concreto, deseja o Estado ser neutro ao proibir a expressão da cultura e religião (bem, na verdade, só da religião; para ser neutro culturalmente tinha de proibir as modas ou correntes, sejam punk, new-age, ecológicas, etc). Ora, nada é neutro ao impor a neutralidade. Muito menos impor a mesma solução a todas as Escolas.

O mal menor viria de deixar à  escolha de cada Escola ou ainda Municí­pio, a capacidade de regular a indumentária.

"Janeiro, 1904", Miguel Sousa Tavares

"Nesse período da viragem do ano para 1904, a "Illustrated London News" regozijava-se com o restabelecimento da saúde do Kaiser alemão, reaparecido em público na Ópera de Berlim e que, dez anos depois, reapareceria novamente para desencadear a terrível guerra de 1914/18, em que uma geração de jovens ingleses seria massacrada pelos canhões Krupp nas trincheiras da França e da Flandres, sacrificada ao mais fútil dos motivos políticos e à mais estúpida estratégia de que a história militar guarda registo.

Lá longe, no Oriente, o Japão preparava-se para a guerra com a Rússia, que haveria de conduzir à derrocada do regime dos czares e instituir o império do Sol Nascente como única potência dominante no Pacífico, até desembocar, quase quarenta anos depois, no episódio decisivo de Pearl Harbour. (...)

Na América Central, o Panamá acabava de declarar a sua secessão da Colômbia, instigado pelos americanos, cujo Presidente, Theodore Roosevelt, preparava a construção do canal e o direito de suserania americano, que só teve fim há meia dúzia de anos.

É isto que a história, sobretudo quando lida a uma distância "mediana", tem de fascinante: a compreensão da forma como as coisas se formaram e evoluíram, como germinaram as alianças e os ódios, como se compôs a geografia e nasceram os nacionalismos, como se sufocaram as revoltas que depois renascem, quem estava então certo e quem estava fora da razão. Quando olhamos as coisas a cem anos de distância, percebemos como foi que tudo aconteceu desde então e porquê. E, inevitavelmente, somos assaltados pela pergunta: "E se tem sido diferente? Se o arquiduque da Áustria não tem sido morto em Sarajevo? Se o governo nipónico, que falhou as negociações de paz com a Rússia, não tem sido demitido pelo imperador, no Natal de 1903, e substituído por um gabinete de guerra? Se o governo suíço não tem autorizado Lenine a partir num comboio especial para S. Petersburgo?"


Nota:

MST parece estar a intuir o que se torna claro na história do século 20, pequenos passos, pequenos intervencionismos, pequenas acções de construção de cada um do seu império de influência (a Inglaterra tinha o maior, os outros queriam o seu pedaço)...tudo em direcção a um desastre que levou a duas guerras mundiais, o fascismo, o comunismo, a social democracia. Em poucas palavras, um retrocesso em termos de liberdade e respeito pela propriedade que ainda perdura. Como evitar que volte a acontecer, enquanto tentamos desmantelar os mitos da social-democracia?

sábado, 20 de dezembro de 2003

Faleceu Orlando Vitorino (1922-2003)

Só soube ontem (Sexta-feira), através de uma notícia na secção cultural do jornal "Público" que falecera no passado Domingo o Dr. Orlando Vitorino, o maior vulto intelectual do liberalismo português contemporâneo. Licenciado pela Faculdade de Letras de Lisboa em Filologia Românica e Ciências Histórico-Filosóficas, Vitorino veio a revelar-se um dos mais originais pensadores da corrente denominada Filosofia Portuguesa e teve uma intensa actividade enquanto crítico, jornalista e publicista, e ainda como encenador e realizador de cinema. O seu legado intelectual teve a feliz originalidade de ligar explicitamente a tradição filosófica em que se situava à tradição liberal, o que ficou magistralmente exposto na sua principal obra, "Refutação da Filosofia Triunfante" (1976), em que atacou profundamente a mentalidade colectivista que suportava o então triunfante socialismo português. Nessa obra, Vitorino defende um são individualismo assente nos três princípios inseparáveis da procura da Verdade (legada pela filosofia clássica dos Gregos), da Justiça (legada pela ordem jurídica romana) e da Liberdade (legada pelo cristianismo) e que são o ponto de partida para a defesa que faz da "politeia" aristotélica (a que chama "poliarquia") como melhor regime político e da economia política dos clássicos como o melhor sistema económico (embora com a lucidez de já recorrer aos Austríacos, e a Mises em particular, para abordar a questão do valor e da moeda). O milagre intelectual que representou o aparecimento de um tal livro no Portugal de então foi continuado por um persistente esforço de Vitorino em divulgar o liberalismo nas suas vertentes filosófica, política e económica: na revista "Escola Formal" atacou o sistema estatal de educação, em 1980 traduziu e editou "O Caminho para a Servidão" de F. A. Hayek e em 1983 publicou "Exaltação da Filosofia Derrotada", um complemento à "Refutação", em que apresenta e faz o elogio de Mises, Hayek e Friedman (embora se identificasse sobretudo com os dois primeiros). Convém ler as obras de Vitorino para nos espantarmos não só com a clareza cristalina da sua argumentação, mas também com o entusiasmo que as ideias liberais imprimiram a um intelectual opositor do Estado Novo que recusou o consenso marxista desse lado da "barricada"; poucos homens do meio cultural no Ocidente (quanto mais em Portugal!) poderiam dizer, como Vitorino pôde confessar, que a descoberta dos grandes economistas liberais do século XX foi uma experiência de profunda libertação e felicidade intelectual. E talvez Vitorino tenha chegado a saber que, para outros, mais novos, um livro como a "Refutação" representou exactamente a mesma experiência...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2003

Truman Knew Japanese Wanted to Surrender

"According to President Harry Truman, one direct consequence was the decision of the Japanese to surrender — after the Soviet Union declared war on Japan on Aug. 8 and the U.S. dropped a second atomic bomb on the city of Nagasaki on Aug. 9. But others have insisted that the atomic bombings were not necessary to end the war.

It is an interesting and relevant fact that this controversy was initiated in 1945 by conservatives such as Time magazine publisher Henry Luce, Gen. Dwight D. Eisenhower, New York Times military correspondent Hanson Baldwin and David Lawrence, editor of U.S. News, who wrote in October 1945: "Competent testimony exists to prove that Japan was seeking to surrender many weeks before the atomic bomb came."

This is a view that historical research has confirmed. The discovery of President Truman's handwritten private diary, for example, revealed that on July 18, 1945, he had read a "telegram from Jap Emperor asking for peace…. Believe Japs will fold up before Russia comes in. I am sure they will when Manhattan [atomic bomb] appears over their homeland." And again, on Aug. 3, 1945, Walter Brown, an aide to Secretary of State James F. Byrnes, noted in his diary that Truman and his aides "agreed Japs looking for peace…. ""

Nota: alguns são levados a pensar que o meu criticismo da política externa americana incentiva o anti-americanismo (já de si, uma palavra repetida até à exaustão que fica esvaziada de sentido e que por outro, esconde um já indisfarçável chauvinismo nacionalista americano - algo impensável porque a América fundava-se nos seus Estados e não numa ideia de País representado pelo Estado Federal com uma qualquer missão internacionalista, mas a guerra fria tudo modificou - para pior), mas o que se pretende é demonstrar que o Estado, mesmo ou especialmente em assuntos de defesa e política internacional, e até numa Nação que em tempos prosperou na sua ausência, é levado às piores consequências com origem em acções de homens bem intencionados que querem o nosso bem. O problema não é o poder mal usado, mas sim a própria capacidade de deter o poder. E mesmo em acções de guerra de legítima defesa o pior acontece, seja no bombardeamento intensivo das cidades alemãs, no uso de WMD sobre cidades japonesas, no bombardeamento no Vietname, Laos e Cambodja, etc.

Existe um boa razão para a extrema prudência e aversão aos conflitos fora do território nacional: os tradicionais erros, grupos de pressão de interesses (quer ideológicos quer mesmo financeiros), engodos, incompetências, ineficiências, que caracteriza em geral a acção do Estado, resultam em desastres de proporções desumanas. Harry Truman e Roosevelt contribuíram para o que seria o domínio soviético de Estaline nos pós Segunda Grande Guerra. Quiseram-no especificamente? Talvez não. Mas faz parte das unintended consequences das suas acções, que remontam já a Woodrow Wilson na Grande Guerra.

Gold bug talk

1) Central Bank sales and the gold price

"It surprises me when gold investors, particularly those who believe that gold is money, denounce Central Bank gold sales. Central Bank sales are good for the gold market because private ownership of gold is a pre-requisite if gold is ever to be used as currency again.

Whenever gold is ubiquitously used as money, the majority of it is in private hands simply because the private sector, as a whole, has significantly more capital than governments. Whenever the world is forced off a gold standard, it is done in conjunction with gold confiscation. This allows the government to shift to a fiat currency that it can inflate without giving the citizenry an opportunity to use gold as a competing currency.

Look at Central Bank sales as a transfer of gold from weak hands (those inclined to sell, the Central Banks) to strong hands (those who believe in gold as a store of wealth and inclined to hoard, the public). This is positive for the gold market, especially since the sales don't even depress the gold price. It's proof of just how robust the gold market really is."

2) Pac-Man, Clicks & Bricks

The second phase of this bull market is about to begin with institutional interest in gold beginning to pick up. Several of the world exchanges are initiating programs to begin trading in gold. Several ETFs are now going through the registration process and interest in gold and silver equities is growing by the day.
...
There are two main reasons that are going to drive this bull market to even higher ground and I believe to levels never dreamed before. The main drivers of this new bull market are still going to be for monetary and fundamental reasons. Central banks and especially the US. Fed are printing money as never before.

In order to keep their own currencies from rising too rapidly, other central banks are also expanding their money supply and intervening in the currency markets. In this fiat paper money system now used globally, the creation of money is made by a handful of men. As governments pursue polices to foster growth and avoid deflation, they are actively involved in debasing their currencies.

Western governments and other nations around the globe are saddled with onerous debt burdens. There is no way out, but to inflate. There isn’t enough money to bail the U.S. or any other large debtor of its debt predicament. It has become only a matter of time before the present monetary system begins to unravel and the people find out that the emperor has no cloths."

Prisioneiros de Guantanamo têm direito a advogado, diz tribunal federal

"Um tribunal federal de São Francisco (Califórnia) decidiu que os detidos na base naval norte-americana de Guantanamo (Cuba) têm direito a um advogado e a aceder ao sistema judicial norte-americano.

O tribunal federal, composto por três juízes, estimou por dois votos contra um, que os cerca de 660 prisioneiros oriundos de cerca de 40 países e detidos em Guantanamo em nome da "guerra contra o terrorismo" têm direito a um advogado e às vantagens do sistema judicial americano."

O sistema vai funcionando, e entretanto levantam-se muitas questões: nos termos tradicionais da "rule of law":

Como podem combatentes num país terceiro serem acusados e julgados devidamente por se oporem a uma invasão? porque a invasão foi para remediar um atentado? Mas como ligar o crime do atentado à resistência a uma mudança de regime? Podem as pessoas em causa, agora prisioneiras, ser devidamente conectadas em termos de cumplicidade a um atentado cometido por terceiros? Ou é apenas por que resistiram? Seguiam ordens e devem ser tratados como tal? Ou devem ser tratados como prisioneiros comuns de guerra dum exército perdedor? Ou como cúmplices directos?

Non-Coercive Justice and Simple Punishment

"The common law that developed in the Middle Ages had some elements of non-coercive enforcement, though decisions were not always enforced in a libertarian manner. However, the unique law that was developed by merchants did have this character. Bruce Benson explains that merchant courts developed because the other options of the time, royal courts or common law courts, would not honor contracts regarding the payment of interest or would not allow books of account as evidence. (3) Benson also explains how the decisions of these courts were not backed by violence but rather from the voluntary boycotting of other merchants. Quoting William Wooldridge, “Merchants made their courts work simply by agreeing to abide by the results. The merchant who broke the understanding would not be sent to jail, to be sure, but neither would he long be a merchant, for the compliance exacted by his fellows, their power over his goods, proved if anything more effective than physical coercion.” (4)

The merchant law settled contract disputes and resolved issues such as fraud. Though the scope of the law was limited, there is no reason to expect that such a system could not be applied to all law. In fact, we can cite a modern system of law with voluntary enforcement that regulates all manner of behavior. This is the Amish code of conduct.

(...)

The structure of a justice system in a stateless society is an intriguing question to libertarians and anarchists. Unfortunately, many suggestions for private courts and enforcement agencies set up nothing more than little competing states. Such “private” courts would be more like states in character because they must violently enforce their decisions. Furthermore, since it is unethical to coercively punish criminals, the stage is set for these illegitimate entities to keep enlarging their violations of rights. It is only a matter of degree between putting a thief on a chain gang and extorting payment from the people of a given region for the court’s dubious service of justice. The only alternative is to recognize that no one has the right to deprive criminals of their rights, and that any punishment must be accomplished by voluntary means. Aside from being the libertarian solution for justice, such a system would promote community and prevent any court from quietly becoming a government and landing us back in the situation we have today. "

Jacob Halbrooks, strike-the-root

Oh, well...

1) Finding Nothing, David Kay Leaving. Is the Search for WMD Over?

"After eight months of fruitless search, George Bush has in effect washed his hands of the hunt for Iraq's weapons of mass destruction, in whose name the United States and Britain went to war last March.

David Kay, the CIA adviser who headed the US-led search for WMD, is to quit, before submitting his assessment to the US President in February."

2) 'Evidence' of al-Qaeda-Iraq Link Faked

"A document tying the Iraqi leader with the 9/11 terrorist is probably fake. Dec. 17 - A widely publicized Iraqi document that purports to show that September 11 hijacker Mohammed Atta visited Baghdad in the summer of 2001 is probably a fabrication that is contradicted by U.S. law-enforcement records showing Atta was staying at cheap motels and apartments in the United States when the trip presumably would have taken place, according to U.S. law enforcement officials and FBI documents."



quinta-feira, 18 de dezembro de 2003

J.R.R. Tolkien

"My political beliefs lean more and more to Anarchy (philosophically understood, meaning abolition of control not whiskered men with bombs) – or to 'unconstitutional' Monarchy ... Give me a king whose chief interest in life is stamps, railways, or race-horses; and who has the power to sack his Vizier (or whatever you care to call him) if he does not like the cut of his trousers."

"I am not a `democrat' only because `humility' and equality are spiritual principles corrupted by the attempt to mechanize and formalize them, with the result that we get not universal smallness and humility, but universal greatness and pride, till some Orc gets hold of a ring of power--and then we get and are getting slavery" (The Letters of J.R.R. Tolkien, 1995, p. 246)

"You can make the Ring into an allegory of our own time, if you like: and allegory of the inevitable fate that waits for all attempts to defeat evil power by power" (The Letters of J.R.R. Tolkien, p. 121).

When Frodo offers him the Ring, the wise Gandalf cries:

"No! With that power I should have power too great and terrible. And over me the Ring would gain a power still greater and more deadly! Do not tempt me! For I do not wish to become like the Dark Lord himself. Yet the way of the Ring to my heart is by pity, pity for weakness and the desire of strenght to do good. Do not tempt me! I dare not take it, not even to keep it safe, unused" (The Lord of the Rings, 2001, p. 60.)

Pearce quotes Tolkien as saying: It is no coincidence that The Shire is portrayed as an idyllic rural society with little formal government, while Mordor is quite emphatically an industrial, collectivistic slave-state.

Pearce quotes poet Charles Coulombe, "In an age which has seen an almost total rejection of the Faith on the part of the Civilisation she created, the loss of the Faith on the part of many lay Catholics, and apparent uncertainty among her hierarchy, Lord of the Rings assures us, both by its existence and its message, that the darkness cannot triumph forever."

"For Tolkien," writes Pearce, "Catholicism was not an opinion to which one subscribed but a reality to which one submitted . . . . Tolkien remained a Catholic for the simple if disarming reason that he believed Catholicism was true."

Senators were told Iraqi weapons could hit U.S.

"U.S. Sen. Bill Nelson said Monday the Bush administration last year told him and other senators that Iraq not only had weapons of mass destruction, but they had the means to deliver them to East Coast cities.

Nelson, D-Tallahassee, said about 75 senators got that news during a classified briefing before last October's congressional vote authorizing the use of force to remove Saddam Hussein from power. Nelson voted in favor of using military force.

Nelson said he couldn't reveal who in the administration gave the briefing.

The White House directed questions about the matter to the Department of Defense. Defense officials had no comment on Nelson's claim.

Nelson said the senators were told Iraq had both biological and chemical weapons, notably anthrax, and it could deliver them to cities along the Eastern seaboard via unmanned aerial vehicles, commonly known as drones."

Para onde vai a república quando os senadores (and everyone else) são enganados para se fazer a guerra? Look to Rome.

Isto é que é antecipação!

Hussein could try to dredge up some of this history during his trial, in an argument that the West was somehow complicit in his actions.
"During trial, Hussein may try to implicate Western leaders. U.S. and other nations that supported him in past could be vulnerable.

Former CIA Director R. James Woolsey, a practiced litigator, said such a tactic by Hussein would be "a real reach for relevancy" and doubted that it would seriously embarrass the U.S. government.

"Was it inconsistent to have worked with Stalin during World War II and then to oppose him during the Cold War? So what? That's statecraft," he said."

E pronto, nos meses seguintes vamos ouvir esta patetice, vezes sem conta: o problema é quando um tirano não percebe que deixou de ser útil.

Mais àgua na fervura

The capture of Saddam was one of those moments in US political history when only one emotion is permitted, and anyone who dares break from the official line is The Enemy.

The first to break the silence this time, and early, was Cardinal Renato Martino, head of the Vatican's Pontifical Council for Justice and Peace. "I felt pity to see this man destroyed," he said, with the military "looking at his teeth as if he were a cow.... Seeing him like this, a man in his tragedy, despite all the heavy blame he bears, I had a sense of compassion for him."

Oh how the bloggers loved this one. Instapundit blasted away, National Review attributes such crazy thoughts to the disease of anti-Americanism, and the Dynamist said she could never "respect the authority of such idiots."

It is unseemly to see intellectuals using their talents toward such anti-intellectual ends as national chauvinism. But we've seen that many times in history, as the career of Heidegger shows. Never believe that intellectuals are above it all; when the right circumstances present themselves, they are ready not only to goosestep with the best of them, but also to write the manuals and administer the prison camps for those who refuse.

Just for the sake of review, let us just state the obvious points that one is somehow not allowed to mention. Iraq under Saddam was known as the most liberal Arab state. There was relative religious freedom. Women had rights. You could get a drink. You could own private guns. There were symphonies and arts. Fundamentalists had no power. The place was prosperous and enjoying immigration.

He was a despot, yes, but that hardly distinguishes him in the region. He owned some nasty weapons, yes, mostly sold or given to him by the US government, on whose behalf he waged war on Iran. He also made war on the attempted secessions of the Kurds and the Shiites.

Oh the joy of liberation! And don't you dare disagree with the claims of the imperial wizard in the slightest respect. Never mind that the US denies pro-Saddam protesters the right to assemble and speak, and shoots them. Never mind that violence and bombers have become more common after his capture. Never mind that the main group cheering the capture in Iraq were pleased that an impediment to an Islamic state had been removed. No, the US says this is all great news and you had better believe it.

Llewellyn H. Rockwell, Jr.: Next US War Target: the Vatican?

Re: Os manuais de História e a crise de 1929

O facto da administração de Roosevelt estar cheia de comunistas e espiões soviéticos, tem algo que ver com tudo isso. o facto da União Soviética sair da Segunda Grande Guerra como a potência vencedora também.

Blair signals retreat on Iraq weapons

No FT.

"Tony Blair yesterday signalled a retreat from his previous confident assertions that weapons of mass destruction would be found in Iraq - the principal rationale used by the British government for the conflict.

The prime minister instead suggested the search would uncover evidence of how the Iraqi regime had disposed of the chemical or biological weapons it had previously possessed.

Mr Blair was careful to avoid asserting that Saddam Hussein had had weapons of mass destruction when the conflict started in the spring. He referred instead to much earlier uses of such weapons by the former Iraqi leader, stating: "That he had them is beyond doubt . . . he used them against Iran, he used them against his own people."

Ok. Já sei. É um tirano. E só isso vale a pena. E todos os tiranos vão ser varridos à face da terra e os povos iluminados pela Pax Ex-Tirani. E tudo isso começou no Iraque.

Re: Os manuais de História e a crise de 1929

O mais grave nesta questão é que existe um programa oficial de História, obrigatório para todas as escolas básicas e secundárias do País (estatais, privadas e cooperativas), que requer especificamente a apresentação da crise de 1929 como resultado dos "excessos" ou das "crises típicas" do "capitalismo", sendo uma das intenções obvias do dito programa apresentar como salvadores das pátrias F. D. Roosevelt, o New Deal e as formas de intervencionismo conducentes a modelos de "economia mista".

Outro aspecto não menos grave é que qualquer tentativa que os editores de manuais escolares façam de apresentar as coisas de um modo ligeiramente diferente é logo considerada pelos senhores professores como "erro científico", "desrespeito do programa" e razão suficiente para não adoptar tal manual na sua escola.

Duas coisas são necessárias, imediatamente: dar aos encarregados de educação maior intervenção na escolha de manuais nas escolas estatais e, sobretudo, acabar com a ditadura curricular do ministério da educação no ensino privado e cooperativo.

WHY I'M NOT A CATHOLIC, REASON 7,598

Here's the latest example of moral leadership from the Catholic hierarchy. My sympathies to those who feel bound by faith to respect the authority of such idiots.
To make sure I offend both major branches of Christianity, I'd suggest that Protestants consider the implications of their doctrines of moral equivalence--"we're all sinners," equally in need of salvation, equally offensive to God, equally incapable of righteousness--in the face of evil like Saddam's."

No Dynamist.

À la David Frum: Começaram por odiar Saddam, depois todos os árabes e depois os Franceses (e as suas batatas), os Europeus, o Papa e os Católicos.

Só se salva mesmo a National Review e a Weekly Standard.

Poll: 43 Percent of Americans Feel Israel Threatens World Peace

Afinal, em certas questões, Europeus e Americanos distanciam-se apenas por 15%.

Re: ainda Saddam

Mais um pouco e este libertarian (Jonathan Wilde) assina por baixo no novo militarismo intervencionista de esquerda à la Tony Blair: o uso da força para livrar a terra de todos os tiranos.

E quem É que vai decidir quem É tirano ou não é? a ONU? os Neocons? Os liberventionists?

Este tipo de moralismo libertador tem muito pouco que ver com o espírito libertarian ou mesmo conservador. Vamos lá ser moralistas, mas à grande:

Os US foram aliados e forneceram Saddam de armas químicas e biológicas na sua luta contra o Irão (na altura, o inimigo eleito dos US, cuja causa foram 25 anos de apoio a Palhevi posto no poder pela CIA, contra eleições democráticas no Irão).

Os US estavam informados do uso de armas químicas por Saddam na Guerra com o Irão.

Na altura, o Embaixador Americano "aprovou" a invasão do Koweit. Existiam disputas sobre a prospecção de petróleo em território iraquiano e o Koweit furava as quotas das Opep num altura em que o petróleo estava nos 10 Usd e o Iraque saia falido da sua Guerra contra o Irão em nome dos países vizinhos e do "Ocidente" (Inglaterra, França e até Portugal e outros também forneceram Saddam).

Saddam esmagou revoltas separatistas no Norte (os turcos também sempre maltrataram os Kurdos) e Sul (a influência do Irão, e esta revolta foi incentivada por Bush pai no Golfo I). E parte das misérias e controle estatal nos anos 90 deveram-se às sanções impostas pela ONU, destruindo a classe média e prolongando a economia de guerra.

Se não tivesse existido o Golfo I, os países à volta seriam os primeiros a controlar Saddam a suas expensas, com toda a certeza um acordo teria sido conseguido (já iniciado pelo Rei da Jordânia), 2 guerras teriam sido evitadas, existiria maior contacto com o exterior e pressões internas para a mudança do regime. Mas não... somos todos muito apressados. E deu no 11/9, a presença no Afeganistão e Iraque, e a ascensão do fundamentalismo.

Muito mais haverá a dizer, mas não é certamente para desculpar Saddam ou fazer dos US o império do mal, apenas que convém não levar a hipocrisia a limites insuportáveis ou a um misto de ingenuidade e turculência libertadora revolucionária própria de comunistas à procura de fascistas em todas as esquinas, cegos e sedentos de qualquer coisa.

E então se os Iraquianos quiserem libertar Saddam? Imaginem que a maioria Sunita prefere Saddam à tomada do poder pelos shiitas? Exactamente o que é que este liberventionist é a favor ou contra?

O problema é sempre que a suposta justiça é feita por terceiros que se deviam meter na sua vida, torna-se difícil ter parâmetros de right and wrong. E então os outros tiranos do planeta, quem são? a Arábia Saudita? Pinochet e todos os ditadores apoiados pela política externa americana no séc. 20 (e 21: Paquistão)? E se o Iraque cair na Guerra Civil quem é que vai encolher os ombros?

Quem tem uma balança da justiça? Ninguém, deixamos isso às próprias populações. Na Roménia julgaram e condenaram à morte. Na União Soviética, o regime desabou, o conflito internacional desapareceu, não existiram perseguições moralistas impostas por terceiros à antiga administração, e se calhar os seus crimes são bem maiores do que os do regime de Saddam. Seria melhor que a USSR tivesse sido invadida militarmente (fazendo de conta que isso era possível) e julgado todos os dirigentes por potências terceiras?

quarta-feira, 17 de dezembro de 2003

Chirac: Ban headscarves in schools

"French President Jacques Chirac calls for a law banning religious symbols and clothing in the country's state schools.

His remarks come in response to a report which recommended a ban on Muslim headscarves, Jewish skullcaps and large Christian crosses in public schools. "

o Estatismo conduz ao Secularismo imposto.

Não existe neutralidade possível no Estado (mesmo que fosse possível, isso em si já era uma ideologia nada neutra), e não o existe sobretudo na Educação Pública.

Existe algo de muito errado com isto, mas para manterem o intocável ensino público e direito positivo à educação, vão preferir tudo e todos "neutralizar" à força.

E mesmo na lógica do ensino público, não devia caber a um Presidente ou Assembleia decidir quais os trajes admissíveis, mas a cada escola, ou quanto muito, a cada localidade.

Karen De Coster

...apresenta sugestões de presentes para os homens da vida delas, ou será dela? :)

Taiwan

Aconteceu uma coisa estranha. Bush está do lado da China. os Neocons do lado de Taiwain.

Motivações? os Neocon defendem o direito universal à Secessão? Não. A visão é sempre estar do lado da democracia contra os não-democratas ( tudo o resto são pormenores), não fossem pro-Lincoln pela preservação da União pela força (como disse Gore Vidal, Lincoln salvou a União destruindo-a).

Bush fez uma declaração perigosamente interpretada pelos Chineses como quase um acordo a acções militares no caso de Taiwan insistir num referendo pela independência.

Uns e outros estão errados. O direito de Secessão deve ser defendido no domínio dos princípios, não deixando de reconhecer as enormes dificuldades de tal processo, em Taiwain ou noutro ponto qualquer do mundo (Espanha, Irlanda, Chechenia, etc) que aconselha a que seja um assunto interno de cada um e onde terceiros devem evitar de todo declarações de alianças militares por quaisquer das partes.

Ainda assim em Bush, a intenção (creio) não foi sancionar a China, mas avisar Taiwain para ajuizadamente tentar manter o status quo actual, de independência de facto. A China tem mostrado que tem capacidade de mudar, não pode é ser apressada. Neste assunto, os "realistas" parecem ter marcado pontos.